AP: Mulher negra é covardemente agredida com soco no rosto por policial militar em Macapá

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Policiais militares agrediram  covardemente Eliana, enquanto ela filmava a abordagem a seus parentes. Foto: Reprodução

A pedagoga Eliana da silva de 39 anos, viveu momentos de terror no dia 18 de setembro, em uma região chamada Loteamento São José, na Zona Norte de Macapá, capital do estado do Amapá, quando foi covardemente agredida por um policial militar. De acordo com Eliane, a abordagem iniciou-se quando ela estava dentro do carro de um amigo da família, na frente de casa. No veículo estavam ela, o marido, dois amigos, um adolescente de 15 anos, e uma sobrinha de 4 anos.

Em entrevista a um jornal local a pedagoga descreveu que três policiais militares iniciaram a revista nos homens. Enquanto mandaram ela ir para o outro lado da rua, um dos policiais tentou retirar o aparelho celular de suas mãos e lhe passou uma rasteira. Eliane resistiu, mas segundos depois, foi jogada ao chão. Com a mulher caída, o policial militar deu um soco em seu rosto e ela começou a gritar. Depois de sofrer a injusta agressão, Eliane foi levada à delegacia, presa por resistência e desacato, e solta após pagar fiança de R$ 800,00 reais.

Eliana afirmou também que "A abordagem inicial foi me engasgar, me deu rasteira e me 'murrou', eu não tive reação, eu apanhei, só fiz gritar para a população ver o policial me agredindo desnecessariamente. Em nenhum momento houve desacato, em momento algum eu o agredi verbalmente, ele que já veio me agredindo fisicamente".

O marido dela, Thiago da Silva, também foi detido pelas mesmas acusações. Eliane afirmou que antes de ser preso, ele também questionou a abordagem; em seguida um dos policiais teria mandado ele calar a boca, o chamado de "vagabundo", e dado um soco nele.

"A polícia já abordou a gente apontando as armas para o carro. Abordou todo mudo menos eu; um deles deu um soco no estômago do meu marido. Eu falei para a equipe liberar o adolescente porque ele é do interior, e estava sob minha responsabilidade. Eu atravessei, fiquei na calçada de casa. Só um deles me agrediu", comentou Eliane.

“Para mim isso foi uma tortura, mexeu muito com meu psicológico, eu fui chamada de preta, fui chamada de vagabunda por eles na delegacia. Eu me senti ofendida e para mim foi um preconceito muito grande, porque éramos os únicos negros ali", disse Eliane.

"O correto era todo mundo ser ouvido. Por que eu vou pagar fiança por um crime que eu não cometi? Por que o policial me agrediu se eu não ofendi ele e estava apenas fazendo um vídeo? ”, completou.

Eliana mostra as marcas da brutal agressão dos militares. Foto: Eliane Silva/Arquivo Pessoal

A abordagem também foi filmada por moradores da zona norte da capital do Amapá. A ação gerou críticas de movimentos sociais, que marcaram um ato para o dia 22/09 em frente ao batalhão da Polícia Militar.

A taxa de homicídios de negros no país saltou 11,5% de 2008 a 2018 (de 34 para 37,8 por 100 mil habitantes), enquanto a morte de não negros caiu 12,9% no mesmo período (de 15,9 para 13,9 por 100 mil), de acordo com o Atlas da Violência 2020.

O mesmo padrão é repetido entre as mulheres: o assassinato de negras cresceu, em relação ao de brancas. O estudo foi elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde.

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