Chile: Presos políticos mapuche resistem em greve de fome

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Ato em solidariedade aos presos políticos mapuche, em Lebu, Chile. Fonte: El Pueblo

No dia 6 de julho 11 presos políticos mapuche na prisão de Lebu, Chile, deram início a uma greve de fome em apoio aos mapuche nas prisões de Angol e Temuco, que já estavam em greve de fome há 77 dias. Um relatório produzido por médicos que visitaram os prisioneiros no dia 18 de julho indicam que eles estão com sua saúde em risco, tendo cada um dos presos já perdido quatro quilos.

Sobre a resistência dos presos políticos mapuche, o jornal popular e democrático chileno El Pueblo comunicou: “É importante que o povo chileno seja solidário às demandas exigidas pelo povo mapuche, que hoje enfrentam altos riscos de saúde que podem ser irreversíveis para exigir total liberdade aos presos políticos mapuche e presos políticos em geral. O povo mapuche e o povo chileno identificam um inimigo comum: o velho Estado, que sob sua doutrina ambiciosa oprime, humilha, encarcera e assassina aqueles que lutam por seus direitos”.

Reproduzimos aqui o comunicado dos presos políticos que tomam a greve de fome como forma de luta e resistência dentro da prisão de Lebu:

“Nós, presos políticos mapuche lavkenche da prisão de Lebu, à nosso povo e nação mapuche, aos Lov e Comunidades mapuche em resistência e ao povo chileno, informamos:

Kiñe (primeiro): Que hoje, segunda-feira, 6 de julho, a partir das 12 horas, nós, 11 presos políticos da prisão de Lebu iniciamos uma greve de fome líquida em apoio aos nossos irmãos da prisão de Angol e do machi Celestino, que hoje completam 64 dias de greve.

Epu (segundo): Que assumimos essa greve depois de um largo processo de discussão levado a cabo no interior da prisão de Lebu e depois de ver a digna resistência dos presos políticos mapuche de Angol e Temuco. Como presos políticos mapuche não podíamos permanecer indiferentes ao processo de luta e resistência que nosso povo e presos levam adiante em distintas localidades do Wallmapu.

Qüla (terceiro): Com esta greve de fome exigimos ao governo cumprir plenamente as reivindicações dos presos políticos mapuche de Angol e do machi Celestino em virtude da aplicação da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho que permite a liberdade de nossos irmãos, mais ainda neste momento de pandemia. 

Meli (quarto): Assumimos essa greve com a dignidade que nossos weichave (guerreiros) têm demonstrado em cada ação de resistência e com o newen que cada lov entrega nas retomadas de terra.

Kechu (quinto): Saudamos a todos os lov em resistência, a nossas autoridades tradicionais, pu lonkos, machi [1], werkenes [2]. A nossas pu papai (senhoras), chachai (pais) e pichikeche (crianças). Continuar com o weichan (luta) até a nossa libertação nacional mapuche.

Kayu (sexto): Fachiantü amulkunuafiyiñ may kiñe futxa chalin femgechi chalikunuafiel ta iñ pu che weychatukelu kom wallmapu mew, ta iñ pu reñnmawen ka ta iñ pu lovche, pewmagele may doy newentuñ mayaiñ, doy yafuluwaiñ fantenpu mew. Kiñe futxa piwke chalin werkunuafiyiñ fachiantu: ¡newentuaymun pu peñi mülelu carcel de angol mew!, ¡newentuaymi machi Celestino!, ¡eymun ka kom tamun pu che!, fachiantü inchiñ ka konküleiñ tufachi huelga mew, doy rekuluwaiñ femi!

Presos Políticos Mapuche Lebu:

– Eliseo Raiman Coliman

– Matias Leviqueo Concha

– Carlos Huichacura Leviqueo

– Manuel Huichacura Leviqueo

– Esteban Huichacura Leviqueo

– Guillermo Camus Jara

– Cesar Millanao Millanao

– Orlando Saez Ancalao

– Damian Saez Saez

– Robinson Parra Saez

– Oscar Pilquiman Pilquiman.

Liberdade a todos os presos políticos mapuche!

Fora as madereiras, hidroelétricas, mineradoras, yanakonas [3] e toda expressão capitalista em nosso território!

¡Amulepe Taiñ Weichan!” (Continuemos nossa luta!)

[1] Machi é o nome dado à pessoa que tem a função de autoridade religiosa, conselheira e protetora do povo mapuche

[2] Werkenes é uma autoridade tradicional do povo mapuche. Ele serve como conselheiro para o mundo ou lonco (cacique) e geralmente é o porta-voz de sua comunidade. Em outros tempos, eles tinham que memorizar longas mensagens para comunicá-las fielmente a outros loncos.

[3] Yanacona (provavelmente do quéchua "yanakuna") significa “escravos da nobreza”.  Os mapuches chamavam de Yanaconas (que significa "servil" e "covarde") os incas e outros povos indígenas da etnia quéchua que serviram como soldados para o colonizador espanhol.

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