Palestina: Única usina elétrica de Gaza fica sem combustível após novas agressões do sionismo

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Explosão avistada após ataque aéreo israelense atingir a cidade de Khan Yunis, na Faixa de Gaza, 16/08/2020. Foto: AFP

Após o dia 10 de agosto, o colonialismo sionista deu início a uma ofensiva militar contra a Faixa de Gaza em que tanques, aviões e navios de guerra foram mobilizados para realizar dezenas de ataques contra diversos pontos ao longo do território palestino. As forças de Israel fecharam uma passagem fronteiriça, interrompendo a passagem de mercadorias e o fornecimento de combustível, e bloquearam o mar de Gaza. Agora, os palestinos que já vivem sob o cerco de Israel contra Gaza há 14 anos ficarão sem energia elétrica.

A pretensa “justificativa” para suas agressões foi, segundo o sionismo, uma retaliação aos incêndios causados nas terras no sul do território ocupado por Israel, em decorrência do lançamento de balões incendiários pela Resistência palestina na semana anterior, como forma de chamar atenção sobre a situação de Gaza e pressionar Israel a suspender o cerco em curso. Os balões, todavia, foram respostas às agressões antecedentes de Israel.

O fechamento da passagem de Kerem Shalom, que é a fronteira comercial entre Israel e Gaza, no dia 11/08, é a razão por trás da escassez de combustível na Faixa de Gaza sitiada, que forçou a sua única usina elétrica a suspender a atividade. Em um comunicado divulgado no dia 16/08, Zafer Milhem, chefe da Autoridade de Energia Palestina (PNERA), havia alertado que iria “parar completamente, pois seu combustível deverá acabar” a partir do dia 18/08. 

Milhem atentou também para que os setores essenciais seriam drasticamente atingidos pela falta de energia, como a área da saúde, o que deixaria os pacientes em situação grave, na UTI, e bebês recém-nascidos em incubadoras, extremamente vulneráveis. 

A população de Gaza já sofre regularmente com apagões de energia elétrica por falta de acesso ao combustível, e a eletricidade é fornecida por menos de 12 horas por dia. Em 2019, o Catar começou a pagar pelo combustível necessário para operar a usina, mas Israel deixou de permitir a doação como parte de suas medidas sádicas de punição à Gaza, que incluem também a proibição da entrada de vários materiais, como cimento e pneus.

CIVIS SOB ATAQUE AÉREO

Durante os ataques mais recentes, apesar de terem sido pretensamente direcionados contra postos militares e de observação do Hamas, foram relatados múltiplos casos de sítios não-militares atingidos. Edifícios residenciais sofreram danos após um ataque aéreo a leste da cidade de Gaza, em que um alvo foi atingido por dois mísseis, por exemplo, e terras agrícolas foram severamente bombardeadas a leste de Beit Hanoun. Situações similares ocorreram em Rafah e em Deir al-Balah. 

No campo de refugiados de al-Shati, a oeste da cidade de Gaza, um míssil que acabou não detonando foi encontrado em uma escola primária. As aulas, que começaram recentemente nas escolas de Gaza geridas pela Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), foram imediatamente suspensas. A área no entorno da escola em questão precisou ser evacuada enquanto peritos desmantelaram o míssil.


Míssil israelense encontrado em escola, em um campo de refugiados em al-Shati. Foto: Palestine Chronicle

PESCADORES PALESTINOS NA MIRA DE ISRAEL

Na manhã do dia 16/08, o “Coordenador Israelense de Atividades Governamentais nos Territórios” (Cogat), órgão colonial israelense, ordenou o fechamento total do mar de Gaza sem previsão de abertura, e a proibição de qualquer atividade de pesca na costa do pequeno território palestino. Canhoneiras israelenses perseguiram os pescadores que tentaram prosseguir o seu trabalho, e abriram fogo covardemente contra eles. 

De acordo com o Centro Palestino para os Direitos Humanos (PCHR, sigla em inglês), alguns dias antes, em 14/08, forças navais israelenses estacionadas perto de Beit Lahia, no norte da Faixa de Gaza, perseguiram barcos de pesca palestinos que navegavam a 3 milhas náuticas, abriram fogo contra eles e atingiram-lhes com jatos d’água de alta pressão, ferindo vários trabalhadores.

Na Faixa de Gaza, há cerca de 4,16 mil pescadores e 700 trabalhadores em profissões associadas ao setor pesqueiro no total, atingidos com a decisão recente. Porém, antes mesmo disso, os pescadores de Gaza já sofriam com diversos ataques dos militares sionistas que, além de forçá-los a pescar em uma pequena área restrita, também os impediam de navegar e trabalhar livremente mesmo dentro dessa área designada. Constantemente sofriam ataques arbitrários e tinham seus equipamentos e barcos confiscados. 

De acordo com o grupo de direitos humanos B'Tselem, 95% dos pescadores de Gaza vivem abaixo da linha da pobreza, definida como uma renda mensal de menos de 600 dólares para uma família de cinco pessoas. 

CRIMES DE ISRAEL CONTRA GAZA SÃO INJUSTIFICÁVEIS

A “resposta” israelense, além de ser completamente desproporcional, uma vez que os incêndios jamais causaram vítimas, apenas estragos pontuais em plantações e terras agrícolas, trata-se de uma falsa simetria, pois a ofensiva do sionismo contra a Faixa de Gaza ocorre há anos, ainda que não haja qualquer ação da Resistência. O cerco à Gaza, por exemplo, foi imposto após a vitória do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) nas eleições parlamentares de 2006, e as brutais ofensivas de 2008, 2012 e 2014, que assassinaram juntas mais de 3,8 mil palestinos, partiram todas de Israel.

Os impactos desses mais recentes ataques apenas aprofundam a crise vivida pelo povo palestino sitiado na Faixa de Gaza, uma gigantesca prisão a céu aberto, que enfrenta hoje uma taxa de desemprego que atinge quase 46% da população, insegurança alimentar e a miséria, porém se recusa a curvar-se diante da violência colonialista de Israel, mantendo alta a luta pela libertação da Palestina. 

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