USA: Defender os três perseguidos políticos de Austin!

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Nota da redação: Reproduzimos editorial do jornal revolucionário estadunidense The Tribune of the People, tratando sobre a mais recente perseguição do Estado imperialista contra os jovens militantes do movimento popular do país. Incentivamos todos os leitores a solidarizar-se com a luta contra a perseguição política levada a cabo pelo Estado imperialista ianque em sua própria casa.

A Força-Tarefa Conjunta entre o Departamento de Polícia de Austin e o FBI começou a selecionar, rastrear e prender manifestantes que se acredita estarem associados a um protesto contra a corporação Target. Até agora, três pessoas foram presas e acusadas de crimes violentos fabricados como “participação em um tumulto” e “roubo de um prédio”.

A primeira prisão criminosa foi taticamente realizada contra uma jovem mãe negra, que recebeu as duas acusações acima mencionadas. Ela apenas transmitiu ao vivo o protesto sem entrar no prédio ou realizar qualquer ato físico que pudesse ser considerado tumulto. Ela foi alvo do Estado que imediatamente começou a rotulá-la de “Antifa” na tentativa de criminalizar suas reportagens e o movimento por vidas negras. Ela não tem condenações anteriores e está sendo perseguida porque o Estado teme as vozes das mulheres negras que defendem o povo e acreditam que a revolução é necessária.

O protesto da Target que levou as autoridades a perseguir os manifestantes.

Mais dois manifestantes foram presos pelo Estado e acusados quase de forma idêntica. Em nenhum caso o Estado sequer tentou articular um ato criminoso real, apenas que eles acreditavam estar no protesto e eram “membros conhecidos da Antifa”. Isso não é crime, e nenhum dos outros tem registro de sequer ter sido condenado por um crime associado ao amplo e nebuloso movimento “Antifa”.

As agências estatais tentam, com ataques generalizados, rotular qualquer pessoa que se oponha ideologicamente ao fascismo ou racismo como membro da “Antifa” porque sonha em tornar ilegal a dissidência. Embora nenhum dos Três negue ser contra o fascismo (quem o faria!), eles não se identificam com grupos organizados que possuem o nome “Antifa” e não têm envolvimento com esses grupos. Este rótulo foi uma invenção da polícia aplicada a ativistas da comunidade e jornalistas independentes para difamá-los na imprensa e aumentar os vínculos e agravantes em curto prazo. A longo prazo, seu objetivo é corromper potenciais corpos de jurados, de forma que as acusações fraudulentas não se sustentem em nada além da base de medos e inseguranças da direita.

O caso dos Três Perseguidos se tornou notícia local e nacional, tendo sido relatado no New York Times. Os Três são os únicos casos nos EUA em que declarações policiais afirmam, sem nenhuma base de fato, que houve “membros da Antifa” presos, tornando-se uma ponta de lança na representação da fantasia de Donald Trump dos provocadores de “Antifa”. Esse fato torna o apoio e a conscientização em torno deste caso primordial. Se o Estado for capaz de deter aqueles que cobrem protestos e os que participam deles como “arruaceiros e bandidos da Antifa”, certamente generalizarão essa tática. Qualquer pessoa que proteste, qualquer pessoa que registre um protesto pode ser vista como “extremista” ou “terrorista”, para usar as palavras do Estado, e qualquer pessoa que não seja lambe-botas de fascistas pode ser considerada criminosa e rotulada como “Antifa”.

O protesto em que os Três teriam participado não foi uma “ação antifascista”. Foi um protesto para exigir que a corporação varejista Target parasse de financiar a vigilância policial anti-negra em Minneapolis e nos EUA. Não havia símbolos visíveis nem palavras-de-ordem associados ao movimento antifascista.

