SP: Famílias enfrentam repressão ao serem despejadas em Diadema


Moradores resistem à injusta e violenta ação de despejo da PM. Foto: Record/TV

No dia 18 de agosto, por volta das 5h da manhã, cerca de 170 famílias que moravam em uma comunidade que fica na altura do km 19 da rodovia dos Imigrantes, em Diadema (Grande São Paulo) foram covardemente expulsas de suas casas e pelo menos 40 barracos foram derrubados durante uma ação de despejo da prefeitura de São Paulo, a mando do governador reacionário João Dória. Os trabalhadores não se intimidaram, montaram barricadas e enfrentaram a repressão policial com pedras, paus e altivos.

Por volta das 7h40, moradores revoltados com tamanha covardia bloquearam vias no entorno do terreno e resistiram colocando fogo em lixos, interditando as avenidas Eldorado e São Bernardo, que passam ao lado da ocupação. Policiais da Força Tática usaram bombas de gás de pimenta e de efeito moral em mais um gesto de crueldade contra centenas de famílias que protestavam pelo direito à moradia durante a pandemia da coronavírus.

Outro grupo de moradores foi até a Secretaria de Habitação em busca de respostas. Segundo informações, cerca de 40 barracos foram montados em junho deste ano em um terreno de 200 metros quadrados cedido pelo governo de São Paulo à Ecovias. Barracos foram incendiados no momento que ocorria a ação.

De acordo com levantamento do Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (LabCidade) da Universidade de São Paulo, a quantidade de remoções na Região Metropolitana dobrou entre abril e junho se comparado com o trimestre anterior, impactando 1,3 mil famílias. A maior parte dessas remoções foram realizadas, segundo o estudo, sob ordens do Tribunal de Justiça.

Dória, que aparece nos canais de grandes monopólios de comunicação pedindo para “ficarem em casa e lavarem as mãos”, nas favelas e ocupações age de outra forma, promovendo despejos e incursões violentas a comunidades.

Ângela, moradora do local que ficou desempregada e mora na ocupação com dois filhos, relatou que às 5h da manhã já havia policiais e agentes da prefeitura querendo invadir a ocupação, e que um morador viu a movimentação e alertou as demais pessoas sobre o que estava prestes a acontecer. Todos se levantaram em desespero para tentar retirar seus pertences e impedir a covardia.

“Não consegui tirar nada, perdi tudo! Perdi tudo, porque eles não deixaram nem mesmo eu tirar os meus filhos, eu tenho dois, um de 2 anos e uma bebe de 7 meses, tive que pedir ajuda de vizinhos para tirar meus filhos, eles só falavam se vira, a gente não quer saber de nada, a gente vai invadir”, disse a moça. Ela relatou ainda que não houve aviso de desocupação, assembleia ou qualquer outra coisa para que saíssem. “A gente ficou sabendo às 5h da manhã quando já estavam todo mundo aqui, eles não vieram falar, tal dia a gente vai estar aqui, é para vocês saírem que a gente vai derrubar! Não, eles chegaram de madrugada quando a gente tava todo mundo dormindo e começaram a querer invadir, sorte que um morador viu e começou a alertar: levanta! Levanta! Que eles vão invadir! Senão eles iam invadir com todo mundo dentro”. 

Ângela também denunciou que não houve apoio por parte de assistentes sociais e nenhum órgão de direitos humanos, e que o terreno estava abandonado há muito tempo e havia muito mato e descarte de animais mortos, fora assaltos de trabalhadores e com o aumento da pandemia e o desemprego ela e muitas famílias que ocuparam o local, se viram na situação de ter que procurar algum local para morar.


Famílias foram expulsas de suas casa pela PM de João Doria, em São Paulo. Foto: Walace Lara/TV Globo


Barracos foram incendiados durante o despejo. Foto: TV Globo

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