Banco estatal faz venda suspeita de créditos a banco fundado por Paulo Guedes


Banco do Brasil vendeu carteira de crédito avaliada em R$ 2,9 bilhões por R$ 371 milhões para o banco BTG Pactual. Foto: Adriano Machado/Reuters

Funcionários do Banco do Brasil consideraram suspeita a venda de uma carteira de crédito ao banco BTG Pactual por apenas 10% do seu valor total de mercado: ela foi vendida por R$ 371 milhões, mas valeria, na realidade, R$ 2,9 bilhões. Segundo as denúncias, o valor dos impostos também não teria sido descontado, aumentando ainda mais o prejuízo do Banco do Brasil na transação anunciada em 1º de julho, segundo o monopólio de imprensa Globo. O beneficiário desse "trágico negócio" foi o banco fundado por Paulo Guedes, atual ministro da Economia do governo de Bolsonaro e dos generais.

Em um comunicado ao monopólio de imprensa Estado de S. Paulo, a Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb) comunicou que “pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) que investigue a operação de venda da carteira de crédito de R$ 2,9 bilhões para o BTG Pactual. O Banco do Brasil está sendo criticado por partidos políticos e sindicatos por supostamente vender barato demais a carteira de crédito”.

Uma carteira de créditos é um conjunto de empréstimos contratados por um conjunto de clientes do banco que ainda não foram quitados. Ao vender esses créditos para um banco privado, o Banco do Brasil possibilita ao BTG Pactual a negociação do recebimento dos valores a serem recebidos. De praxe, o Banco do Brasil negociaria individualmente determinadas dívidas, mas não uma carteira inteira de crédito.

Ainda de acordo com o Globo, quando a operação de venda ao fundo de investimento em direitos creditórios não-padronizados e exclusivo (FIDC-NP) administrado pelo BTG Pactual foi anunciada de início, o Banco do Brasil ressaltou que era a primeira vez que realizava cessão de carteira para fora do seu conglomerado, e que a venda se tratava de um “piloto de um modelo de negócios recorrente que o banco está desenvolvendo”, ou seja, de fato trata-se de algo sem precedentes. 

Segundo o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, o diretor executivo do Sindicato e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga, afirmou que “a venda da carteira de crédito para o BTG Pactual, dita de vanguarda, é bastante suspeita ao beneficiar, pela primeira vez, um banco fora do conglomerado e que justamente foi criado pelo ministro bolsonarista. Como saber se o Banco do Brasil não está sendo usado para interesses escusos do Paulo Guedes?”. 

OPERAÇÃO FOI FEITA SEM TRANSPARÊNCIA

Denúncias feitas por funcionários e especialistas, como a economista Cátia Uehara, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), apontam que houve falta de transparência na operação para decidir o valor de venda da carteira. Uehara afirma que, com frequência, os bancos procuram “limpar” seus balanços cedendo créditos podres para empresas no intuito de reduzir custos e o índice de inadimplência.

“Essas empresas/fundos, então, compram essas carteiras e, por meio de um processo chamado securitização, transformam ativos; como cheques, crédito, duplicatas e outros recebíveis em atraso; em um título. Para os compradores, o lucro vem da diferença entre o que eles pagaram ao banco e o que receberão ao cobrar esses recebíveis/dívidas no futuro. Todavia, no caso da operação realizada pelo Banco do Brasil com o BTG Pactual, não fica claro se o valor da carteira cedida de R$ 2,9 bilhões é justo, pois o Banco do Brasil não explica qual o tipo da carteira e menciona somente que ela é ‘majoritariamente em perdas’, não havendo transparência na operação”, explica. 

Em novembro de 2019, o Ministério da Economia comandado por Guedes foi acusado, em uma audiência pública na Câmara, de tentar favorecer bancos, entre eles o BTG Pactual, inclusive, em seus editais. Além disso, em 2018, em outro caso envolvendo o BTG Pactual, o co-fundador do banco junto de Guedes, André Esteves, voltou ao cargo na diretoria após ter sido preso em 2015 na Operação “Lava Jato”, acusado de tentar comprar o silêncio de uma testemunha envolvida em um esquema de suborno. Esteves foi absolvido posteriormente.

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