75,7% das vítimas de assassinato no Brasil são negras

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Policial passa por corpo estirado no chão. Foto: Agência Reuters

Dados do Atlas de Violência 2020, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado no dia 27 de agosto, mostrou que 75,7% das pessoas vítimas de homicídio no Brasil são negras, o que representa uma taxa de 37,8 mortes por 100 mil habitantes.

Nos últimos cinco anos, 222.325 pessoas negras foram assassinadas no Brasil. Em dez anos, de 2008 a 2018, houve uma alta de 34,2% no total de homicídios de negros.

Os casos de assassinato de pessoas não-negras caiu 12,9% no mesmo período, nesses mesmos dez anos, 628 mil pessoas foram assassinadas no Brasil, sendo 91,8% dessas vítimas do sexo masculino.

"É como se falássemos de países diferentes, territórios diferentes", afirma Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Em quase todos os estados, exceto o Paraná, a taxa de homicídios de negros é maior do que a de não negros. O estado que apresentou a maior diferença foi Alagoas, onde a taxa de homicídios de negros é 17,2 vezes maior que a de não negros.

A pesquisa demonstrou que durante esse período, a morte violenta de negros teve alta significativa nas regiões Norte e Nordeste, de acordo com o aumento na taxa de homicídios: Acre (300,5%), Roraima (264,1%), Ceará (187,5%) e Rio Grande do Norte (175,2%). As menores altas no índice de mortalidade negra, em dez anos, foram no Distrito Federal (54,7%), São Paulo (47,3%) e Espírito Santo (39,2%). Os homicídios ocultos também ganham destaque no Atlas, listados como morte violenta com causa indeterminada (MVCI), esses homicídios registraram um aumento de 25,6%. Em São Paulo, aponta o estudo, a perda de qualidade das informações chega a ser “escandalosa”: em 2018, o Estado registrou 4.265 MVCI, das quais 549 pessoas foram vitimadas por armas de fogo, 168 por instrumentos cortantes e 1.428 por objetos contundentes.

“As mortes de negros puxam duas vertentes – primeiro que o negro sofre discriminação no trabalho e na diferença educacional, por exemplo, então é uma trajetória que o torna mais vulnerável à violência. Além disso, tem o racismo que mata, a ideia do negro perigoso, uma ideia que muitas vezes culmina no uso da força contra ele”, explicou Daniel Cerqueira, coordenador da pesquisa, durante a entrevista coletiva online.

Assassinato de mulheres negras tem taxa elevada em 12,4%

Em dez anos, os homicídios de mulheres negras aumentaram 12,4%, enquanto os assassinatos de mulheres não negras reduziram 11,7%.

Em 2018, 4.519 mulheres foram assassinadas no Brasil, entre negras e não negras, uma taxa de 4,3 homicídios para cada 100 mil habitantes do sexo feminino, o que indica que uma mulher foi assassinada a cada duas horas.

Foi registrado um aumento de 4,2% nos assassinatos de mulheres em todo o país. Em alguns estados, a taxa de homicídios em 2018 mais do que dobrou entre 2008 e 2018, como, por exemplo, no Ceará (278,6%), Roraima (186,8%) e Acre (126,6%). Já as maiores reduções foram no Espírito Santo (52,2%), São Paulo (36,3%) e Paraná (35,1%).

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