MS: Estudantes da moradia estudantil conquistam testes para Covid-19 e outros direitos


Desenho feito por Kaio Ramos, estudante de artes cênicas e morador da moradia estudantil

Com o isolamento decorrente da pandemia, se acentuaram os problemas que já vinham se arrastando há anos na moradia universitária da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), o que fez os estudantes se mobilizarem para reivindicar melhores condições de moradia e medidas protetivas contra o covid. Assim, se organizando em uma comissão de moradores, além de reuniões e assembleias, passaram a discutir tais problemas e a cobrar permanentemente a direção da universidade.

No começo, a resposta há anos dada pela Pró Reitoria de Assuntos Estudantis (PROAE) a esses problemas  continuou a mesma: ignorar tais demandas, colocando burocracias inúmeras e adiar sua solução “ad aeternum” (para sempre). Porém, com organização e fazendo denúncias, mostrando a força que tinham, a universidade teve que ceder e coisas que ficariam prontas “em 3 meses” começaram a ser solucionadas como num passe de mágica. Foi assim com o problema da caixa d’água que ocasionava falta de água, depois com os constantes vazamentos que inundavam o prédio e levaram até a uma moradora a cair e quebrar o braço. Além disso, conseguiu-se que fosse consertado equipamentos quebrados como fogões, geladeiras, camas, computadores e arrumado buracos nas paredes, coisas que se arrastavam por longo período sem solução.    

Mesmo passando vários meses sem nada de efetivo por parte da universidade para o enfrentamento à pandemia, os estudantes conseguiram ajuda da comunidade interna e externa da universidade que se solidarizaram e fizeram doação de cestas básicas e máscaras, conseguindo organizar inclusive uma tarde de confraternização com doces e salgados.

Recentemente os estudantes conquistaram uma importante vitória em suas reivindicações no combate ao coronavírus: conseguiram pela universidade testagem gratuita a todos os moradores que apresentarem sintomas da doença. Além disso, todos os moradores novos ou que regressarem à moradia vindo de suas casas serão testados. Junto as testagens, também foi elaborado um protocolo de medidas sanitárias para ser implementado na moradia elaborado pelos próprios estudantes em conjunto com a universidade. Ganhando com tudo isso, maior garantia de prevenção à contaminação, uma vez que a moradia estudantil é um local em que moram muitos estudantes e  caso alguém seja contaminado, trará risco e prejuízo a todo o coletivo.

Em tempos de pandemia os moradores também dão exemplo de como seguir aprendendo e se instruindo apesar da suspensão do calendário acadêmico. Dessa forma desde o início da pandemia aproveitam para realizar treinos físicos coletivos, roda de leitura de poesia, compartilhar experiências como aulas de dança e até ministrar aulas de línguas partindo do conhecimento de alguns moradores.

POLÍCIA E REITORIA BUSCAM INTIMIDAR ESTUDANTES

Como resposta a mobilização, os moradores também sofreram intimidações tanto por parte da polícia quanto da universidade. No começo da mobilização, a reitoria (que está sobre intervenção desde Junho do ano passado) enviou e-mail a todos os moradores acusando-os de estarem organizando um “motim” e pedindo para que todos que se sentissem “coagidos” pelo “movimento” a fazerem denúncias anônimas à PROAE. Ameaçou indiretamente sobre perda de bolsas e que “quem não estivesses satisfeito, podia encontrar outro lugar”. Junto a isso impôs advertências arbitrariamente a estudantes de forma injustificada e com claro viés político, podendo com isso levar ao absurdo de expulsão de uma estudante da moradia, deixando-a vulnerável em plena pandemia.

Os estudantes relatam também que a polícia começou a fazer incursões diárias abordando sem justificativa moradores, exigindo documentos, apontando armas e tirando fotos. Além disso, denunciam que os policiais interrogaram os seguranças da portaria sobre os moradores, chegando mesmo a trocar telefones com eles para que os mantenham informados. Tais incursões só pararam depois de sucessivas cobrança dos moradores que passaram a denunciar tais abusos.

Contudo, não baixando a cabeça diante das intimidações, defendendo o direito de expressão e organização, os estudantes continuam lutando por condições dignas de moradia e permanência estudantil. Entendendo que este é um direito inegociável e que a universidade tem o dever de garantir, ainda mais em tempos de aguda crise sanitária e econômica na qual vive nosso povo.

 

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