O Neomacartismo: o novo Terror Vermelho como tentativa de deter o ativismo anti-polícia e anti-racista

“Antifa” é um termo guarda-chuva que é derivação vulgar da Ação Antifascista, uma organização anterior ao ascenso do fascismo na Alemanha, proibida por Adolf Hitler em 1933. Os discursos do ultrarreacionário Presidente Donald Trump de proibir o contemporâneo “Antifa” ainda fede a hitlerismo. Desde do fim da organização Ação Antifascista original, o nome tem sido usado por diversos grupos, movimentos, organizações e indivíduos, principalmente da vertente anarquista, que não mantêm uma coesão ideológica ou estrutura organizativa. Não é usado para descrever a organização original dirigida e apoiada pelo Partido Comunista da Alemanha. O termo é mais comumente usado para descrever qualquer um em oposição ao fascismo, que usam uma variedade de métodos e táticas. O atual nome não possui nenhuma associação com o uso original, mas as razões fundamentais para querer proibir ele são as mesmas de Hitler.

Ação Antifascista, liderada pelo Partido Comunista da Alemanha, 1932

Em tempos de crise econômica e maior revolta, o Estado se torna desesperado por um bode expiatório para a raiva do povo contra o que eles chamam de “grupos marginais”. Durante a Primeira Guerra Mundial eles usaram os Palmer Raids, e seguindo isso as audiências McCarthy na sede do Comitê sobre Atividades Antiamericanas e os Julgamentos do Terror Vermelho. Nos anos 60, as autoridades usaram a Contra Inteligência e a COINTELPRO para dividir os movimentos populares, com foco claro de destruir organizações de negros e de apoio ao povo.

Armadilha para os Vermelhos (Red Baiting), rotular ativistas como anarquistas ou comunistas para descreditar suas visões políticas contestatórias, não são nada de novo. É parte do legado imperialista dos EUA de opressão e engenharia social. Tudo o acima serve a preservar a velha ordem, racista e desigual. O Estado tenta convencer a todos de que é somente um pequeno grupo de pessoas que estão entediadas, e mesmo a mídia corporativa está tendo dificuldades em manter este artifício, com muitos jornalistas expondo o fato de que é uma farsa, e que os levantes de massa não são um “complô Antifa” para semear a discórdia, mas uma insatisfação genuína devido há mais de 400 anos de história de sangrenta opressão racista. Simpatizar com o comunismo, com o anarquismo, ou identificar com o rótulo “Antifa”, não é em si um crime, os tribunais e a polícia usam estas visões e afiliações para aumentar a quantidade de vínculos e penalidades para aqueles em julgamento, e ao mesmo tempo impedir que eles recebam um julgamento justo. E mesmo que não insistam em rotular como Antifa, anarquista, comunista os que não tenham nenhuma evidência em ter estes princípios, basta um policial dizer que sabe que alguém é tal coisa, e isto ser incontestável para os tribunais e a mídia. Torna-se essencial juntar em defesa destes que são assim rotulados, ao mesmo tempo, declarar em voz alta que fazer revolução não é crime. Quando o Estado torna um pensamento ilegal, ninguém que se opõem a injustiça está a salvo.

Enquanto o Estado foi muito longe em rotular os ativistas populares como radicais perigosos, nada faz para impedir o movimento de verdadeiros fascistas que hoje usam terrorismo violento contra ativistas e outras pessoas oprimidas. Os movimentos de direita e fascistas mantêm ligações próximas com a polícia e possuem vínculos estreitos. Esse não é o caso para os ativistas populares na esquerda: um lado busca preservar o sistema desigual, em decomposição e atrasado, enquanto que outros buscam transformá-lo. Está é a linha divisória entre esquerda e direita.

A promotora distrital Margaret Moore, cúmplice de Trump

Margaret Moore, procuradora do distrito de Travis County

Moore, a Procuradora Distrital para Travis Country e do Partido Democrata, se mobilizou imediatamente para apresentar acusações sobre os Três, enquanto demonstrava absoluta lentidão para chamar um Grande Júri contra os oficiais da APD Christopher Taylor e Mitchell Pieper que assassinaram o homem preto-latino desarmado Mike Ramos. Antes disso, ela não fez absolutamente nenhum esforço para requisitar a sequência das câmaras individuais dos oficiais da APD da cena do assassinato do Preto desarmado Javier Ambler, que foi brutalmente assassinado na frente das câmeras de televisão em sua jurisdição. Tanto tempo se passou disso que os cúmplices já destruíram a sequência. Moore foi somente forçada a começar a agir contra a polícia, mesmo que um pouco, devido às rebeliões de massas que abalaram a cidade de Austin, no final de maio, e as sucessivas grandes mobilizações que se seguiram.

