USA: Protestos continuam e Nova York, Portland e Seattle são consideradas 'jurisdições anarquistas'

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Manifestantes protestam contra o velho sistema de opressão e exploração em Portland, Oregon. Foto: Randy Colas/ Unsplash

No dia 21 de setembro o presidente ultrarreacionário do Estados Unidos (USA), Donald Trump, declarou Nova Iorque, Portland, Oregon e Seattle como "jurisdições anarquistas" e ordenou uma revisão do financiamento federal para os locais que tiveram grande combatividade das massas que não pararam de se rebelar desde o início dos levantamentos de maio no país.

O Departamento de Justiça divulgou a lista de cidades que considerou "jurisdições anarquistas" sob as instruções de Trump este mês para rever os fundos federais para os governos locais. Esse memorando instruiu o Procurador Geral William Barr, em consulta com o Diretor do Escritório de Administração e Orçamento Russ Vought e o Secretário de Segurança Nacional em exercício Chad Wolf, a identificar jurisdições "que permitiram que a violência e a destruição de propriedade persistissem e se recusaram a tomar medidas razoáveis para combater essas atividades criminosas (jurisdições anarquistas)". 

Tal medida é parte da pugna entre as facções da burguesia imperialista ianque, especialmente entre aquele setor mais ligado ao Republicanos e a Trump contra os Democratas, que tentam surfar na luta dos trabalhadores negros contra o genocídio para desgastar a imagem de Trump e ganhar força eleitoral.  

O Departamento de Justiça disse que ainda estava trabalhando para identificar outras jurisdições que atendessem aos critérios delineados no memorando de Trump.

Quatro meses de rebelião das massas

No dia 25 de setembro completou-se quatro meses desde que a rebelião do povo estadunidense contra a velha ordem de opressão e exploração começou, motivada pelo brutal assassinato do trabalhador preto George Floyd.

Em Rochester, estado de Nova Iorque, iniciou-se uma grande rebelião ininterrupta das massas após a divulgação de um vídeo que mostrava a asfixia até a morte pela polícia de Daniel Prude, um homem negro com distúrbios mentais. 

Os protestos começaram logo após a divulgação do vídeo, em 1° de setembro, e sucederam diversas ações combativas em resposta à repressão policial, que se utilizava de sprays e balas de pimenta, bombas de gás, e balas de borracha, além de prisões arbitrárias e em massa. Devido à grande pressão gerada pelas massas ao departamento de polícia local,  toda a equipe do comando do Departamento de Polícia de Rochester, inclusive o chefe da polícia, anunciou a sua aposentadoria.

Os protestos e marchas contaram, em diversos dias, com milhares de manifestantes e grande enfrentamentos com a polícia, deixando feridos entre manifestantes e policiais, e uma ocupação da prefeitura que durou uma semana. 

Também, em Rochester, os manifestantes descobriram e divulgaram no mês de setembro endereços das casa dos agentes da polícia e informações sobre as suas famílias, de acordo com uma porta-voz da polícia.

Muitos manifestantes em todo o país demonstraram rejeição à farsa eleitoral organizando ataques a políticos, com ativistas protestando não só fora do gabinete de prefeitos, mas também em frente às suas casas. O condomínio onde vive o presidente da câmara de Portland foi atacado. Os manifestantes acenderam fogueiras no exterior, incendiaram fogos de artifício e invadiram uma das lojas do edifício no dia do seu aniversário, no dia 01/09.

Em San Jose, Califórnia,  manifestantes picharam e jogaram ovos na casa do presidente da câmara municipal e queimaram uma bandeira americana em frente a ela no dia 31 de agosto, de acordo com a polícia.

Também no estado da Califórnia, em Los Angeles, no bairro de Compton (famoso por ser um bairro negro e pobre, de grande repressão da polícia contra o povo), manifestantes se reuniram em um hospital onde dois xerifes que foram emboscados e alvejados se encontravam em cirurgia. Os manifestantes invadiram a sala de emergência entoando palavras de ordem como Esperamos que eles morram!, no dia 11/09. 

Sobre o episódio da emboscada, o ultrarreacionário Donald Trump declarou: “Animais que devem ser abatidos com força”, seguindo a campanha de condenar e criminalizar não só episódios assim (apenas quando dizem respeito à ataques contra a ordem de opressão e exploração, mas não quando os perpetradores da violência são os fascistas e reacionários), mas todos os protestos e manifestantes combativos.

Matança de trabalhadores pretos continua

Polícia de Los Angeles avança contra manifestantes após a morte de Dijon Kizzee. Foto: EPA/Kyle Grillot

No dia 2 de setembro, Deon Kay, jovem preto de 18 anos, foi assassinado por policiais em Washington D.C (capital). Nos dias que se seguiram à sua morte, marchas multitudinárias ocorreram na cidade, muitas delas em frente ao Sétimo Distrito do Departamento da Polícia Metropolitana de Washington D.C., local onde trabalhavam os policiais assassinos do jovem.

No dia 31 de agosto, Dijon Kizzee, homem preto de 29 anos, fora morto por policiais em Los Angeles. Os agentes de repressão atiraram em Dijon mais de 20 vezes, de acordo com o advogado de sua família.

Após sua morte, centenas de manifestantes tomaram as ruas de Los Angeles em massivos e combativos protestos que aconteciam diariamente, sendo que entre os dias 8 e 9 de setembro, os manifestantes foram reprimidos com balas de borracha e 17 pessoas foram presas por se recusarem à dispersão.

Em 23 de março de 2020, Daniel Prude, um homem negro, foi asfixiado até a morte por agentes da polícia de Rochester, Nova Iorque. Prude tinha sofrido de um episódio de saúde mental após ingerir drogas, com sua família ligando para a polícia na esperança de ele receber tratamento. Entretanto, os policiais colocaram um saco de plástico na sua cabeça pois o homem começara a babar. Os policiais o seguraram de bruços no asfalto por dois minutos e quinze segundos e ele parou de respirar. 

O assassinato veio a público pela primeira vez em setembro de 2020, quando o vídeo da câmera dos policiais e os relatórios escritos foram divulgados juntamente com o relatório da autópsia. 

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