Colômbia: Ex-prefeito criminaliza movimento estudantil revolucionário

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Reproduzimos a seguir nota do El Comunero, jornal da imprensa popular e democrática colombiana, sobre a criminalização de movimentos estudantis e de juventude revolucionários na cidade de Medellín pelo ex-prefeito.

Militantes do Movimento de Estudantes a Serviço do Povo (Mesp) comemoram o 1° de maio

Ex-prefeito criminaliza MESP, UEP e protesto combativo

Em 10 de setembro, Federico Gutiérrez, ex-prefeito da cidade de Medellín, no meio de um debate para a revista Semana, fez várias acusações contra o Movimento de Estudantes a Serviço do Povo (Mesp), e contra a União dos Estudantes do Povo (UEP). Estas acusações foram posteriormente compartilhadas no Twitter pelo ex-presidente e genocida Álvaro Uribe Vélez.

Em seu discurso, Gutiérrez disse: "você vê ali algumas bandeiras, uma em vermelho com amarelo, que é uma bandeira alusiva ao que é chamado de Mesp, que é o 'movimento estudantil a serviço do povo', que é um coletivo político das organizações estudantis clandestinas. A outra bandeira, que é vermelha com preto, simboliza uma organização chamada UEP, que é a 'união estudantil do povo', outro coletivo estudantil orientado para uma ideologia maoísta, que também é difundida na Colômbia com base no anti-imperialismo e na repressão. E aqui também há uma série de elementos em como algumas dessas organizações terroristas, como as FARC, como o ELN, conseguiram se infiltrar em muitos desses grupos e movimentos, que fazem parte de toda a inteligência que foi coletada nos últimos anos. O que quero dizer com isso? Que aqui há movimentos organizados que se infiltraram nestas marchas, muitas marchas pacíficas como as do ano passado [...] e aproveitam qualquer centelha para pôr um fim a tudo. [...] Aqui também há um tema organizado, por parte de algumas pessoas, alguns movimentos, que sempre quiseram desestabilizar o país, e que a única coisa que eles querem é vê-lo em chamas, [um movimento] que tem que ser rejeitado, e nisso [na “rejeição do movimento”] a polícia têm que agir rapidamente".

A seguir, um trecho do vídeo com a intervenção completa de Gutierrez. Extraído da página do Facebook da Semana Magazine:




Álvaro Uribe é ex-presidente da Colômbia e compartilhou na sua conta de Twitter as acusações do ex-prefeito de Medellín sobre os movimentos revolucionários

Diante dessas acusações, os jovens do Mesp se manifestaram publicamente contra o prefeito reacionário. Em seu comunicado, eles afirmam que isto é parte de uma tentativa das classes dominantes de estigmatizar e criminalizar o protesto do povo, atacando diretamente as organizações que estiveram lá para apresentar a justa luta combativa do povo, "uma velha tática que o Estado tem usado para fazer com que as organizações que defendem os direitos do povo, e que ousam lutar, pareçam terroristas, atacando aqueles que nelas participam”.

Eles também colocam que diante do medo das classes dominantes, devido à revolta popular esmagadora dos últimos dias, [as classes dominantes] tentam simplificar as causas da revolta, afirmando que os protestos violentos são devidos à infiltração de grupos que eles chamam de terroristas, negando totalmente as causas estruturais que causam o grande descontentamento das massas: como a forte opressão do povo pela polícia, desemprego, fome, saque dos bancos, falta de saúde, assassinatos e massacres dos combatentes do povo, etc. 

Diante disso, os estudantes do Mesp, em seu comunicado, reafirmam seu caminho de luta, compreendendo claramente a intenção do Estado e da mídia por trás dessas acusações, como explicam abaixo: 

"Eles querem fazer os jovens organizados e combativos, que lutam por um país diferente, parecerem vândalos". É uma tentativa de separar nossa organização do corpo estudantil e do povo, tentando desviar a atenção e negar as causas da grande revolta da juventude militante e popular, procurando culpados, divulgando seu discurso de vandalismo através da mídia e criminalizando as organizações estudantis. Eles tentam gerar terror, eles apontam para nós por carregarmos nossas bandeiras vermelhas bem alto. Diante deste ataque do Estado contra nossa organização, dizemos que continuaremos a levantar nossas bandeiras, não temos medo, não somos terroristas, não somos vândalos: somos jovens em rebelião! Lutar não é crime! Rebelar é justo"!

Finalmente, em seu comunicado, explicam de forma sintética sua política e caráter revolucionário, esclarecendo que não estão infiltrados pelas FARC ou pelo ELN, e que durante anos participaram abertamente do movimento estudantil e popular da cidade.

"Queremos esclarecer que não somos uma organização clandestina nem estamos infiltrados pelas FARC ou pelo ELN. Somos um movimento revolucionário que tem sido parte ativa do movimento estudantil e popular por vários anos. Eles nos viram em mobilizações, reuniões, assembleias, espaços de treinamento, nos bairros, promovendo a construção do movimento estudantil e apoiando as diferentes lutas do povo. Promovemos a organização do povo porque acreditamos que o povo constrói tudo e, portanto, merece tudo, mas é explorado e oprimido por uma minoria, por grandes burgueses e latifundiários que enriquecem à esquerda e à direita à custa de seu suor e sangue, como ficou ainda mais evidente com a crise atual. Como estudantes a serviço do povo, lutamos dia a dia para que esta situação seja transformada, por isso estamos promovendo o povo a se organizar para a revolução de diferentes setores independentemente de todos os partidos eleitorais que só enganam e usam as lutas do povo em seu próprio benefício, assumindo a liderança nas mobilizações e lutas do povo; de forma combativa, porque todos os direitos que temos hoje foram conquistados e tirados em meio à luta, indo além do que as classes dirigentes com suas leis nos permitem".

Você pode ler o comunicado completo do Mesp aqui.

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