Empresa imperialista alemã é acusada de rapina de recursos naturais palestinos e de lucrar com o colonialismo

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A pedreira de Nahal Raba, explorada pela empresa alemã HeidelbergCement, é localizada em terras palestinas usurpadas da vila de Al-Zawiya. Foto: Al-Haq 

No dia 15 de julho, duas organizações civis que atuam na Palestina formalizaram uma denúncia contra a multinacional imperialista alemã HeidelbergCement e protocolaram um pedido para que ela seja acrescentada ao banco de dados sobre empresas envolvidas com o colonialismo sionista e com a construção de colonatos (assentamentos ilegais) de Israel nos Territórios Palestinos Ocupados (TPO). Esse banco de dados é disponibilizado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR) e atualizado anualmente. 

O Al-Haq, com sede em Ramallah, e o Centro de Pesquisa em Empresas Multinacionais (SOMO, na sigla original em holandês: Stichting Onderzoek Multinationale Ondernemingen), apresentaram seu relatório de pesquisa intitulado “Violações gravadas em pedra”, “como um meio de desafiar a estrutura de incentivos econômicos que perpetuam a ocupação e a negação contínua do direito palestino à autodeterminação e à soberania sobre seus recursos naturais”.

O relatório documenta as implicações diretas e indiretas causadas pelas operações da empresa alemã na pedreira de Nahal Raba, localizada dentro da Cisjordânia ocupada, por meio de sua subsidiária, chamada Hanson Israel Ltda. Ela opera ilegalmente em terras pertencentes à vila palestina de Al-Zawiya, e se estende até à vila de Rafat.

Segundo o documento, a pilhagem de recursos naturais palestinos, neste caso específico a pedra, “ocorreu em um contexto de políticas institucionais deliberadas destinadas ao confisco e expropriação de terras e recursos palestinos por Israel, a potência ocupante, além de fornecer materiais de construção usados para estabelecer e expandir assentamentos israelenses ilegais”.

Mapa indicando a localização da pedreira de Nahal Raba, próxima às vilas palestinas de Al-Zawiya e Rafat. Imagem: UN OCHA

A INDÚSTRIA PALESTINA DA PEDRA E OS ENTRAVES COLONIAIS

O relatório explica que a exploração da pedra palestina extraída na Cisjordânia, chamada de “ouro branco”, ou ainda de “petróleo branco”, alcança a cifra anual de aproximados 30 bilhões de dólares, cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) da Palestina. No entanto, estima-se que mais da metade da área das pedreiras palestinas está localizada dentro da chamada Área C da Cisjordânia, que vive sob controle militar e civil de Israel, desde os Acordos de Oslo, em 1993.

Enquanto isso, em 2015, a indústria ligada à pedra, desde a sua mineração, constituiu 19% do PIB de Israel, com exportações que alcançaram os 50 milhões de dólares. Pelo menos um quarto desse valor é decorrente das pedreiras localizadas na Palestina sob controle de Israel. Mesmo na Área A da Cisjordânia, que é administrada pelos capitulacionistas e entreguistas da Autoridade Palestina, 94% da produção de pedras em 2015 foi transferida para Israel, totalizando 17 milhões de toneladas de material.

Devido às proibições coloniais israelenses que impedem os palestinos de transitar livremente, conseguir licenças para explorar a terra, construir ou abrir empreendimentos nos TPO, o povo palestino não consegue desenvolver sua indústria. Além disso, constantemente tem seus equipamentos apreendidos ou até mesmo destruídos pelas forças da ocupação, e ainda sofre com restrições aos procedimentos de transporte e de exportação, não conseguindo comercializar suas produções. 

A pedreira de Nahal Raba atua em terras que pertencem historicamente à vila palestina de Al-Zawiya e foram confiscadas pela ocupação israelense desde o início da década de 1980. Fica localizada no centro da Cisjordânia, a aproximadamente 14 quilômetros da cidade de Salfit, e abriga mais de 6 mil moradores. Nas proximidades, estão as aldeias palestinas de Mas'ha, ao norte, Bidya ao leste e Rafat ao sul. 

Entre 1986 e 2000, a pedreira de Nahal Raba foi operada pelo conglomerado australiano Pioneer, posteriormente comprado em 2000 pela empresa britânica Hanson e, então, em 2007, vendido à alemã HeidelbergCement, o segundo maior produtor de cimento de agregados e concreto pré-fabricado do mundo, que obteve inclusive a subsidiária israelense Hanson Israel Ltda, que antes pertencia à Hanson.

O sionismo começou a estudar a geologia e os recursos disponíveis na Palestina desde o período do mandato britânico, antes de 1948, com o envio de grupos de cientistas e técnicos para inspecionar focos de mineração e poços de água na área de Belém, onde atualmente  está o colonato israelense de Gush Etzion. A produção de cascalho e pedras começou na Cisjordânia no início dos anos 1970. Em 1972, Israel aboliu os impostos sobre pedreiras para serem iguais aos da Cisjordânia, a fim de as pedreiras na Cisjordânia não conseguissem competir com as de Israel. 

Imperialismo lucra com a pilhagem de recursos palestinos

O OHCHR divulgou no início do ano um banco de dados que lista as empresas envolvidas com atividades tais como o fornecimento de equipamentos e materiais que facilitam a construção e expansão de assentamentos e o muro de Israel na Cisjordânia; o fornecimento de equipamentos para demolição de moradias e propriedades palestinas, assim como a destruição de fazendas, estufas, olivais e lavouras; a prestação de serviços e utilidades de apoio à manutenção e existência de assentamentos, incluindo transporte e, por fim, operações bancárias e financeiras que ajudem a desenvolver, expandir ou manter assentamentos e suas atividades, incluindo empréstimos para habitação e empresas. 

O relatório indicou 112 entidades comerciais e industriais que incluem, por exemplo, o Airbnb, o Booking.com, o Expedia Group e a Motorola Solutions. Dentre elas, 94 são sediadas em Israel e 18 em outros países: Estados Unidos (USA), França, Holanda, Reino Unido, Luxemburgo e Tailândia.

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