MG: estudantes das escolas estaduais fazem abaixo assinado contra EAD

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Estudantes das escolas estaduais de Minas Gerais fazem abaixo assinado contra EAD. Foto: Reprodução/MCTIC

Na metade do mês de julho, estudantes da rede estadual de ensino de Minas Gerais criaram um abaixo assinado, manifestando-se contrários à adoção do Ensino Não-Presencial da forma como foi imposta, de maneira "centralizada, de cima para baixo, antidemocrática, sem levar em consideração a realidade, dificuldades e demandas particulares de cada escola, das famílias, estudantes e dos professores".

Eles seguem, expondo que "sabemos da enorme desigualdade que assola nosso país. Qualquer medida adotada sem a participação popular não pode dar certo, e tenderá a aumentar mais essa desigualdade. Nós estudantes somos os mais interessados no processo de ensino-aprendizagem, e queremos que nos seja garantido o direito de estudar e aprender". Os estudantes também contabilizaram 8 pontos gerais, problemas enfrentados pelos estudantes de diversas escolas, bem como as consequências por eles trazidas:

  1. Excesso de atividades e pouco prazo para realizá-las. Uma grande quantidade de atividades não significa aprendizado real; na verdade isso é desestimulante, aprender passa a ser algo mecânico, além de ser mais pressão sobre os estudantes. Ainda, o isolamento aumenta as tarefas domésticas, o que diminui o tempo disponível dos estudantes para cumprir as tarefas.
  2. Acessibilidade. Muitos estudantes não possuem computadores ou smartphones, nem acesso à internet wi-fi (lembremos que muitos são pobres, não têm condições de pagar por internet, e vivem em periferias onde não há disponíveis fornecedoras das mesmas). Alguns até mesmo tem uma internet limitada para acessar a quantidade de links, vídeos e conteúdos que demandam; Há dificuldades no acesso às plataformas utilizadas, e dificuldades em postar os exercícios.
  3. Conteúdo de má qualidade. Há várias denúncias de erros de conteúdo nas videoaulas transmitidas e nas apostilas do PET, além de erros ortográficos. Os materiais com conteúdo das aulas são criados pela Secretaria Estadual de Educação (SEE) e não por nossos professores, que são quem conhecem as dificuldades e estágios em que se encontram os alunos. As aulas são apenas leituras de slides, e os alunos que se virem em “absorver” ou simplesmente copiar as respostas da internet sem entender o porquê (já que o necessário são os pontos, com uma chantagem de que vamos reprovar de série). Querem formar pessoas que saibam apenas um mínimo para ler, escrever e fazer operações básicas para virar apertador de parafuso!
  4. Falta de condições psicológicas para seguir no Ensino Não-Presencial. Muitos de nós estamos sofrendo de ansiedade pela quantidade de atividades de todas as disciplinas, que causam sobrecarga e pressão; muitas atividades não têm sentido algum para a nossa realidade nessa situação em que vivemos; E há um desgaste enorme dentro de nossas casas, com nossas famílias, para que consigamos realizar tudo o que nos é pedido; Tudo isso somado aos problemas que já tínhamos antes.
  5. Os alunos tem dúvidas enquanto assistem as videoaulas que podem atrapalhar a continuar entendendo o assunto, e mesmo que anotemos para levar ao professor depois, isso é uma sobrecarga em cima deles, que tem de ficar o dia todo praticamente por conta de tirar essas dúvidas. Sabemos como a profissão de professor já é bastante precarizada por conta dos ataques constantes do Estado!
  6. O Ensino Não-Presencial pode dar certo para um estudante que possua uma sala de escritório em uma casa espaçosa, numa rua tranquila, mas essa não é a realidade de muitos de nós, que vivemos em casa de apenas 3 a 4 cômodos, numa família de 5 pessoas ou mais. O aprendizado requer um espaço em que se possa concentrar num único assunto por vez. Soma-se a isso o que já foi dito acima, de que as tarefas de casa aumentam no isolamento.
  7. Avaliação. Não concordamos que haja avaliação neste momento. Como avaliar aqueles que não tem acesso a internet, não possuem um computador ou celular? E mesmo aqueles que tem, já falamos acima da má qualidade do que o Estado nos oferece, da dificuldade de aprender a distância. Isso só mostra que a maior preocupação não é com nosso aprendizado, mas números positivos.
  8. Por fim, não somos contra ter algo a distância para nós estudantes; afinal é importantíssimo que tenhamos aprendizado durante pandemia e contato com nossos colegas e professores; o que não queremos é passar de ano sem aprender, que o ensino presencial seja substituído por um “protótipo” de ensino, de má qualidade e ainda pouco acessível para muitos de nós! Exigimos que toda atividade a distância conte como reforço e não aula, que não seja avaliada e depois façamos a reposição presencial, afinal é um momento de anormalidade que vivemos.

Em conclusão, eles afirmam: "exigimos autonomia e democracia nas escolas estaduais. Exigimos que o ensino não-presencial do GOVERNO seja suspendido imediatamente, que cada comunidade escolar (escola, pais, professores e alunos) defina as melhores estratégias de retomada do ensino neste momento, levando em consideração cada realidade concreta, e que isso conte apenas como um reforço escolar, que não substitua as aulas presenciais e não seja avaliado". E adicionam: "também nos solidarizamos com os professores que estão sofrendo pressão de todos os lados, sem salário, perdendo sua função já que o Estado impõe conteúdos que não passam por eles. Não à toa vemos vários erros no material imposto a nós!".

O link para o acesso ao abaixo-assinado é: http://chng.it/8HYp6jJ8qS

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