Palestinos protestam contra a 'normalização' de relações entre países árabes e Israel

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Bandeiras palestinas são empunhadas em manifestação em Ramallah, na Cisjordânia, contra o acordo dos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Israel. Foto: Hamza Shalash

Centenas de palestinos foram às ruas em diversas cidades para protestar contra os acordos firmados entre Israel e os Emirados Árabes Unidos (EAU) e o reino do Bahrein, de “normalização” das suas relações, feitos com a “mediação” do imperialismo ianque (Estados Unidos, USA). Os palestinos referem-se à decisão dos países do Golfo como uma facada nas suas costas e uma manobra para forçar a Palestina a retroceder na defesa dos seus direitos.

Na cidade ocupada de Ramallah, na Cisjordânia, ocorreu o maior protesto, em que as massas revoltadas rechaçaram os acordos e afirmaram seu apoio à causa palestina por libertação e pelo fim da ocupação colonial imposta pelo sionismo de Israel. Além de bandeiras palestinas, os manifestantes presentes também carregavam faixas com os dizeres Não à normalização  da ocupação!

De acordo com a agência de notícias palestina Wafa, também houve protestos em outras importantes cidades da Cisjordânia, como Nablus, Jenin, Tulkarm e Hebron, assim como na Faixa de Gaza, no dia 12. Nelas, os manifestantes levaram em massa bandeiras da Palestina, assim como cartazes que traziam denúncias contra os acordos. 

Um fator presente em todas as manifestações foi o rechaço ao monarca dos EAU, Mohammed bin Zayid Al Nahyan, que encabeçou o processo de normalização das relações com Israel. Palavras de ordem como Eles venderam Jerusalém pelo dólar! e Bin Zayid traidor! foram amplamente entoadas.

Uma série de atividades de protestos contrários ao acordo também foi realizada ao redor do globo, como por exemplo em frente à Casa Branca, residência do presidente do USA, Donald Trump.

A FARSA POR TRÁS DO ACORDO

Apesar do acordo ter sido tratado como um "acordo de paz" pelo USA, o Bahrein e Israel já possuíam relações, tanto comerciais como diplomáticas, e nunca estiveram em guerra, mesmo durante as diversas expansões territoriais de Israel sobre territórios de países árabes. Mesmo assim, foi o suficiente para que o cabeça do imperialismo ianque, Donald Trump, recebesse uma indicação para o "prêmio Nobel da Paz" e aparecesse no monopólio de imprensa como um diplomata.

Na realidade, muito longe de um acordo de "paz", a normalização das relações abriu caminho para que o imperialismo ianque possa vender e fornecer ainda mais armamentos e infraestrutura militar e financeira para os países da região do Golfo. Os EAU, por exemplo, puderam comprar armas de alta tecnologia, como os aviões de combate F-35, drones e jatos do imperialismo ianque imediatamente após concluírem o acordo com Israel. O Bahrein agora procura seguir no mesmo curso e se beneficiar dos sistemas de defesa aérea produzidos no USA, e também de garantir uma cerca tutela diplomática dos ianques.

Paralelamente, Israel, que era até agora praticamente o único país a receber benesses do imperialismo ianque na região por agir como seu lacaio, sentiu-se prejudicado, mas foi rapidamente tranquilizado. Isso se deu no dia 24 de agosto, quando o secretário de Estado ianque, Mike Pompeo,  afirmou, após reunião com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que "o USA tem uma exigência legal com respeito à vantagem militar [de Israel]. Continuaremos a honrar isso". Ou seja, garantiu que Israel manteria sua superioridade armamentista em relação ao resto do Oriente Médio. 

Nesse mesmo dia, Pompeo disse também que Washington forneceu apoio militar aos Emirados Árabes Unidos por mais de 20 anos, medidas descritas por ele como "necessárias para evitar ameaças comuns do Irã", rival em comum de Israel e da maioria dos países do Golfo, de forma a expor os verdadeiros motivos por detrás do acordo. "Estamos determinados a usar todas as ferramentas de que dispomos para garantir que eles [o Irã] não tenham acesso a sistemas de armas de última geração", disse Pompeo na ocasião. 

Enquanto o Bahrein e os EAU afirmam estabelecer relações com Israel em nome dos palestinos, não houve uma única concessão duradoura e significativa para melhorar a situação dos mesmos, sequer para aliviar o cerco à Faixa de Gaza, que já dura 13 anos e impõe milhares de palestinos a viver na miséria, sem liberdade de locomoção - até mesmo para acessar o resto do território palestino, a Cisjordânia -, em uma verdadeira prisão a céu aberto. 

Palestinos queimam fotos do presidente ianque Donald Trump, do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e do rei do Bahrein, Hamad bin Isa Al Khalifa, durante um protesto na Faixa de Gaza. Foto: Ibraheem Abu Mustafa / Reuters

Uma faixa com os dizeres "Acordo de normalização do Bahrein" em árabe, junto da bandeira de Israel, é queimada. Foto: Al Quds / Reprodução Redes Sociais

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