MG: Destruição de lavouras no Quilombo Campo Grande prossegue em conluio com o latifúndio

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Após o covarde despejo do Quilombo Campo Grande ocorrido em meados de agosto, o reacionário governador de Minas Gerais, Romeu Zema promove arrasamento das terras em conluio com o latifúndio. 

Tratores seguiram avançando e destruindo ilegalmente áreas do Acampamento Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio, Minas Gerais. Segundo relatos e vídeos gravados por camponeses, o maquinário de maneira criminosa excedeu área determinada pela ordem de despejo executada no dia 14, que resultou na remoção violenta, e está arrasando hectares adjacentes. De acordo com a denúncia, moradores colocaram-se à frente dos tratores para impedir a ação. 

Conforme noticiado pelo AND, a reintegração cominada em 14 de agosto ocorreu em meio a pandemia, retirando famílias que viviam e produziam há mais de 20 anos no local. 

Além disso, nesta segunda (24), um acampado, conhecido como Pastor Otelino, foi a delegacia abrir um Boletim de Ocorrência para denunciar a ilegalidade da ação a mando de Jovane e foi detido de surpresa, sendo liberado nos dias seguintes.

Leia mais: Famílias camponesas do Quilombo Campo Grande são covardemente despejadas por policiais durante pandemia 

Famílias camponesas resistem ao violento despejo promovido pelo velho Estado em conluio com o latifúndio. Foto: Resistência Quilombo Campo Grande

Os interesses do latifúndio

O latifundiário João Faria da Silva segue sendo o principal beneficiado por essa ação, junto a Jovane Moreira de Souza, este último tido como mandante dos crimes recentemente cometidos contra os camponeses.

A área onde a usina Ariadnópolis Açúcar e Álcool S/A. operava corresponde somente a cerca de 363 hectares, sendo 4 mil a área total do quilombo. Porém, devido aos calotes e processos trabalhistas de Jovane (levando a usina à falência), a União tomou 300 hectares da antiga usina e os destinou à “reforma agrária” no final dos anos 90, ou seja, apenas aos 63 hectares restantes estavam passíveis de uma ordem judicial, porém a “justiça” e a PM avançam sobre todo o Acampamento.

Jovane busca reativar a usina para cumprir um acordo comercial com a empresa de João Faria, a Jodil Agropecuária e Participações LTDA. O latifundiário João é considerado um dos maiores produtores de café do país e o acordo envolveria o arrendamento dos 4 mil hectares totais que integram o acampamento para produção do grão, embora toda essa terra não pertença a Jovane.

As tramas dessa relação não param por aí. Segundo o site De Olho nos Ruralistas, João Faria possui dívida total calculada em absurdos R$ 1,8 bilhão. Em um processo tramitando em Campinas, estão envolvidos ao menos 358 credores, dentre este diversos funcionários buscando direitos trabalhistas. Com o latifundiário Jovane de Souza, a história não é diferente. Dada a falência da usina em 1996, este também ficou devendo cerca de R$ 1,2 milhão de multas trabalhistas, somado a mais R$ 1,5 milhão não pagos de FGTS.

A sanha imperialista

Ainda segundo o portal De Olho Nos Ruralistas, foi identificado que os principais compradores da produção de João Faria são os monopólios Nestlé e Jacobs Douwe Egberts, fato confirmado por ele em entrevistas. As duas empresas já foram denunciadas na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) por explorar trabalho com relações servis, também chamado de “escravo”. 

A ligação da empresa alemã com trabalho forçado não é de hoje. Foi revelado em 2019, que a Família Reimann, dona JBA Holdings que controla a JDE, lucrou e assentou suas bases durante o regime nazifascista na Alemanha. Durante o período, em suas fábricas trabalhadores sofreram violência, maus-tratos e eram obrigados a trabalhar forçadamente. Além disso, segundo historiadores a família fez doações a Schutzstaffel (SS), tropa de choque do regime nazifascista.

Camponeses prometeram retomada

Conforme já noticiado pelo AND, os camponeses afirmam: “São 22 anos de conflito e resistência no território, lidando com pistoleiros, a mando de Jovane de Souza Moreira, após enfrentar cinco despejos, em diferentes, áreas as famílias conhecem o caminho para retornar com mais força e conquistar a terra”.

As famílias do Quilombo Campo Grande ocupam o terreno desde 1998 e são produtoras de leite e café. Na última safra, as famílias produziram mais de 9 mil sacas de café, 60 mil sacas de milho e 500 toneladas de feijão. Além de uma diversificada produção de hortaliças, verduras, legumes, galinhas, gado e leite. 

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