Agente ianque viaja pela América Latina e se encontra com lacaios e imigrantes venezuelanos no Brasil

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O Secretário de Estado do USA, Mike Pompeo, e o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araujo, em entrevista coletiva em Boa Vista, Roraima, 18/09/2020. Foto: Ministério das Relações Exteriores do Brasil

Entre os dias 17 e 20 de setembro, o Secretário de Estado do imperialismo ianque (Estados Unidos, USA), Mike Pompeo, realizou uma “turnê” por países da América Latina que incluiu, além do Brasil, a Colômbia, Suriname e a Guiana, onde ele se encontrou com os principais lacaios do USA na região. De acordo com a nota do Departamento de Estado, a viagem buscava reforçar o suposto compromisso do USA em “defender a democracia”, enquanto “fortalece a segurança contra ameaças regionais”, referindo-se explicitamente ao governo de Nicolás Maduro na Venezuela.

Dos quatro países selecionados para a visita de Pompeo, três deles são vizinhos fronteiriços da Venezuela. A menos de 50 dias da farsa eleitoral no USA, a viagem de Pompeo foi interpretada como uma jogada provocadora da campanha do arquirreacionário Donald Trump, que busca sua reeleição, e uma demonstração imperialista de poder no quintal do USA: a América do Sul. 

Leia mais: Levantes populares, crise e pugnas: USA militarizará mais a América Latina 

No Brasil, o Secretário de Estado ianque se encontrou com o Ministro das Relações Exteriores brasileiro, Ernesto Araújo, de extrema-direita. Juntos, eles foram a um centro de triagem de refugiados da Operação “Acolhida”, das Forças Armadas reacionárias, em Boa Vista, capital do estado de Roraima. Lá, se encontraram com imigrantes venezuelanos que se encontram em situação precária. 

Durante uma entrevista coletiva, Pompeo e Araújo anunciaram que o Brasil e o USA se manterão alinhados em sua estratégia de apoiar o autodeclarado “presidente” venezuelano, Juan Guaidó, fantoche do imperialismo ianque. 

Em meio ao seu discurso em Boa Vista, o agente do USA voltou a se referir a Maduro como um “traficante de drogas”, parte da narrativa que tem sido construída pelo imperialismo ianque de que a Venezuela seria a cabeça de um esquema de “narcoterrorismo”, que busca criar um caldo de cultura contra o governo venezuelano. 

Pompeo ainda afirmou que a intervenção do USA na região visa a “assegurar que a Venezuela tenha uma democracia” e que os ianques querem apenas “representar as pessoas” no país sul-americano.

Esse encontro em Roraima foi entendido por muitos como um desrespeito à soberania brasileira e uma demonstração de subserviência do governo brasileiro para com o USA. Chegou ao ponto de todos os ex-chanceleres brasileiros ainda vivos promoverem um debate no dia 21/09, em que criticaram a política externa do Brasil sob o governo de Jair Bolsonaro por sua vassalagem para com a superpotência hegemônica que é o USA. 

Duas semanas antes do ocorrido, o governo brasileiro havia classificado os diplomatas venezuelanos no Brasil como personae non gratae, porém não chegou a expulsá-los do país. 

Além disso, a viagem de Pompeo também foi considerada como uma continuidade às afrontas elaboradas pelos ianques à Venezuela, que sofreu duas tentativas de invasão subsequentes em maio de 2020, das quais participaram mercenários estadunidenses e colombianos liderados por um ex-militar ianque. 

No decorrer de sua visita, Mike Pompeo anunciou um investimento de 348 milhões de dólares de “ajuda internacional” aos venezuelanos, elevando para 1,2 bilhão de dólares a cifra total aplicada pelo USA em razão da questão venezuelana, desde o ano de 2017.

USA APROFUNDA SUA INTERVENÇÃO NA AMÉRICA LATINA

A ida de Pompeo à Colômbia se deu de forma similar ao exemplo brasileiro, dado que seu governo atual também é caracterizado pela subserviência ao imperialismo ianque, servindo como seu capacho. Após reunir-se com o presidente colombiano Ivan Duque, Pompeo fez uma promessa de estreitar laços com o país e de aprimorar os investimentos do USA no setor privado da economia do país.

Além disso, Pompeo elogiou a postura dura com que a Colômbia trata o governo de Maduro no país vizinho, afirmando que o apoio da Colômbia a Juan Guaidó e a “transição democrática para uma Venezuela soberana livre da influência maligna de Cuba, da Rússia, do Irã, são incrivelmente valorizados".

Como colocado pelo AND em abril deste ano, a preocupação central do imperialismo ianque não é, como pode parecer superficialmente, o fator Maduro e a Venezuela, mas sim, o perigo de conjuração de uma revolução no continente sul-americano, em especial no Brasil. Na realidade, Maduro acabou se tornando um fator justificador para o aumento da militarização em toda a região pelos ianques, que vêm expadindo sua presença tanto politicamente, quanto fisicamente, com novas instalações militares e envio de tropas e infraestrutura. 

Essa situação foi preconizada ainda em março, quando Craig Faller, o chefe do Comando Sul do USA, responsável por todas as operações militares do imperialismo ianque no continente, encontrou-se com Bolsonaro e declarou que aprofundaria sua presença na região, tendo como pano de fundo para tal "o aumento explosivo da insatisfação das massas populares no continente sul-americano, somada com a necessidade dos grandes capitalistas de impor maiores ataques a seus direitos para sair da profunda crise geral de decomposição e a atual crise de superprodução – situação que gerará fome, miséria, repressão, levantamentos populares violentíssimos e grande possibilidade de início de revoluções".

General Manoel de Barros, comandante da Força-Tarefa de Logística Humanitária e coordenador operacional da Operação "Acolhida" e o governador de Roraima, Antonio Denarium, recebem o secretário de Estado ianque e Ernesto Araujo no Posto de Identificação e Triagem da Operação (PITRIG) em Boa Vista, 18/09/2020. Foto: Bruno Mancinelle / IOM / Pool 

Antonio Denarium, governador de Roraima, recebe Mike Pompeo em Boa Vista, 18/09/2020. Foto: Bruno Mancinelle / IOM / Pool 

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