Turquia: Advogada presa política morre em greve de fome; democratas confrontam a polícia durante enterro

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Familiares e companheiros advogados se reunem no enterro de Ebru Timtik. Fonte: Yeni Demokrasi

Ebru Timtik, advogada democrática turca e presa política, morreu no dia 27 de agosto em um hospital em Istambul após seu coração parar de bater, no 238° dia de greve de fome. A advogada protestava contra sua sentença de mais de 13 anos de prisão por (suposta) participação de uma “organização terrorista”. Mesmo no seu enterro, policiais tentaram sequestrar seu corpo, enterrá-lo sem presença de familiares e companheiros e reprimiram aqueles que acompanharam o caixão.

A notícia de sua morte foi noticiada pelo Escritório de Direto do Povo, escritório de advocacia onde Ebru Timtik trabalhava. A advogada havia entrado em greve de fome exigindo um julgamento justo para o seu caso.

Junto com seu colega Aytaç Ünsal (que se encontra em seu 208° dia de greve de fome), ela havia iniciado uma greve de fome em abril, para "fortalecer sua demanda por um julgamento justo". Advogados e ativistas haviam declarado recentemente a Intenção de Ebru em "persistir na greve de fome, mesmo que isso levasse à sua morte". O veredito do seu caso é datado de março de 2019, mas em outubro o Tribunal de Apelação confirmou a sentença. O caso foi para a Suprema Corte, cuja decisão era esperada nas próximas semanas.


Ebru Timtik, advogada morta em greve de fome após prisão política do velho Estado turco. Fonte: Yeni Demokrasi

Logo após a morte de Timtik, familiares, ativistas e democratas já se encontravam às dezenas em frente ao hospital para evitar o sequestro do corpo por agentes do velho Estado turco, e gritavam palavras de ordem como Ebru Timtik é imortal!

Após isso, durante a madrugada do dia 28/07, por decisão do Ministério Público, seu corpo foi levado ao Instituto de Medicina Legal, e os manifestantes rumaram ao local para exigir o corpo da advogada para realizar a cerimônia do enterro.

O seu funeral deveria acontecer em frente à OAB de Instambul, mas foi levado por camburões blindados e a Polícia de Choque para o cemitério Gazi Mahallesi. Em protesto contra tentativa de sequestro do corpo e fazer com que só participassem da cerimônia de funeral a família de Ebru, a massa que havia passado a noite no Instituto de Medicina Legal se colocava na frente dos blindados e enfrentavam a polícia de choque, sendo reprimidos com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.

Enquanto isso, a polícia colocava barricadas e bloqueava a rua do cemitério com carros blindados, com as massas já chegando ao local. Os policiais dizem que não permitirão ninguém dentro do cemitério durante o enterro.

No evento que acontecia em sua homenagem em frente à sede da Ordem dos Advogados em Istambul, falas foram realizadas por colegas advogados democráticos e ativistas. A carta de seu colega preso,Aytaç Ünsal, foi lida e uma faixa com o rosto da advogada foi pendurada.

No cemitério de Gazi, sua família, companheiros e a revista revolucionária Partizan aguardavam o seu corpo. A cerimônia começou quando o caixão saíra do necrotério enrolado em um manto vermelho, carregado pelos seus companheiros advogados. Durante a cerimônia, são entoadas palavras de ordem como Heróis da Revolução são imortais! Foi tocada a música "Adeus" do Group Yorum, grupo de música popular e revolucionária em que dois membros morreram em greve de fome.

Batkın Timtik, seu irmão, que também está preso, não foi permitido comparecer ao enterro.

Uma multidão de advogados e democratas já se encontravam às portas do cemitério e bloqueando a rua, cantando a palavra de ordem Advogados revolucionários são a nossa honra! 

Após a cerimônia, seu corpo foi levado pela polícia até o cemitério para ser realizado o enterro, com a multidão protestando atrás, e sendo reprimida com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Nisso, o advogado Ali Haydar Dogan é detido.

Polícia tentou interromper o enterro no cemitério de Gazi e bloquear a entrada de pessoas duas vezes, mas fracassou e a massa entrou no cemitério.

Após o enterro, a polícia deteu indiscriminadamente as pessoas que saíam do cemitério, perseguindo-as pelas ruas laterais, sendo que alguns dos policiais puxaram armas de fogo e fizeram ameaças.

Na Praça Dersim Seyit Rıza, uma manifestação foi realizada por organizações de juventude para Ebru Timtik.


Companheiros advogados de Ebru carregam seu caixão. Fonte: Yeni Demokrasi

‘Eles mataram um advogado que lutou para defender seu povo que exigia justiça’

Aytaç Ünsal, que estava no 208º dia de sua greve de fome exigindo um julgamento justo, enviou uma carta à homenagem realizada em frente à Ordem dos Advogados de Istambul por sua companheira de luta, Ebru Timtik.

Na mensagem lida Ünsal chama-a de "Camarada da Justiça" e diz que "agora vamos resistir muito mais forte com sua raiva":

“Minha cara advogada, minha irmã, minha amiga, minha camarada da justiça ... Eles mataram você fora de vista. Eles mataram cegamente uma advogada que lutava para defender seu povo que queria justiça. Mas você nasce, agora no coração do povo. Você nasce no coração como um guerreiro do povo, um guerreiro da justiça. E você vai nascer de novo e de novo. Existe um exemplo no mundo, um exemplo de advogado que dá a vida pela justiça. Descanse, minha querida irmã. Agora vamos resistir muito mais forte com sua raiva. E nós vamos conseguir nossos direitos para você, nós vamos."


Homem enfrenta um blindado da polícia que reprimia a cerimônia de enterro da advogada democrática Ebru Timtik. Fonte: Yeni Demokrasi

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