USA: Rebelião de massas em Portland completa 100 dias

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Manifestantes marcham com escudos e outros equipamentos para enfrentar a repressão policial. Foto: Nathan Howard/Getty Images

A cidade de Portland (Oregon), no Estados Unidos (USA), chegou ao 100º dia de protesto consecutivo, protestos que contaram com elevada combatividade e enfrentamento às forças repressivas do Estado reacionário imperialista ianque, que chegou a enviar agentes federais para reprimir os protestos, utilizando-se até mesmo de sequestros – covardia que não parou as manifestações, em verdade, as tornou mais combativas. Os protestos começaram na cidade sob o contexto do levantamento de massas que tomou o país ianque, desatada com a morte do homem preto George Floyd ao final de maio.

No dia 5 de setembro, no 100º dia de protesto na cidade, vigílias foram feitas em homenagem a Michael Forest, morto por um agente do FBI durante sua prisão no estado de Washington, no dia 03/09. Forrest era suspeito de ter assassinado um fascista apoiador do ultrarreacionário Donald Trump em uma manifestação cinco dias antes.

O dia também contou com um protesto, tendo uma marcha durante a noite do dia 5, que se estendeu até a madrugada do dia 06/09. Os manifestantes iniciaram a marcha no parque Ventura, após discursos e eventos, indo em direção ao Centro de Polícia Comunitária do Leste de Portland, que já se encontrava com o caminho bloqueado pela polícia. Os manifestantes, sabendo da brutalidade dos agentes da repressão, estavam com equipamentos de proteção, como máscaras, escudos e armadura corporal.

A polícia reacionária ianque usou como desculpa os equipamentos usados pelos manifestantes como base para reprimi-los, “Ficou claro que a intenção da multidão não era um protesto pacífico”, afirmou a polícia em uma declaração, porém escondeu a repressão selvagem que obriga os manifestantes a se prepararem para a autodefesa. Declarando a manifestação um “tumulto” (o que permite repressão desvairada), os reacionários lançaram gás lacrimogêneo e balas de borracha. O povo, por sua vez, respondeu à agressão do Estado reacionário com pedras, fogos de artifício e coquetéis molotov, sendo que 59 manifestantes foram detidos.

Durante a noite, a polícia reuniu vários manifestantes, um de cada vez para a prisão, criando a visão de várias pessoas com as mãos algemadas para trás, sentadas em uma calçada, esperando o transporte para a cadeia do condado. 

Manifestantes atiram fogos de artifício contra a polícia nos 100° dia de protestos em Portland. Foto: AP Photo/Noah Berger

No dia 09/09, a cidade prosseguiu com seus protestos combativos. Se reunindo num mercado de Portland, na ­Naito Parkway, durante a noite, os manifestantes marcharam até aos Escritórios do Departamento de Polícia de Trânsito. Os manifestantes bloquearam linhas de trem, assim como avenidas da cidade. Quando a polícia ameaçou os manifestantes com gás lacrimogêneo e balas de borracha, caso não se retirassem dos trilhos e das avenidas, os manifestantes responderam a polícia com ovos e garrafas, resultando em 11 presos.

Naquele dia, também, o FBI disse que um trio de manifestantes fora indiciado com acusações federais de desordem civil - dois por agredir a polícia e o terceiro por direcionar um laser no rosto de vários policiais, informou o jornal Epoch Times

William Grant Reuland, de 24 anos, era um da multidão de manifestantes que realizara um protesto no Centro de Justiça no dia 13 de junho, quando ele alegadamente mirou lasers [1] nos olhos do ‘Agente 1’ e outros três, de acordo com uma declaração juramentada do FBI. 

"O agente 1 foi capaz de se mover para um andar inferior e usar uma câmera para tirar fotografias da Reuland", disse o depoimento juramentado. "Enquanto tirava as fotografias, o agente 1 testemunhou novamente Reuland e o outro indivíduo apontando lasers verdes em direção aos outros agentes no telhado".

Também foram indiciados pelos federais Alexandra Eutin, de 24 e Pedro Aldo Ramos 20 anos de idade.

Eutin é acusado de ter agredido um policial de Portland com um escudo de madeira durante um protesto em 16 de julho fora de uma delegacia de polícia da cidade - alegadamente atingindo o policial na cabeça enquanto ele tentava prender e dispersar os manifestantes, informou o relatório. 

