Líbano: Povo se levanta após explosão e enfrenta repressão fascista


Milhares se manifestam em revolta após explosão no Líbano. Foto: NurPhoto/NurPhoto via Getty Images

Após a explosão do dia 4 de agosto no porto de Beirute, capital do Líbano, que matou pelo menos 158 pessoas e feriu cerca de 6 mil, o povo libanês se ergueu em protestos contra o descaso do velho Estado para com as condições de vida das massas. Seguido aos protestos, no dia 10/08, diversos governantes renunciaram e, em 13/08, o parlamento do Líbano aprovou um "estado de emergência" que permite ao Exército reacionário reprimir duramente as rebeliões com respaldo das leis.

O "estado de emergência" aprovado pelo parlamento permite ao Exército restringir a liberdade de expressão, a liberdade de reunião e a liberdade de imprensa, bem como a entrada arbitrária das forças da repressão em casas e a prisão de qualquer pessoa considerada uma ameaça à “segurança” do velho Estado, estando previsto para funcionar até 21 de agosto, mas que pode ser renovado. 

No dia 10/08, o primeiro-ministro do país, Hassan Diab, anunciou a sua renúncia junto da dissolução de todo o seu gabinete, após outros integrantes da equipe do governo renunciarem em resposta aos protestos. No mesmo dia, centenas de pessoas se manifestaram perto do parlamento pelo terceiro dia consecutivo, com dezenas delas tentando derrubar as barreiras de concreto próximas ao parlamento, enquanto outros atiravam pedras e fogos de artifício, após a repressão lançar bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes.

Um dia antes, as massas se levantaram principalmente no centro de Beirute. A polícia reacionária de prontidão bloqueou a estrada que leva ao parlamento, sabendo das intenções do povo rebelado de seguir até lá, com as massas tomando as ruas e combatendo com pedras os agentes de repressão que tentavam dispersar a manifestação com gás lacrimogêneo e cassetetes. A Martyrs' Square, praça central de Beirute, estava repleta de agentes de repressão armados de metralhadoras, prontos para avançar sobre o povo em luta. 

No dia 08/08, os protestos foram mais numerosos, com 10 mil pessoas invadindo a Martyrs' Square e atirando pedras na polícia, que reprimiu primeiramente com gás lacrimogêneo.

Sabir Jamali, um mecânico, estava na praça ao lado de uma forca improvisada. Sua mensagem aos líderes políticos libaneses através do monopólio de imprensa Al Jazeera era: “renunciem ou serão enforcados”. Outro manifestante, Eddy Gabriel, carregava a foto de dois vizinhos que morreram na explosão. Ele revelou: "Eu perdi minha casa, meu carro, meu emprego, eu perdi meus amigos. Não tenho o que temer, tudo está perdido."

As massas também se dirigiram ao parlamento, sendo bloqueados pela polícia, que usou balas de arma de fogo e de borracha. Também houve uso da Polícia de Choque, que disparou gás lacrimogêneo, sendo que o povo respondeu com fogos de artifício e pedras. Eventualmente o povo rompeu o bloqueio ao parlamento, entoando: Revolução! Revolução!

Nos protestos desse dia, aconteceu a invasão e ocupação de três ministérios do velho Estado. O Ministério do Exterior ficou sob ocupação popular por algumas horas, onde ergueram bandeiras vermelhas. O Exército evacuou o prédio horas depois. O Ministério da Economia e o Ministério da Energia também foram invadidos.

A Associação de Bancos de Beirute também foi invadida em um ato de rebelião, pois muitos libaneses se indignaram com o fechamento dos bancos após a explosão, além da crise que já afundava as massas em dívidas e juros, em contrapartida aos lucros dos bancos. 

Cerca de 728 pessoas foram feridas nos atos do dia 8 ao dia 09/08, algumas tendo que ser levadas em ambulâncias. Ao menos 14 repórteres e trabalhadores da imprensa em geral foram feridos na cobertura dos protestos. Um policial da repressão foi morto.


Juventude se rebela contra a miséria no Líbano. Fonte: AFP

Crise do velho Estado se intensifica

O Líbano já havia registrado revoltas em 2020 pela crise sanitária do coronavírus e dos efeitos da crise econômica imperialista em geral (e do capitalismo burocrático, lá, em particular). O sistema político do país, cuja estrutura semicolonial foi herdada de seu período de dominação francesa não conseguiu manter suas ilusões perante o povo nos últimos anos, com a desvalorização da libra libanesa e o desmantelamento dos serviços básicos.

A explosão destruiu qualquer estabilidade mínima que restava no velho Estado libanês: 300 mil pessoas ficaram desabrigadas. Ela varreu bairros inteiros. O maior porto do país foi destruído, porto este altamente responsável pela importação de alimentos, sendo que o armazenamentos de grãos essenciais foi destruído.

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