“Faria de novo”, afirma jornalista iraquiano que foi preso e torturado após atirar sapato em Bush

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Muntadhar Al-Zaidi atira seus sapatos contra George W. Bush durante uma coletiva de imprensa em Bagdá, Iraque, 14 de dezembro de 2008. Foto: Banco de Dados AND

O jornalista iraquiano Muntadhar Al-Zaidi, que se tornou um ícone em 2008 após ter atirado seus sapatos contra o então cabeça do imperialismo ianque, George W. Bush, afirmou no dia 23 de junho, em seu perfil pessoal na internet, que “valeu a pena” e que “faria de novo”. Na época sem saber do impacto do seu protesto, Al-Zaidi foi condenado e preso pelo governo títere do Iraque, lacaio do Estados Unidos (USA), por “agredir um líder estrangeiro”, e sofreu torturas durante seu período em cárcere.

O episódio ocorreu durante uma coletiva de imprensa que Bush realizava na residência oficial do primeiro-ministro iraquiano Nouri Al-Maliki. No vídeo, Al-Zaidi, que trabalhava para a TV Al-Baghdadia, aparece gritando “Este é um beijo de despedida do povo iraquiano, seu cachorro!”, enquanto atirava o primeiro sapato, e “Isto é das viúvas, dos órfãos e daqueles que foram mortos no Iraque!”, ao lançar o segundo. Nenhum dos dois calçados atingiu Bush, que conseguiu desviar. 

Sobre seu tempo na prisão, Al-Zaidi conta: “Passei um ano na prisão, três meses em confinamento solitário, fui torturado por três dias, quebraram minhas pernas, dentes e nariz, sofri espancamentos e torturas com choques elétricos. Mas valeu a pena”. 

Ele afirma que até hoje é assombrado pelo seu tempo em confinamento solitário: “Quando eu estava reformando meu banheiro, lembrei da minha cela. Eu abri meus braços e descobri que era maior que a minha cela, que mal era grande o suficiente para eu abrir meus braços. Eu mal podia caber nela”.

Questionado sobre o porquê de ter feito isso, Al-Zaidi conta: “George W. Bush disse que, se ele entrasse no Iraque, os iraquianos o receberiam com flores e isso se transformou em um estereótipo graças às agências de segurança e à mídia zioamericana [sionista e ianque] e árabe retratando-nos como desistentes”. Ele enfatiza também que “O povo do Iraque resistiu à ocupação desde o primeiro dia. Foi e continua sendo seu direito legítimo resistir à ocupação”.

Um episódio relembrado por Al-Zaidi é de quando, em 15 de fevereiro de 2003, 30 milhões de pessoas foram às ruas em 60 países ao redor do globo em repúdio à guerra de dominação imperialista e as agressões ianques ao Iraque. Esse ano agora completam-se 17 anos desde o início da invasão e ocupação do Iraque pelo imperialismo ianque, cujo pretenso pretexto era a existência de “armas de destruição em massa” sob posse do governo de Saddam Hussein.

Como jornalista, Al-Zaidi trabalhava noticiando as tragédias diárias e os terrores impostos pela ocupação ianque que aconteciam no Iraque. Ele entrava em casas arruinadas pelos bombardeios e relatava as histórias de órfãos e vítimas, e isso fez crescer em si uma enorme fúria com relação ao imperialismo e à invasão estrangeira em sua nação. “Jurei que, se eu conhecesse esse criminoso [Bush], mostraria a ele seu valor com o meu sapato”. 

Na cultura muçulmana e árabe, os sapatos são considerados um símbolo do imundo, e o simples ato de mostrar a sola do seu calçado a outra pessoa é um insulto grave, ao que dentro das mesquitas deve-se andar descalço. Atirar um sapato em alguém, então, trata-se de uma ofensa gravíssima. O hotel Rashid em Bagdá, capital do Iraque, chegou inclusive a instalar um mosaico com a imagem do pai de George W. Bush, também ex-presidente ianque, no chão do edifício, para que todos os visitantes fossem obrigados a pisar no seu rosto. 

O jornalista tem recebido múltiplas mensagens e votos de solidariedade em suas redes sociais, após declarar seu apoio aos protestos no USA em sequência ao assassinato de George Floyd. “Espero que pessoas de todo o mundo continuem lutando contra a injustiça. Se eu pudesse voltar no tempo, jogaria meus sapatos em George W. Bush novamente. Meu desejo é vê-lo e a todos que ocupam o Iraque na prisão um dia”, escreveu ele. 

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