Ramos é acusado de dar um soco na cara de uma policial depois de tentar tirá-la de uma manifestante que estava sendo presa, disse o Epoch Times.

Em 30 agosto, manifestantes carregam uma fixa com uma citação de Fred Hampton, membro do Partido dos Panteras Negras em que consta Paz para você... se você estiver disposto a lutar por isso!, e marcham em direção à delegacia leste da polícia de Portland, Oregon. Foto: Nathan Howard/Getty Images.

FBI avançou contra Michael Forest com a intenção de matar

De acordo com Nate Dinguss, testemunha do assassinato pelo FBI, Michael Forest Reinoehl estava com um celular e comendo balinhas de goma enquanto caminhava para seu carro fora de um complexo de apartamentos em Lacey, Washington. Foi quando os agentes abriram fogo sem antes se anunciarem ou tentarem prendê-lo, disse Dinguss, um jovem de 39 anos que vive no complexo de apartamentos, em declaração compartilhada com o monopólio de imprensa The Washington Post.

O relato de Dinguss sobre o assassinato de 3 de setembro, contradiz detalhes oferecidos pelos agentes federais, que disseram que Reinoehl puxou uma arma quando membros de uma força-tarefa tentaram prendê-lo. Dinguss disse que nunca viu o Reinoehl sacar uma arma.

Em entrevista à Vice News, no dia do assassinato do apoiador fascista de Trump,  Reinoehl disse que o tiroteio fora autodefesa e disse que Danielson, membro do grupo de extrema-direita Patriot Prayer, estava ameaçando a ele e a um amigo.

Como políticos ianques, incluindo Trump, exigiram que o Reinoehl fosse rapidamente preso, agentes da Força Tarefa de Criminosos Violentos do Noroeste do Pacífico o seguiram até Lacey, cerca de 193 km ao norte de Portland.

Poucos minutos antes do anúncio da morte de Reinoehl, o ultrarreacionário  Donald Trump tweetou uma exigência de que a polícia tomasse medidas para o prender: "Faça seu trabalho, e faça-o rapidamente". Todo mundo sabe quem é este bandido", declarou Trump.

Outra declaração que demonstra a intenção assassina do Estado Ianque veio do Procurador Geral William Barr, que disse em um comunicado de imprensa publicado no site do Departamento de Justiça que o assassinato de um "membro declarado do Antifa" foi "uma realização significativa no esforço contínuo de restaurar a lei e a ordem".

O assassinato de Reinoehl contrasta fortemente com o tratamento de Kyle Rittenhouse, membro da milícia de extrema-direita e defensor do Trump, de 17 anos, que atirou e matou dois manifestantes e feriu um terceiro em Kenosha, Wisconsin, em 25 de agosto. Rittenhouse, armado com uma arma semi-automática, cometeu o crime em frente a diversos policiais e veículos das forças de repressão, e ainda foi autorizado a cruzar os cordões policiais e voltar para sua casa em Antioch, Illinois, antes de ser preso sob a acusação de assassinato pela polícia local. Ele está atualmente preso em um centro de detenção juvenil em Illinois, aguardando extradição para Wisconsin.

Personalidades reacionárias ianques, incluindo comentaristas do monopólio de imprensa Fox News, declararam Rittenhouse um “herói”. Eles arrecadaram mais de 1 milhão de dólares para sua defesa legal. O congressista republicano Thomas Massie saudou sua "incrível contenção", enquanto o presidente Trump argumentou que ele havia agido em autodefesa.

Policiais passam por uma barricada em chamas no dia 5 de setembro, 100 dias após a morte de George Floyd. Foto: AP Photo/Noah Berger.

Notas:

[1] Lasers são utilizados pelos manifestantes para distrair ou cegar agentes de repressão temporariamente. Isso pode ser feito para perturbar a visão das autoridades sobre as pessoas à sua frente (por exemplo, aqueles que seguram os lasers) ou pode ser utilizado como um desvio para chamar a atenção dos agentes de outra área do protesto. Também podem ser utilizados visando os sensores das câmeras para cegar temporariamente, ou desativar permanentemente as câmeras. Isto foi feito nos protestos de agosto de 2019 em Hong Kong para tentar desligar os sistemas de reconhecimento facial.

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