Índia: Com seus direitos violados, Saibaba inicia greve de fome

O democrata e defensor dos direitos do povo, professor G.N. Saibaba,  entrou em greve de fome no dia 21 de outubro exigindo atendimento médico, acesso a materiais de leitura e cartas – direitos básicos para todo prisioneiro. Saibaba se encontra preso nas masmorras do velho Estado indiano, na Cadeia Central de Nagpur. 

O Comitê em Defesa e Liberdade ao Dr. G.N. Saibaba denuncia que, além da negligência e contínua negação de tratamento adequado por parte das autoridades carcerárias do velho Estado, mesmo a liberdade condicional para assistir ao funeral de sua mãe lhe foi negada. Não bastasse isso, cartas enviadas por membros da família são confiscadas pelos agentes do velho Estado, assim como jornais – uma clara violação dos direitos de prisioneiro, afirma o Comitê.

De acordo como Comitê, “o aconselhamento jurídico está sendo violado em nome da pandemia, pois ele não tem permissão para fazer mais de duas ligações por mês e não tem a oportunidade de discutir seu caso com seus advogados”. Com o velho Estado vinha negando seus direitos mais básicos, submetido ao isolamento, o intelectual democrata não viu outra saída senão entrar em greve de fome.

Grandioso defensor do povo

Como já dito antes pelo AND, G.N. Saibaba começou seu ativismo quando defendeu reservas tribais no início dos anos 1990, numa época em que muitos interesses estavam pressionando para acabar com as reservas para pessoas de castas inferiores na Índia. Naquela década, ele também fez campanha contra os chamados “assassinatos por confrontos armados” (como os autos de resistência no caso do Brasil) de pessoas inocentes e supostos maoistas em Andhra Pradesh.

Graças a seu ativismo, o professor viajou por todo o cinturão tribal na Índia central. Ele ensinava inglês na Universidade de Delhi e era bem reconhecido por ser um intelectual democrático, sendo convidado para várias conferências em outras universidades.

Em setembro de 2009, o governo indiano lançou a Operação “Caçada Verde”, em nome da luta contra a “maior ameaça à segurança interna” – referência aos maoistas. Mas, na verdade, segundo denunciou Saibaba, o objetivo era facilitar os monopólios da mineração que estavam mostrando interesse na área rural do país.

“Reuni provas suficientes que sugeriam que a classe dominante queria ter acesso a seus recursos, não importa o que aconteça. Então, a Operação ‘Caçada Verde’ foi lançada para matar, mutilar e desalojar essas pessoas”, denunciou contundentemente Saibaba.

No auge da operação, entre 2009 e 2012, reuniu pessoas através de um grupo chamado Fórum Contra a Guerra ao Povo. Ele organizou uma campanha nacional contra a operação militar. Segundo Saibaba, “a melhor maneira de me impedir era me jogar na cadeia”.

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