Chile: Advogada do povo mapuche presa injustamente denuncia repressão do velho Estado

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Detenção de Daniela Sierra. Foto: Radio Kurruf

No dia 6 de agosto, a advogada mapuche e defensora dos direitos dos povos, Daniela Sierra, presa injustamente após um dia de protestos combativos do povo Mapuche, concedeu entrevista a uma rádio local, onde falou - entre outras coisas - sobre como funcionam os julgamentos contra os mapuche, o racismo promovido pelos latifundiários e a importância que as lutas atuais estão tendo para os povos mapuche e chileno.

Em entrevista, Daniela explica o caráter político das prisões, afirmando que os tratamentos e julgamentos aos povos mapuche em luta são diferentes, que é “muito mais rígido, é muito mais duro, é uma maneira de agir mal-intencionada". Ela diz: "Lá temos os presos com pena de 15 anos, 18 anos, e no caso do Victor, 21 anos de pena. Além disso, o Estado, em sua própria forma de aplicar a lei, está reconhecendo que são presos diferentes, porque os persegue e os condena de maneiras diferentes. Um preso comum que é investigado e condenado pelos mesmos atos que eles [os presos políticos mapuche] não tem essas condenações.”

Na mesma entrevista, Daniela denuncia o caráter semifeudal do velho Estado chileno ao falar sobre a ligação intrínseca entre o velho Estado e os latifundiários, afirmando que a Associação para a Paz e Reconciliação em Araucanía (APRA), organização de latifundiários e paramilitares, “tem laços estreitos com o Estado. Muitos deles ocupam cargos do velho Estado. O mesmo Diretor Regional do Registo Civil, que nos acusou na detenção, é proprietário de terras da APRA. Eles conseguiram ser ouvidos na forma, na abordagem e no estilo de Víctor Pérez como Ministro do Interior. Mas ele próprio em uma entrevista diz que cumpre as mesmas funções que os ministros anteriores cumpriram, só que com mais atrevimento e mais brutalidade porque todos sabem quem ele é e, portanto, não têm muito que fingir”.

Por fim, ao encerrar a entrevista, Daniela afirma que a greve de fome dos prisioneiros políticos irá, de uma forma ou de outra, aumentar “a unidade do próprio movimento mapuche e a unidade do movimento mapuche com o movimento chileno e isso vai ser ruim para o governo chileno”. O jornal democrático-revolucionário chileno, El Pueblo, afirmou: “Inúmeras campanhas ainda estão em andamento em solidariedade a Daniela Sierra. O ataque dos latifundiários gerou maior apoio à luta mapuche”.

Daniela foi presa no dia 27 de julho, quando comunidades e famílias mapuche realizaram ocupações de sete municipalidades em Malleco, na Região de Araucanía, assim como em escritórios do governo regional de Temuco, em apoio aos presos políticos mapuches, exigindo respostas do presidente reacionário do Chile, Piñera, em relação às condições e processos dos presos políticos mapuche. O Conselho Municipal enviou as Forças Especiais para reprimir os povos nativos em luta, resultando na prisão de diversos mapuches, entre eles, a advogada Daniela Sierra.

Sierra ficou presa por aproximadamente três dias, sendo depois declarada, no dia 30, uma prisão domiciliar enquanto durar a investigação, onde Daniela é acusada de supostamente agredir policiais com lesões menores e os ameaçar verbalmente, além de outras acusações, que foram consideradas como “atitudes injustas e exageradas que despertou a solidariedade de numerosos grupos, organizações e personalidades democráticas”, informa o jornal El Pueblo.

A advogada Sierra é esposa de um dos presos políticos mapuche, Victor Llanquileo Pilquiman, condenado a ficar 21 anos nas masmorras do velho Estado chileno. Além disso, Daniela é mãe de uma menina com menos de um mês de vida, em fase amamentação, tornando sua prisão de três dias, longe da filha, um crime do velho Estado. 

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