Representante da extrema-direita, Steve Bannon é preso por fraude ligada ao ‘muro do México’

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Steve Bannon trabalhou como conselheiro de Donald Trump e é coordenador de redes e grupos de extrema-direita ligados à defesa da supremacia branca. Foto: AFP / Getty Images

Na manhã do dia 20 de agosto, o arquiteto da campanha presidencial de 2016 de Donald Trump e envolvido no escândalo da empresa Cambridge Analytica, Steve Bannon foi preso por agentes federais e da procuradoria do Estados Unidos (USA), junto da Guarda Costeira ianque. O representante de extrema-direita é acusado de comandar um esquema de fraude contra doadores da campanha de arrecadação de fundos We Build The Wall (“Nós Construímos o Muro”), cujo objetivo era apoiar a construção do muro na fronteira com o México para barrar a entrada de imigrantes, a mais famigerada promessa da campanha eleitoral de Trump.

No momento da prisão, Bannon se encontrava em um iate de 14 metros quadrados do empresário chinês Guo Wengui, avaliado em 35 milhões de dólares, em Connecticut, no USA.

Segundo a acusação federal de mais de 20 páginas, Bannon participou de um esquema de conspiração que enganou centenas de milhares de doadores ao prometer falsamente que seu dinheiro era reservado exclusivamente para a construção de uma nova seção do muro na fronteira no sul do USA. De acordo com os promotores do processo, Bannon açambarcou quase 1 milhão de dólares para pagar despesas pessoais suas após desviar parte do dinheiro arrecadado.

Além de Bannon, há outros três co-réus no processo: Brian Kolfage, um veterano da Força Aérea que perdeu três membros amputados durante sua participação na invasão do imperialismo no Iraque; Andrew Badolato, um capitalista de risco, e um homem chamado Timothy Shea.

Procurando mascarar o fluxo ilícito do dinheiro, os quatro desviavam o dinheiro das doações por meio de uma organização “sem fins lucrativos” de Bannon e de uma empresa de fachada controlada por Shea. 

A campanha criada em dezembro de 2018 arrecadou quase 17 milhões de dólares apenas na sua primeira semana no ar, segundo o monopólio de imprensa The New York Times (NYT). Em janeiro de 2019, a organização da campanha anunciou aos seus doadores que estava mudando o propósito de sua missão e que tentaria construir um muro particular. 

Nela, um dos acusados, Kolfage prometia que “não pegaria um centavo em salário ou compensação” e que todo o dinheiro arrecadado seria investido “na execução de nossa missão e propósito”. De acordo com as acusações, apenas Kolfage teria pegado mais de 350 mil dólares da campanha e gastado em reformas de casas, jóias, barcos, um veículo de luxo, um carrinho de golfe e cirurgias estéticas.

As acusações também indicam que Bannon já havia trabalhado com um dos homens, Badolato, em outro projeto de extrema-direita, cujo objetivo era “promover o nacionalismo econômico e a soberania do USA”. 

TRUMP SE CONTRADIZ 

Ao ser questionado sobre a questão, o presidente ianque tentou se distanciar o máximo possível de Bannon, apesar de ter sido seu conselheiro político durante a campanha eleitoral de 2016. 

Os assessores de Trump afirmam que ele não sabia de nada sobre a campanha multimilionária envolvendo a construção do muro com o México, porém o arquirreacionário se contradiz ao ter afirmado paralelamente que não gostava dela. “Não gosto desse projeto. Achei que estava sendo feito por motivos de exibição”, disse Trump em outra ocasião, afirmando que considerava o financiamento privado do muro “impróprio”. 

Segundo o NYT, um dos filhos de Trump, Donald Jr., promoveu publicamente a campanha We Build the Wall em um evento no estado do Novo México em 2019, em que a chamou de uma “iniciativa privada em seu melhor”.

A campanha de Bannon sobre o muro foi realizada em conjunto com a empresa Fisher Industries, promovida regularmente por Trump, que afirmou que ela deveria conseguir um contrato maior para trabalhar na fronteira. No início de 2020, a empresa recebeu seu maior contrato para obras associadas ao muro com o México, em que trabalhou em dois segmentos da construção. 

BANNON E A EXTREMA-DIREITA

Bannon se tornou publicamente famoso por comandar o movimento conservador The Movement no USA e o site de extrema-direita Breitbart, conhecido por publicar notícias falsas e teorias da conspiração ligadas a chamada alt-right (que se traduz para “direita alternativa”) e redes de apoiadores da supremacia branca. 

Em 2016, dirigiu a campanha eleitoral de Trump nos últimos meses da sua duração, e, posteriormente, atuou como estrategista-chefe do presidente por sete meses, na fase inicial da administração, porém foi demitido em 2017, após entrar em brigas com vários funcionários do governo, incluindo o próprio genro de Trump, Jared Kushner.

Além disso, Bannon possui laços estreitos com a extrema-direita de outros países, como articulador de suas redes. No Brasil, por exemplo, é próximo ao fascista Jair Bolsonaro e sua família, tendo inclusive se referido a Eduardo Bolsonaro, com quem se encontrou diversas vezes nos últimos anos, como líder sul-americano do movimento da direita populista, em fevereiro de 2019. Outra conexão de Bannon no Brasil é Olavo de Carvalho, que recebeu uma visita de Bannon na sua própria casa e teve um evento de divulgação seu bancado pelo ianque.

No entanto, o caso mais emblemático em que Bannon se envolveu foi o escândalo da empresa Cambridge Analytica, empresa de mineração e análise de dados acusada de sequestrar dados de milhões de usuários em redes sociais a fim de influenciar no resultado de processos políticos como a eleição presidencial do USA de 2016 e a votação da saída do Reino Unido da União Europeia (o Brexit). Investigações feitas pelo monopólio de imprensa The Guardian, a empresa subsidiária da Cambridge Analytica, a SCL, foi contratada pelo próprio Departamento de Estado ianque, produzindo perfis psicológicos de cerca de 230 milhões de estadunidenses. 


Um dos vários encontros entre Steve Bannon e Eduardo Bolsonaro, chamado pelo ianque de líder sul-americano do movimento da direita populista. Foto: Reprodução / Redes Sociais

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