Governo prolonga intervenção militar na Amazônia

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No dia 26 de outubro, em meio à campanha de criminalização dos camponeses pobres, aumento do número de queimadas principalmente no Pantanal e interrupção da atuação de brigadas de combate a incêndios florestais por falta de recursos, o ultrarreacionário vice-presidente e general, Hamilton Mourão, afirmou que a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), chamada Operação “Verde Brasil 2” será prorrogada até abril de 2021.

O prazo de intervenção das tropas já foi prorrogado anteriormente desde seu decreto, em 6 de maio de 2020. Segundo Mourão, que há oito meses preside o Conselho Nacional da Amazônia, os militares deverão permanecer até abril de 2021 na região definida como Amazônia Legal, correspondente a 59% do território nacional. 

Três bases permanentes (Comandos Conjuntos) já foram instaladas na Amazônia, uma delas no estado de Rondônia. Cerca de R$ 0,5 bilhão foram destinados a esta operação. Em outra ocasião o mesmo declarou que estas ações seguem o planejamento do Ministério da Defesa previsto até pelo menos 2022. 

O general alegou também que a prorrogação será tratada com o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general reservista do Alto Comando das Forças Armadas (ACFA), Augusto Heleno. 

Por que prorrogar a operação?

De acordo com o governo de generais e Bolsonaro, as operações são destinadas a combaterem “crimes ambientais”, como ocupações de terra, “desmatamento ilegal” e incêndios e que o envio das tropas está vinculado às ações preventivas e repressivas. 

Conforme já publicado por AND, a implementação de GLOs para acobertar as ações das tropas de ocupação tem em seu histórico recente diversas ações de ataques aos camponeses.

Durante a Operação “Verde Brasil 1”, em setembro de 2019, dezenas de homens das Forças Armadas e Força Nacional desembarcaram na área Enilson Ribeiro, município de Seringueiras (Rondônia), permanecendo por uma semana. Durante a mesma operação, os militares expulsaram 400 famílias camponesas do Acampamento Boa Esperança, em Porto Velho. No Pará, um assentamento federal Vila União, distante cerca de 140 quilômetros do centro de Marabá, foi outro alvo.

Recentemente, em Nova-Mutum Paraná, no estado de Rondônia, o Acampamento Tiago dos Santos alvo de uma tentativa de massacre e um violento despejo combinado com torturas, desaparecimentos e prisões de trabalhadores. Nessa região, hoje, existe um massivo aparato e tropas das Forças Armadas reacionárias.

Os fatos evidenciam que o ocorrido é mais um passo no golpe contrarrevolucionário preventivo em marcha no país e intervenção direta de tropas regulares no combate à luta democrática dos camponeses pobres. 

A fachada de combate aos incêndios e desmatamentos

Apesar de o governo alegar que o foco da operação é o combate ao desmatamento e incêndios, o número de queimadas no Amazonas em 2020 é o maior da história, segundo dados apresentados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Até a primeira semana do mês de outubro, somente neste estado já foram registrados 15,7 mil focos ativos de incêndio.

Os dados apontam ainda que as duas cidades mais afetadas pelas queimadas estão localizadas no Mato Grosso, local onde se encontra uma das bases permanente dos militares. A eficiência da operação, de acordo com o foco propagado, é divergente tanto da realidade quanto para os próprios responsáveis. Dados apresentados por Mourão e pelo Ministério da Defesa a respeito da GLO são divergentes. 

Em 14 de setembro, o vice-presidente afirmou que foram apreendidos, em quatro meses, 800 toneladas de minério ilegal, porém no balanço da Operação “Verde Brasil 2”, fornecido pelo Ministério da Defesa, consta que a quantia é de 8,05 toneladas. O vice afirmou também que 355 focos de incêndio foram apagados. porém o Ministério da Defesa diz que o número supera 6,8 mil.

Sobre a apreensão de madeira ilegal, cada um apresenta uma versão. Mourão afirmou que foram 29 mil metros cúbicos e Ministério da Defesa 173,6 mil metros cúbicos de madeira.

Forças Armadas reacionárias atuando durante Operação Ágata que ocorreu em 2011 no norte do país. Foto: Reprodução/Olhar Direto

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