Milhares protestam contra acordo entre USA, Israel e Emirados Árabes sobre a Palestina

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Imagens de Netanyahu, Trump e do monarca dos Emirados Árabes Unidos foram destruídas e rechaçadas pelos manifestantes. Foto: Movimento pelos Direitos do Povo Palestino

Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas na Palestina e outros países nos dias 14, 15 e 16 de agosto para protestar contra o acordo firmado entre os Emirados Árabes Unidos (EAU) e Israel, em 13/08, após uma conferência entre o arquirreacionário Donald Trump, cabeça do imperialismo ianque (Estados Unidos, USA), o genocida Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, e o xeque Mohammed bin Zayed Al Nahyan, monarca dos EAU. Com ele, os EAU se tornaram o primeiro país do Golfo a formalizar a normalização de suas relações com Israel, e se comprometem a reconhecer o Estado sionista. 

Em “troca”, Israel fez promessas de que seus planos de anexar a Cisjordânia seriam suspensos, porém no dia 17/08 Netanyahu voltou a repetir que eles não estão fora da mesa, apenas foram adiados por ora. O acordo foi amplamente apoiado pelos imperialistas da Inglaterra, Alemanha, França e China.

Os palestinos denunciam que o acordo não “barrou” a anexação da Cisjordânia, pois ela já é uma realidade em curso nos territórios ocupados, ainda que sem respaldo oficial, como ocorre em partes da Palestina que foram “anexadas” pelo sionismo. Outro ponto levantado por eles é de que os EAU, assim como qualquer outra nação, ainda que árabe, não têm direito de falar em nome dos palestinos e de sua causa, muito menos ainda de assinar um acordo trilateral sem a participação de representantes palestinos.

Os protestos tiveram início no dia 14/08, em Jerusalém, após as orações da tarde na mesquita de Al-Aqsa, um dos mais importantes sítios para os muçulmanos. Durante os protestos, imagens do xeque emiradense, de Netanyahu e de Trump foram incendiadas e destruídas. 

Os manifestantes foram proibidos pelas forças da ocupação israelense de sequer erguerem a bandeira da Palestina, alguns foram levados detidos e vários tiveram seus cartazes confiscados arbitrariamente, segundo o monopólio de imprensa Haaretz. 

No mesmo dia, ainda ocorreram protestos na cidade de Gaza, na Faixa de Gaza, e em Nablus e na aldeia vizinha de Haris, na Cisjordânia. Já no dia 15/08, centenas de pessoas participaram de uma marcha em Ramallah, na Cisjordânia, agitando dezenas bandeiras da Palestina. Uma faixa foi erguida com dizeres que chamavam o acordo de “presente para a ocupação israelense” e uma “facada nas costas” dos palestinos. 

“Estamos sob ocupação há 70 anos, mas não vamos desistir da luta pela libertação e pelo fim da ocupação israelense das terras palestinas”, declarou um manifestante ao portal Middle East Eye (“Olho do Oriente Médio”), que cobriu a marcha em Ramallah.

Hazem Qassem, porta-voz do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que governa a Faixa de Gaza, declarou a rejeição do grupo ao acordo: “não serve absolutamente a causa palestina, serve antes a narrativa sionista. Este acordo encoraja a ocupação [israelense] a continuar a negar os direitos do nosso povo palestino, e a continuar os seus crimes contra o nosso povo”.

TRAIDORES DA CAUSA PALESTINA RECHAÇADOS 

Os manifestantes atearam fogo a imagens do xeque dos EAU e de Mohammed Dahlan, um político palestino do Fatah, partido capitulacionista que hoje encabeça a Autoridade Palestina, órgão de governo da Cisjordânia. Dahlan, por residir atualmente nos Emirados e possuir laços estreitos com o monarca, é considerado um traidor da luta palestina e acusado de estar por trás do acordo, em conluio com os inimigos do povo palestino.

“Consideramos Dahlan um parceiro na criação deste acordo, porque ele tem conexões com o MBZ [Mohammed bin Zayed Al Nahyan] e com o Mossad israelense”, explicou um manifestante ao portal de notícias árabe mencionado, referindo-se ao serviço secreto israelense.

O mesmo manifestante ainda disse que, “depois disso, Mohammed Dahlan nunca será bem-vindo em terras palestinas novamente, enquanto houver resistência palestina contra a ocupação de nossas terras”. 

PROTESTOS NO PAQUISTÃO

No dia 16/08, o Paquistão registrou dezenas de manifestações por todo o país, das quais participaram milhares de massas, na capital Islamabad e nas cidades de Karachi, Lahore, Rawalpindi, Peshawar, Quetta, Faisalabad, Multan e Hyderabad.

Os protestos foram convocados em um apelo de solidariedade e apoio à Resistência palestina contra a ocupação sionista. Neles, imagens dos políticos que encabeçaram o acordo também foram destruídas, e o chamado “acordo do século”, projeto de partilha colonial da Palestina proposto por Trump, rechaçado.


Manifestante no Paquistão levanta cartaz com os dizeres "O Paquistão jamais reconhecerá Israel #PalestinaLivre", 16/08/2020. Foto: MustPakistan/Reprodução Redes Sociais

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