PR: Paramilitares destroem lavouras de camponeses a mando do latifúndio

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Lavoura do acampamento Valdair Roque, no Paraná  é destruída por tratores do latifúndio. Foto: MST

No dia 3 de julho, o latifundiário Víctor Vicari Rezende invadiu, juntamente com 14 paramilitares, o acampamento Valdair Roque, localizado na cidade de Quinta do Sol, no Paraná. Eles destruíram lavouras de camponeses que estavam em fase de colheita.

Acompanhado por duas caminhonetes, dois tratores e diversos homens armados, o latifundiário chegou ao local cerca de 7h da manhã e deu a ordem para destruição da lavoura cuja produção seria destinada para doação. Apenas por volta das 16h30 eles deixaram o local.

Em entrevista para o portal De olho nos ruralistas, o camponês Paulo Sérgio de Souza, do acampamento, afirmou que há algumas semanas receberam informações que o latifundiário estava se articulando em busca de “empresas de segurança” (pistolagem legalizada) e funcionários aposentados para atacar a área.

Camponeses respondem com luta e solidariedade

No dia seguinte à destruição das lavouras, os camponeses do acampamento Valdair Roque inauguraram o Centro de Produção Agroecológica Pinheiro Machado. Em solidariedade, participaram do evento, além das famílias camponesas, moradores da cidade, entidades e outros movimentos populares.

Silvano Gomes Barroso, 46 anos, que reside na comunidade com a esposa e duas filhas desde o início do acampamento, em entrevista ao portal “Brasil de fato”, afirmou: “Estamos vivendo da terra hoje e é muito importante a gente estar aqui. Estamos com mais 50 famílias residindo na [fazenda] Catarina, e nós todos estamos sobrevivendo da terra, todos firmes lutando por um pedaço de terra. Aqui vivemos bem melhor que na cidade. Estamos aqui apreensivos porque ontem fomos surpreendidos pelo que se diz dono da fazenda com um pessoal armado, ameaçando nós. Mas nós estamos aqui firmes e fortes”.

As lavouras foram plantadas por 50 famílias camponesas que residem na área desde 2015. A produção de hortaliças, milho, arroz, feijão, mandioca e batata-doce é destinada para consumo próprio e também para abastecer a população mais pobre da cidade através de doações. Com o agravamento da situação do povo devido à pandemia, uma horta comunitária foi iniciada em 2 de maio para seguir com as doações.

Os camponeses foram responsáveis pela produção de mais de uma tonelada de produtos que foram entregues à Santa Casa e ao Comitê de Apoio às Pessoas em Situação de Risco Social do campus de Campo Mourão da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), em 7 de maio.

O sujo histórico da Usina Sabarálcool

A área onde está localizado o Acampamento Valdair Roque já foi parte da Fazenda Santa Catarina, pertencente à Usina Sabarálcool, da qual Víctor Vicari Rezende é um dos proprietários junto com seu irmão Ricardo Albuquerque Rezende Filho.

Há 964 ações trabalhistas contra a empresa somente na Comarca de Campo Mourão. Devido a isso, desde 2018, o Ministério Público Federal recomendou que a área fosse destinada pelo Incra para programas de “reforma agrária”, porém não houve nenhum avanço sobre a questão por parte do velho Estado. O latifúndio também está entre as empresas paranaenses que compuseram a “Lista suja” (como é conhecida a lista de empresas com autuações por trabalho escravo).

Além disso, no ano de 2012 o latifúndio iniciou um processo de arrendamento das terras dos pequenos proprietários que situavam-se num raio de mais de 50 km da fazenda. Os termos do arrendimento determinavam que os camponeses receberiam o valor de R$ 100 por alqueire plantado de cana de açúcar, tudo com vistas a ampliar a produção para exportação ao imperialismo.

Até aquele momento o total de terras da usina era de 11 mil hectares. Este configura os processos mais escancarados de semifeudalidade promovidos pelo latifúndio no país.

Camponeses inauguram Centro de Produção Agroecológica Pinheiro Machado, em Quinta do Sol, Paraná, após o ataque. Foto: Alan Bruno Ferreira e Diego Ferreira

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