Limpeza étnica: Israel emitiu 650 ordens de demolição contra construções palestinas este ano

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Israel demolishes Palestinian homes near separation wall
Escavadeira do exército israelense destrói um prédio na vila palestina de Sur Baher, na Jerusalém Oriental ocupada pelo sionismo. Foto: Abed al-Hashlamoun / EPA

As forças da ocupação israelense ordenaram, no dia 31 de agosto, que Abdul-Salam e Odai Al-Razm, dois irmãos de etnia palestina, demolissem suas próprias casas no bairro de Beit Hanina, na cidade ocupada de Jerusalém, segundo a agência de notícias Arab48, que afirma que esses dois casos somam-se a outras 650 ordens de demolição emitidas por Israel contra construções de palestinos desde o início de 2020. 

Os dois irmãos contam que, se não obedecessem, seriam forçados a pagar taxas exorbitantes de valores hiperinflacionados para que os sionistas realizassem a demolição. Essa prática sádica é utilizada como praxe por Israel, que, para justificar a destruição de casas palestinas, alega que elas não teriam licença para a construção. 

Abdullah Siam, um líder popular palestino em Jerusalém, denuncia que pelo menos 18 mil casas de propriedade de palestinos na cidade estão sob ameaça de serem demolidas por Israel. Depois dos palestinos, o povo beduíno é o que mais sofre na mão dos sionistas com a destruição arbitrária de suas casas e infraestrutura, tática que abre caminho para que Israel avance na expansão de seus colonatos nos territórios ocupados.

Como colocado pelo Movimento pelos Direitos do Povo Palestino (MPPM), sediado em Portugal, esse processo insere-se “na estratégia de Israel de tornar insuportável a vida das comunidades palestinas, levando-as a abandonar as suas áreas de residência, abrindo assim caminho à sua ocupação”, ou seja, forçando-os a emigrar.

No contexto de um território que vive sob ocupação e onde o povo palestino já vivia e construía há séculos antes da chegada do sionismo, é evidente que as famílias palestinas não possuem autorizações formais segundo os mandos das forças coloniais. Além disso, as forças do sionismo dificultam de todas as formas que os palestinos consigam alvarás para construir nos territórios ocupados, forçando-os a construir “informalmente” (sob o ponto de vista dos colonos).

DEMOLIR PARA AVANÇAR COM O COLONIALISMO

Segundo dados do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários no Território Palestino Ocupado (OCHA-OPT), apenas no ano de 2020 foram destruídas 120 estruturas pertencentes a palestinos em Jerusalém Oriental, das quais 79 eram de caráter habitacional, o que levou ao deslocamento forçado de pelo menos 295 pessoas, e afetou outras 527. 

Considerando-se o território palestino em sua totalidade, os dados para o ano de 2020 são de 489 estruturas destruídas pelas forças israelenses e, como consequência, quase 650 pessoas deslocadas contra a sua vontade.

Desde o início de 2009 até o presente momento, foram demolidas 1.378 estruturas em Jerusalém Oriental, das quais 712 eram residências de palestinos, desalojando 2.541 pessoas e afetando outras 7.013.

Sobre essa questão, o MPPM também pontua que a justificativa de falta de alvarás para construção foi utilizada em cerca de 20% dos casos de demolição, ao passo que a razão principal, abarcando 66% dos casos, foi militar, ou seja, ocorreu em atos de guerra e para fins militares, de acordo com dados do Comitê Israelense Contra a Demolição de Casas (ICAHD). 

Além dessas duas principais justificativas, há ainda os casos em que a demolição de construções palestinas é ordenada por Israel como forma de punição de pessoas suspeitas de envolvimento com a Resistência Nacional palestina. Este terceiro cenário, além de abranger pessoas que não foram condenadas ainda pelo judiciário colonial sionista, abarca ainda os familiares dos suspeitos, que também ficam sujeitas a terem suas casas demolidas em retaliação.

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