PE: Policiais invadem casa de camponesa e latifúndio segue promovendo ameaças de morte

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Moradores da comunidade camponesa de Barro Branco, em Jaqueira, Mata Sul de Pernambuco, denunciam violência e abusos cometido por policiais contra a camponesa Josefa Dominicia da Silva, e diversas ameaças vindas do latifúndio. Os fatos transcorreram-se por todo o mês de setembro. 

De acordo com denúncia difundida pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) Nordeste II, no dia 19 de setembro, a agricultora Josefa teve sua casa invadida por três policiais que sem nenhuma ordem judicial vasculharam todos os cômodos da sua casa alegando estarem a procura de armas de "grosso calibre". Além da invasão arbitrária, a senhora ainda foi agredida verbalmente pelos “cães de guarda do latifúndio” e ameaçada de ter todos os membros de sua família detidos caso questionassem sobre a ordem judicial que eles não possuíam para efetuar a invasão. 

Cerca de seis mil camponeses estão sofrendo ameaças de expulsão de terras por parte de latifundiários dos setores sucroalcooleiros, pecuaristas e os especuladores. Além destas ameaças, denunciam também ameaças de morte, perseguições e tentativas de assassinatos contra quem resiste na terra.  As famílias exigem que lhes seja garantido o direito às terras em que vivem a gerações. 


A manifestação das comunidades de município de Jaqueira, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, foi realizada na manhã 27/05/19 para exigir a desapropriação da terra da Usina Frei Caneca, já desativada. Foto: Equipe Mata Sul – CPT NE2

Ameaças e coragem marcam a história de luta de camponeses de Jaqueira

A comunidade de Barro Branco e a comunidade de Engenho Fervedouro vêm sofrendo com intensas ondas de violência e de conflitos por terra envolvendo a empresa Agropecuária Mata Sul, arrendatária das terras da já desativada Usina Frei caneca (que possui uma gigantesca dívida com o estado de Pernambuco). 

Os  camponeses seguem resistindo às constantes ameaças e as covardes invasões de suas terras pelo latifúndio. Trabalhadores da localidade têm sido alvos de tentativa de criminalização e de ações covardes, ilegais e arbitrárias. 

Em abril deste ano cerca de dez camponeses de Engenho Fervedouro, já haviam sido jurados de morte por parte da empresa, uma lista circulou entre os camponeses com nomes que estariam listados para serem assassinados. 

Quinze camponeses registraram ocorrência na delegacia de Jaqueira; eles denunciaram terem sido vítimas de tentativa de atropelamento praticada pelo latifundiário Guilherme Cavalcante de petribú de Albuquerque Maranhão, representante legal da empresa e membro de uma tradicional família de latifundiários ligados ao setor sucroalcooleiro em Pernambuco e é também irmão do prefeito do município de Ribeirão, Marcello Maranhão (PSB). 

Leia mais: Família camponesa é ameaçada por bando paramilitar em PE; polícia se nega a registrar a denúncia

O histórico de ameaças e perseguições não vem de hoje. No dia 7 de maio, um camponês já havia relatado ter sofrido ameaça de morte, famílias camponesas denunciaram também que na mesma época foram surpreendidas por helicópteros espalhando agrotóxicos sobre as lavouras, fontes de água, intoxicando trabalhadores da Região, revelou matéria publicada pelo AND

O camponês Ernande Vicente Barbosa, 52, que havia sido preso por um crime que não cometeu, foi solto no dia 23 de setembro. A ordem de prisão foi realizada de acordo com a demanda do latifúndio que tenta expulsar os camponeses da região quando estes denunciaram um suposto atentado praticado contra um funcionário da empresa Agropecuária Mata Sul S/A. 

Leia mais: Camponeses são jurados de morte por latifundiários em PE, segundo denúncia

Ainda segundo a CPT, mais de vinte Boletins de Ocorrência contra o latifúndio já foram registrados, incluindo uma tentativa de homicídio sofrida por Ernande. Nenhum deles foi apurado pela Polícia.

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