Etiópia: 145 manifestantes assassinados em protesto após execução de artista popular

Membros da comunidade etíope Oromo no Líbano se juntam aos protestos após a morte do artista popular Haacaaluu Hundeessa em Beirute, 5 de julho. Foto: Anwar Amro/AFP

Pelo menos 166 pessoas morreram durante a repressão às grandes manifestações que tomaram a Etiópia nos seis dias seguintes ao assassinato do cantor popular Haacaaluu Hundeessa, ocorrido no dia 29 de junho. No dia 4 de julho, também, etíopes invadiram a Embaixada da Etiópia em Londres e colocaram a bandeira da etnia Oromo no lugar da bandeira do país.

As notícias sobre os protestos só chegaram à imprensa dias após o ocorrido, durante a primeira semana de julho, devido à forte censura empreendida pelo velho Estado do país, sendo que as ações de protesto das massas também foram amplamente abafadas. O primeiro-ministro, Abiy Ahmed Ali, que está por trás desses assassinatos e da violência reacionária foi “agraciado” com o Prêmio Nobel da Paz no ano passado.

Na região de Oromia, após a morte de Haacaaluu, a repressão, de modo covarde, empreendeu feroz ataque às massas que se rebelaram diante das evidências de crime político. Segundo o próprio comissário-adjunto da polícia de Oromia, em declaração no dia 04/07, 145 civis foram mortos; porém, o povo revidou à sua maneira e 11 agentes das forças de repressão morreram. Outros dez manifestantes morreram em protestos na capital Adis Abeba.

O comissário disse ainda que outros 167 manifestantes haviam "sofrido ferimentos graves" e que 1.084 pessoas haviam sido presas. Segundo relatos do Al Jazeera, em algumas regiões os militares foram utilizados na tentativa de acabar com os protestos.

Entendendo o caso

Haacaaluu, de 36 anos, pertencia ao grupo étnico Oromo, o maior grupo em quantidade populacional, e o mais subjugado entre as massas pelas classes dominantes. Suas músicas deram voz ao sentimento de revolta à marginalização da sua etnia que compõe a maioria das classes populares, ficando muito famoso e querido entre o povo durante os massivos protestos de 2018 no país.

O velho Estado etíope acusou grupos rebelados da etnia Oromo (a mesma de Haacaaluu) como responsáveis pela morte e prendeu cinco pessoas (cujos nomes não foram revelados), mesmo indo contra a lógica dos acontecimentos. As massas populares, por sua vez, acusam o governo pelo assassinato e afirmam que a acusação aos grupos rebelados é infundada e busca impulsionar a repressão à resistência popular.

Vídeos dos protestos:

Vídeo da ação na Embaixada etíope de Londres:

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