USA: Protestos populares sob forte perseguição do Estado ianque

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Manifestantes são reprimidos e presos durante um protesto em Frente a
o monopólio Target, no que gerou o processo dos Três Acusados de Austin.

Durante os protestos que sacodem os Estados Unidos (USA), o Estado imperialista ianque respondeu à justa rebelião das massas, seja por órgãos estaduais ou federais, com prisões e perseguição àqueles que se revoltaram com toda a velha ordem após o assassinato brutal de George Floyd pela polícia estadunidense. Estima-se que cerca de 11 mil manifestantes em todo o país foram presos em consequência da rebelião popular, muitos sob acusações falsas que não correspondem aos crimes que supostamente cometeram.

O monopólio de imprensa ianque, em conjunto com a polícia, trabalhou incessantemente para  criminalizar os protestos combativos, tachando-os de “violentos”, de “vândalos”, e “terroristas Antifa” (referindo-se ao movimento antifascista, retratado como uma “organização criminosa” pelo Estado ianque, a fim de desmoralizar a palavra), com exemplo os Três Perseguidos de Austin, manifestantes presos em um protesto exigindo que a Target, varejo do monopólio ianque, parasse de financiar a vigilância policial racista em Minneapolis e no USA. O diretor do Departamento de Segurança Pública do Texas (DSP), Steve McCraw, numa conferência no dia 2 de junho, afirmou que a manifestação teria sido organizada por “uma página na internet da Antifa”, usando a alegação como uma das justificativas para prender os três.

Durante um concerto cultural em homenagem a Elijah McClain, jovem negro morto pela polícia em 2019, a polícia dispersou o evento utilizando spray de pimenta e agentes infiltrados, no dia 27 de junho. O chefe da Polícia de Aurora, Colorado, afirmou que estavam atrás de manifestantes “Antifa”, em uma declaração no dia 30.

Em Atlanta, após o assassinato de Rayshard Brooks (homem preto assassinado no estacionamento do monopólio Wendy’s pela polícia em 12 de junho), a namorada de Brooks, Natalie White, foi presa por “incêndio culposo” após ser acusada por grupelhos fascistas de “ser membro da organização antifa” nas redes sociais, após a polícia divulgar vários relatórios para identificar os responsáveis pela destruição durante um protesto do fast food Wendy’s no dia 13 de junho, local onde foi assassinado Brooks. A força policial informou que só conseguiram prender White porque “receberam diversas pistas pelas redes sociais”, no dia 14 daquele mês.

De acordo com o jornal democrático e popular estadunidense Tribune of the People, outros que participaram de protestos e postaram sobre isso na internet foram alvo de agentes federais. Um homem que foi aos protestos em Minneapolis foi preso pelo FBI por postar sobre no Facebook, porém as acusações foram retiradas rapidamente. Três outras pessoas no USA foram acusadas de violar a Lei Anti-Desordem com base apenas em suas postagens na internet. 

Essa perseguição por parte do velho Estado pela “organização” Antifa, onde mesmo o arquirreacionário Donald Trump afirmou que reconheceria tal “organização” como terrorista no início das revoltas, não passa de uma maneira de criminalizar a justa rebelião popular que tomou o USA. Martin Gugino, idoso de 75 anos, foi um exemplo disso, ao ser acusado por Trump de ser um “agente provocador da Antifa”, após Gugino ter sido empurrado pela polícia por motivo algum e ter batido com a cabeça no chão, no dia 4 de junho, ficando em estado grave no hospital.

Segundo o Tribune of the People, não apenas reacionários usam o termo “Antifa” de modo pejorativo, mas também os oportunistas, que têm tentado enquadrar os protestos combativos ao mito dos “agitadores externos” (como se quem se rebelasse não fossem as massas, mas sim determinado autor, utilizando-se de infiltrados, para cumprir com tal intenção), em conluio com os reacionários para criminalizar e desmoralizar o protesto popular. Por outro lado, a tentativa de qualificar os antifascistas como “organização” é infundado, já que não existe um vínculo organizativo entre todas as pessoas que atuam nos protestos antifascistas.

Numa verdadeira “caça às bruxas”, o governo federal, através do FBI e sua Força-Tarefa Conjunta Terrorismo, começou a auxiliar governos estaduais e locais em todo o país, analisando vídeos de manifestantes e apresentando acusações.

Um exemplo de tal conluio é em Los Angeles, onde a Polícia e o FBI formaram no dia 29 de junho a “Safe LA”, Força-Tarefa utilizada para perseguir manifestantes, oferecendo 10 mil dólares por informações. Tal maquinação ocorreu após William Barr, procurador-geral do USA, no dia 31 de maio, afirmar que o Departamento de Justiça está em meio a uma investigação nacional contra os “criminosos”, incluindo o que ele afirma ser “grupos extremistas radicais”, nomeadamente a “organização Antifa”.

No dia 30 de maio (cinco dias após a morte de George Floyd), na cidade de Nova Iorque, dois advogados, Colinford Mattis e Urooj Rahman, foram presos sob a falsa acusação de tentar “incendiar” um carro policial que já estava destruído, sem nenhum ferido. Querendo fazer de exemplo os dois, utilizaram a entrevista que um dos advogados deu ao monopólio de imprensa, ao qual afirmava a necessidade da violência para os oprimidos serem ouvidos. Os dois, também, foram acusados de serem “Antifa”, e enfrentam um prisão mínima obrigatória de 45 anos e no máximo perpétua. Os dois foram libertos sob fiança no dia 1º de junho, após manifestantes fazerem campanha exigindo sua libertação. Antes da pressão popular, Mattis e Rahman não tinham direito nem a liberdade sob fiança.

No mesmo dia, no Texas, o Departamento de Polícia da cidade de Dallas prendeu três pessoas acusadas de “vandalismo e danos ao Capitólio do Estado do Texas”, um prédio histórico racista do Estado com diversos monumentos aos Confederados.


Colinford Mattis e Urooj Rahman, advogados presos. Fonte: Hyder Kazmi, Salmah Y Rizvi

Movimentações similares das forças de repressão ocorreram entre 2014 e 2016, nas rebeliões de Ferguson e Baltimore, onde a morte de dois jovens negros, Michael Brown, de Ferguson e Freddie Gray, de Baltimore, deu início a rebeliões populares que tomaram as cidades, resultando em quase mil presos, com diversos feridos. 

Hoje, a repressão lança uma ofensiva no país, num contexto de crise geral do imperialismo, ao qual as massas se rebelam em luta pelos seus direitos; o Estado imperialista age rapidamente para reprimir os manifestantes (mesmo atores neutros como os observadores legais, que vão aos protestos monitorar e documentar as interações entre os manifestantes e as autoridades policiais, e são facilmente identificáveis nos protestos, foram presos em cidades como Las Vegas e Nova Iorque).

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