PB: Por falta de moradia, trabalhadores organizam ocupação em Campina Grande

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Ocupação Luís Gomes, em Campina Grande, na Paraíba. Foto: Comitê de Apoio ao AND de Campina Grande

Em meio à crise da pandemia da Covid-19, trabalhadores se organizaram e ocuparam um terreno abandonado no bairro do Jardim Paulistano, em Campina Grande, no estado da Paraíba.

Os trabalhadores da Ocupação Luís Gomes começaram a organizar a ocupação há cerca de dois meses, após serem expulsos pela prefeitura de um outro terreno que haviam começado a ocupar, sob a justificativa que aquele terreno seria utilizado para outros fins. Após isso, as cinco famílias que estavam nesse local resolveram ocupar este outro terreno. Hoje a ocupação conta com mais de 100 famílias que lutam bravamente pelo direito básico à moradia.

Em visita à ocupação, o Comitê de Apoio ao AND conversou com os moradores e com lideranças do Movimento Pró-Moradia, criado após o início da ocupação. Eles nos relataram que as mais de 100 famílias que hoje residem na ocupação são, em sua maioria, trabalhadores informais, desempregados ou subempregados e que, devido ao aumento da carestia de vida, da crise econômica e do desemprego, tiveram suas condições de vida e renda muito prejudicadas, e hoje já não são mais capazes de arcar com os elevados preços dos aluguéis.

Os trabalhadores que ocupam a área afirmam ainda que antes ali era um grande terreno baldio e abandonado, que servia de espaço para uso de drogas e esconderijo de roubos. Hoje, o terreno foi limpo pelos moradores, o mato e o entulho retirados, e no seu lugar se erguem moradias improvisadas com madeiras, lonas e outros materiais.

Sobre as condições de vida na ocupação

Em visita ao local, os brigadista de AND relataram que as condições de vida dos trabalhadores ali, abandonados pelo velho Estado, não são as melhores. Em noites de chuva e frio em Campina Grande, as casas improvisadas não são capazes de conter toda a água.

Uma moradora relatou que várias vezes acorda a noite com os pingos de água caindo dentro dos barracos. além de que as faltas de saneamento básico e de energia elétrica em algumas partes da ocupação fazem com que a condição sanitária também não seja adequada, ainda mais dada a grande quantidade de crianças no local.

O principal problema relatado pelas famílias foi a falta de água no local. Para conseguir água, elas recorrem a pessoas solidárias numa “ocupação” vizinha, conhecida como “favela do distrito dos mecânicos”, que socorrem os companheiro como podem, mas que não é o suficiente para atender todas as famílias. Na questão da alimentação, lá foi montada uma cozinha comunitária, e lá é feita parte da alimentação da comunidade, de forma que todos possam se alimentar e ninguém fique de barriga vazia.

Da tentativa de retirada

De acordo com os moradores, em nenhum momento o prefeito ou qualquer órgão público foi até a ocupação para prestar solidariedade ou tentar resolver a situação da falta de moradia. No entanto, em duas ocasiões, a prefeitura e a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma) apareceram junto da Polícia Militar (PM) para derrubar os barracos construídos com o suor dos trabalhadores. Nas duas vezes que os barracos foram derrubados os trabalhadores os reergueram de novo, mostrando que não estão dispostos a abdicar de seu direito sem luta. De acordo com Seu Edvan, como é conhecido uma das lideranças da ocupação, reerguerão 100 vezes se for necessário.

Além disso, as famílias estão recebendo todo tipo de doações, entre alimentos, leite, agasalhos, lençóis, absorventes, fraldas descartáveis, colchões, panelas, lonas, tábuas, tijolos, telhas de PVC, ferramentas, etc. Para doar podem entrar em contato com Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..


Trabalhadores receberam edições do jornal AND. Foto: Comitê de Apoio ao AND de Campina Grande

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