Repelindo censura, protesto de 109 artistas do traço recebe Prêmio Vladimir Herzog

No último dia 17 de outubro o Instituto Vladimir Herzog definiu em sessão pública de julgamento, transmitida pela internet, os vencedores da 42ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. A premiação é considerada a mais importante do gênero jornalístico no país e recebe o nome do jornalista brasileiro, nascido na antiga Iugoslávia, assassinado em 1975 no Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna de São Paulo.

Dividida em seis categorias (arte, fotografia, áudio, vídeo, multimídia e texto), nas quais tradicionalmente ficam definidos por júri um vencedor e uma menção honrosa, a presente edição contou também com uma excepcional condecoração: o Prêmio Destaque Vladimir Herzog Continuado.

A CRIAÇÃO DO PRÊMIO DESTAQUE

Em junho desde ano, o AND noticiou um movimento organizado por artistas gráficos em enfrentamento à criminalização de Renato Aroeira, um conhecido cartunista do país. Naquele mês, André Mendonça, ministro da Justiça e Segurança Pública, ordenou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República que investigassem uma charge da autoria de Aroeira, bem como o jornalista Ricardo Noblat – que a publicou. A atitude teve base na Lei de Segurança Nacional (LSN). 


Obra de Renato Aroeira foi alvo da Lei de Segurança Nacional

A charge, intitulada “Crime Continuado”, faz uma sátira com similaridades entre o governo de Bolsonaro e dos generais com o regime fascista da Alemanha (1933-1945) no gerenciamento da saúde pública. Nela, Bolsonaro aparece com uma lata de tinta transformando uma cruz vermelha (símbolo humanitário que, na obra, representa um hospital) numa suástica nazista junto ao texto Bora invadir outro?”. Também em junho, Bolsonaro convocou suas hordas para que invadissem hospitais e intimidassem profissionais e pacientes que supostamente estariam encenando a pandemia.

Indignados com as ameaças do velho Estado, artistas do Brasil e do mundo se organizaram no movimento “Somos Todos Aroeira”, onde passaram a reproduzir o trabalho de Aroeira com o próprio traço sob o título “Charge Continuada”, desafiando assim a caracterização generalizada da autoria do “crime”. Centenas (ou talvez milhares) de versões derivadas do trabalho de Aroeira foram publicadas em redes sociais, fóruns e veículos digitais, entre os quais 109 autores resolveram, de forma organizada, abrir mão da inscrição de uma obra autoral para concorrerem com suas "charges continuadas" em forma de protesto no concurso.

O movimento, colaborando com o número recorde de inscritos na premiação (1.059 produções, somadas todas as categorias), sensibilizou o júri que, por unanimidade, criou em caráter excepcional uma premiação para os profissionais inscritos com o protesto – a premiação destaque da edição.

A versão de Vinoli (em destaque) e as de outros artistas mobilizados

IMPORTÂNCIA POLÍTICA

O Prêmio Vladimir Herzog teve sua primeira cerimônia realizada já em 1979 e gradativamente passou a ser disputado até mesmo por megaproduções do monopólio da imprensa. A iniciativa da comissão de julgamento em criar uma premiação a parte daquilo que estava previsto estimula a camada de artistas de forma geral ao enfrentamento da reacionarização do velho Estado brasileiro, na medida em que tem como elemento principal o reconhecimento do valor político do movimento e não somente critérios técnicos convencionais.

O nome de Vinoli e dos demais artistas vencedores do Prêmio Destaque Vladimir Herzog Continuado, bem como os dos demais premiados nas categorias tradicionais da premiação, podem ser acessados no site do instituto.

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