Colômbia: Povo destrói estátuas reacionárias em meio à rebelião

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Estátua do colonizador espanhol Sebastián de Belalcázar derrubada na cidade de Popayán, Colômbia. Foto: Divulgação/ Twitter.

Em meio ao levantamento do povo colombiano após a tortura até a morte de um pai de família, duas estátuas reacionárias foram destruídas pelas massas em rebelião. No dia 16 de setembro, indígenas do povo Misak derrubaram a estátua do colonizador e genocida espanhol Sebastián de Belalcazar, em Popayán e, no dia 14, uma escultura em homenagem ao Exército reacionário por seus “200 anos de serviço ao país” fora derrubada pela juventude revolucionária em Medellín.

A estátua de Sebastián de Belalcázar no morro de Tulcán foi derrubada durante uma noite de protesto do povos indígenas da etnia Misak, que sofreram com a colonização e genocídio espanhol na América Latina. A reivindicação de que fosse retirada a estátua do escravizador já era antiga.

Em uma declaração, o Movimento das Autoridades Indígenas do Sudoeste da Colômbia afirma que Belalcázar foi submetido a um julgamento histórico e está condenado por genocídio, desaparecimento físico dos povos que faziam parte da Confederação Pubenence, tortura por técnicas de empalação e ataques com cães assassinos aos povos em guerra Misak Pubenences e os assassinatos de Taita Payan, Taita Calamba e Taita Yasguen.

No comunicado, eles declaram que "este julgamento é parte de um compromisso que eles têm com a memória coletiva de seu sangue". 

"Declaramos que a estátua erguida desde os anos 30, quando Popayán comemorou 400 anos da derrota de nossos povos indígenas pela genocida bota espanhola, é parte da violência simbólica que nos oprimiu e nos colocou em um lugar de esquecimento”, afirmou o movimento.

Já no dia 14 de setembro, uma nova marcha foi realizada no centro da cidade e, de acordo com o jornal de imprensa popular e democrática colombiano El Comunero, os manifestantes 

começaram a se reunir no Parque de las Luces por volta das 17h e, como de costume, os jovens começaram a pintar cartazes com frases alusivas à luta do povo, contra a repressão policial, pelos direitos do povo, etc. 

Ainda durante o ato, o Movimento Estudantil a Serviço do Povo (MESP), leu um folheto denunciando as acusações feitas pelo ex-prefeito de Medellín, Federico Gutierrez, através da revista Semana, contra esta organização e contra a União dos Estudantes do Povo (UEP), alegando falsamente que eram organizações clandestinas da ideologia maoísta, e insinuando que foram infiltradas pelo Exército de Libertação Nacional (ELN) e pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que estariam por trás das ações combativas durante as mobilizações no país. 

O ex-prefeito também exige que a polícia preste atenção a essas organizações e aja contra elas em breve. Diante disso, em suas palavras, os estudantes indicaram que esta é uma “tentativa do Estado de deslegitimar os grandes protestos, isolar as organizações revolucionárias do povo e assustar a juventude militante”, mas que eles “manterão suas bandeiras vermelhas erguidas, porque lutar não é crime e rebelar-se é justo, e continuarão lutando ao lado do povo por seus direitos”.

Depois da denúncia, iniciou-se o protesto, que contou com a derrubada e destruição da escultura em homenagem ao exército reacionário por seus supostos “200 anos de serviço ao país”, mas que durante vários anos as massas realizaram várias sabotagens contra a escultura, manchando-a com tinta em várias ocasiões e forçando o velho Estado a designar forças militares e policiais para cuidar da escultura. Mas naquele 14 de setembro, devido às fortes revoltas do povo nos últimos dias, a polícia e as forças do exército estavam ocupadas protegendo os principais locais, e os jovens conseguiram pôr um fim à escultura reacionária: eles destruíram a parte do soldado da escultura e colocaram uma bandeira vermelha na parte do camponês, tudo isso pode ser visto no vídeo a seguir:

De acordo com o El Comunero, tal escultura nunca conseguiu conquistar o respeito ou o afeto do povo, pois representa uma instituição que longe de servir ao país, é servil ao imperialismo, à grande burguesia e aos grandes proprietários de terras para saquear, explorar e oprimir o seu povo. 

O jornal afirma que a estátua representava uma instituição que está envolvida em milhares de crimes contra o povo, como as “centenas de massacres de camponeses, realizados durante décadas, em aliança com exércitos paramilitares para roubar as terras de milhões de camponeses; como os falsos positivos, que foram milhares de jovens filhos e filhas do povo, sequestrados e mortos pelo Exército para depois serem apresentados como guerrilheiros e receberem [os soldados] dias de folga, recompensas e inflar resultados; como os milhares de estupros e abusos sexuais contra as mulheres do povo; como o assassinato e a forte repressão dos camponeses que lutam contra a restituição forçada das plantações de coca [a folha]; ou como a perseguição de jornalistas que fazem meras denúncias contra o Exército; etc. Em todos eles, e em muitos outros crimes de uma longa lista, cometidos pelo exército, é demonstrado seu caráter reacionário, servindo aos mais ricos do país e ao imperialismo por mais de 200 anos, e derramando impiedosamente o sangue do povo colombiano, apontando e disparando seus rifles contra camponeses, trabalhadores, mulheres, estudantes, jovens das favelas e o povo em geral”. 

Ele acrescenta, ainda, que a escultura é composta de duas partes, uma de um camponês e a outra de um soldado, o que foi bastante questionado porque ele aponta seu rifle diretamente para o Museu Casa da Memória, que fica a poucos passos de distância, um lugar que vindica, do ponto de vista institucional e acadêmico, a memória das vítimas do conflito armado, muitas delas vítimas do exército reacionário.

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