USA: Adolescente preto é morto asfixiado por sete guardas

A- A A+

Cornelius Fredericks é internado após imobilização brutal cometida por funcionários de um centro “educacional” para "menores infratores" no USA. Foto: família da vítima

No início do mês de julho foi divulgado um vídeo mostrando um adolescente negro perdendo a consciência depois de ser sufocado por sete funcionários de um centro “educacional” para "menores infratores", aprofundando a revolta do povo estadunidense contra a ordem de exploração e opressão.

Cornelius Fredericks, de 16 anos, morreu em 1º de maio, dois dias depois de ser empurrado e imobilizado no chão por "educadores" da Academia Lakeside em Kalamazoo, Michigan, por jogar um sanduíche contra outro garoto na cafeteria local.

O vídeo da câmera de vigilância, divulgado em julho pelo advogado da família do jovem, mostra Fredericks jogando o sanduíche da mesa e vários homens (sete) o atacam, derrubam-no e se apoiam sobre seu corpo para “controlá-lo”. Cerca de dez minutos depois, o jovem parece inconsciente e os funcionários tentam revivê-lo com manobras de massagem cardíaca antes de pedir ajuda médica.

Sua morte é similar a de George Floyd, um homem preto executado em 25 de maio por um policial que o sufocou em uma rua de Minneapolis durante sua prisão injusta. A morte de George Floyd desencadeou uma grande rebelião no país no início de junho, que ainda não cessou em acontecer.

O jovem "foi executado em 29 de abril pelo crime de jogar um sanduíche", relatou seu advogado. Os sete seguranças que o detiveram "o privaram de oxigênio e seu cérebro sofreu danos irreversíveis", afirmou.

O advogado entrou com ações civis em junho contra o pessoal envolvido e contra a empresa privada contratada pelo estado de Michigan para administrar o centro. "Embora Cornelius Fredericks tenha gritado 'eu não consigo respirar', as autoridades continuaram segurando-o de maneira inadequada, matando-o", destacou o advogado em sua queixa.

Apesar de do envolvimento de outras pessoas no assassinato do jovem, apenas dois guardas e uma enfermeira foram acusados de homicídio involuntário e agressão. O representante legal da família da vítima declarou que a empresa privada que administra o centro propôs um acordo de pelo menos um milhão de dólares como indenização.

Jovens confinados se rebelam contra abusos

Câmera de segurança do local mostra Frederick sendo imobilizado contra o chão por sete guardas

Após a morte de Frederick ter sido relatada, os jovens do campus se rebelaram e entre 25 a 28 deles fugiram, disse o presidente da diretoria da Academia Lakeside. Da mesma forma, nas semanas que antecederam o assassinato do jovem, o Departamento de Segurança Pública de Kalamazoo recebeu um aumento de chamadas para falsos alarmes de incêndio, ataques entre “alunos” e guardas e “estudantes fugidos”, mostrando o aumento da insatisfação e revolta dos jovens com a situação no centro correcional.

Além disso, registros mostram que o Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Michigan (DSSHM) investigou previamente o centro por “restrições inadequadas e técnicas de gerenciamento de comportamento inadequadas”, incluindo denúncias de um funcionário de bater, asfixiar e arranhar um estudante em janeiro de 2019, de acordo com o relatório. Esse mesmo funcionário havia sido disciplinado meses antes por “supervisão inadequada” de um residente, de acordo com o relatório.

Outras duas denúncias de agressão por parte de funcionários do centro foram investigadas pelo DSSHM em 2019, em outubro e novembro.

Grandes empresas lucram com o encarceramento da juventude 

A Academia Lakeside, licenciada como “instituição de acolhimento de crianças” e gerenciada pela Serviços Sequel através de seus “centros de tratamento de saúde comportamental para jovens”, é apenas um de outros milhares de centros privados lucrativo direcionados a superexplorar a juventude, sejam na forma “educacional” ou como centros de detenção para menores infratores. No país, quase metade dos centros para jovens são operados em regime privado. 

Um extenso histórico de pesquisas estadunidenses sobre o sistema de detenção privado no país mostra um encarceramento em massa da juventude como único objetivo de gerar lucro para essas empresas. Um exemplo particularmente notório disso é o escândalo "Crianças por dinheiro" de 2009, no qual dois juízes do estado da Pensilvânia revelaram ter aceitado dinheiro do proprietário de dois centros privados de detenção juvenil em troca de sentenciar jovens infratores a cumprir penas nesses centros. Os adolescentes foram condenadas a penas nos centros de detenção por delitos como roubo de DVDs em lojas ou por não comparecerem às audiências criminais das quais nunca foram notificadas.

As corporações ganham mais dinheiro quanto mais pessoas são condenadas à prisão, dessa forma, exigem do Estado ianque sentenças cada vez mais duras. Um relatório do Instituto de Política de Justiça detalha como as corporações prisionais se utilizam dos lobistas, financiamento de campanhas e políticos, como por exemplo, a Corrections Corporation of America (CCA), a maior empresa carcerária privada dos EUA, gastou 17.4 milhões de dólares em despesas de lobby de 2008 a 2018 e 1.9 milhões de dólares em “contribuições políticas” entre 2003 e 2012. 

Em 2013, a CCA e outra grande empresa carcerária, o Grupo GEO, também financiaram os esforços de lobby para impedir a “reforma imigratória”, acabando com o caminho para o status de legalidade para mais de 11 milhões de imigrantes indocumentados a fim de manter essas pessoas fluindo diretamente para suas instalações de detenção, bem como assegurando um aumento do financiamento do Congresso para encarcerar essas mesmas pessoas em prisões com fins lucrativos.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Fausto Arruda

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Matheus Magioli Cossa
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ana Lúcia Nunes
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira

Ilustração
Taís Souza