Onde estava a urgência quando se deveria dar justiça ao povo Preto contra a polícia? O racismo do sistema está totalmente visível quando Moore não perdeu tempo em apoiar a polícia e o FBI em se mobilizar rapidamente na prisão da mãe Preta, que não fez nada mais do que filmar, assim como com os outros dois ativistas comunitários que o Estado busca crucificar.

Do acordo com um dos advogados dos acusados, as acusações são “uma tentativa transparente, incendiária de distrair dos problemas que molestam nossa sociedade – racismo sistêmico e assassinato patrocinado pelo Estado”. Ele falou a Houston Chronicle, “toda hora estas acusações se repetem, elas dão credibilidade à perigosa alegação de que qualquer um comprometido com um mundo onde as pessoas tenham mais valor que a propriedade é um terrorista.” Os objetivos dos reacionários é claro: criminalizar o movimento de massas, neutralizar as vozes de fortes mulheres Pretas, e qualquer um que se levante contra o racismo. Isso deve ser energicamente combatido por todos que acreditam que um mundo melhor é possível.

O que você pode fazer

Todos os companheiros na luta, não importa suas visões ou discordâncias devem vir ao socorro e apoio dos Três Perseguidos em Austin, Texas. Sempre há algo que qualquer um pode fazer para ajudar. Organizar ações de solidariedade, apresentar o slogan “Defender os Três Perseguidos de Austin”, realizar protestos de solidariedade do lado fora dos escritórios da Procuradoria Distrital. Comparecer a todas as datas do julgamento e quaisquer eventos em apoio aos Três Perseguidos. Apoiar e atuar como voluntários nos grupos legais de auxílio, organizações de ajuda mútua, e médicos de campo. Apoiar a Comissão Nacional de Advogados e outros que estão se levantando para ajudar a parar a caça às bruxas.

Todos os que não puderem comparecer aos protestos ou tomar ação direta pode ainda fazer sua parte, difundir amplamente em todas as mídias sociais e plataformas online, falar em defesa dos Três, compartilhar este artigo e outros. Doar para os fundos de defesa dos detidos, e especialmente ao apoio legal dos Três. Compartilhe amplamente estes links de doação. Demande que todas as acusações sejam anuladas contra os Três e os outros cerca de 10.000 dentre os ativistas e manifestantes dos movimentos de massas. Quando o Estado prende qualquer um por se levantar pelas vidas Pretas, eles estão tentando esmagar a luta e continuar seus negócios racistas, opressores como de costume. Documentem e informem sobre ameaças fascistas e racistas contra manifestantes e especificamente contra os Três, enviem os registros para o e-mail [email protected]com que compartilharemos para apoiadores legais.

Mais importante, defender e sustentar o movimento pelas vidas Pretas, inclusive todos aqueles manifestantes que assumem grandes riscos ao se pronunciarem contra o Estado reacionário. Fique atualizado sobre os eventos atuais e as tentativas do Estado de dividir e terminar com a luta das massas. Desafiar todas as tentativas oficiais e civis de Armadilha para os Vermelhos (Red Baiting) ou a incauta rotulação de indivíduos ou grupos. Deixar claro que é a polícia e o sistema que são responsáveis e detêm toda a culpa e não aqueles que se levantaram em lutas por um mundo melhor. Ao lado com o povo! Apoiadores e advogados asseguraram a soltura dos Três mas eles necessitam de nosso apoio na longa batalha legal que virá.

POVOS DE TODO O MUNDO, DEFENDAM OS TRÊS PERSEGUIDOS DE AUSTIN!

NÃO PERMITAM OPINIÕES POLÍTICAS SEJAM BASE PARA ENQUADRAR ATIVISTAS!

OS TRÊS PERSEGUIDOS SÃO INOCENTES DE TODAS AS ACUSAÇÕES!

FAZER REVOLUÇÃO NÃO É CRIME!

REBELAR-SE É JUSTO!

O “Tribune” incentiva nossos leitores a apoiar os fundos legais para esses ativistas e quaisquer outros manifestantes que o Estado visará no seguinte link: https://gogetfunding.com/help-austin-georgefloyd-protesters-facing-state-repression/

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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