RJ: Polícia genocida leva terror às massas e povo se revolta


Um dos veículos blindados na operação da Polícia Civil na Maré. Foto: Reginaldo Pimenta/Agência O Dia

No último dia 27 de outubro, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar (PM) do Rio de Janeiro na favela da Mangueira, zona norte, estava em mais uma incursão policial desde as 5h da madrugada. Até o fim do dia, os noticiários dos monopólios de imprensa davam conta de uma pessoa baleada, levada até um hospital próximo e a apreensão de um fuzil. Parco resultado em troca de mais um dia de terror para as massas trabalhadoras da região.

Denúncias feitas por redes sociais dão conta da presença ostensiva dos policiais em várias localidades diferentes da favela em uma operação que contou com diversos blindados, que posicionaram nas entradas e nas vias internas da comunidade. Devido à operação, denunciam os moradores, muitos trabalhadores foram impedidos de sair de suas casas.

No mesmo dia, a PM do Rio fazia, no mesmo horário, operação em pelo menos outras quatro localidades: Morro da Serrinha, Morro dos Macacos, Complexo da Maré e Mangueirinha (Duque de Caxias). Enquanto em algumas destas operações sequer haviam apreensões ou prisões, em outras foram relatados trocas de tiros, bloqueio parcial ou total de vias do entorno e ruas desertas em um horário que as mesmas já estão lotadas de trabalhadores se deslocando até o local de serviço.

Moradores relatam abusos de policiais durante operação no complexo de favelas da Maré

Moradores do Complexo de favelas da Maré, em Bonsucesso, zona norte do Rio de Janeiro, denunciaram em redes sociais que policiais civis entraram em suas casas agrediram pessoas, quebraram objetos e roubaram comidas.

Desde as 5h da manhã mais de 300 agentes com o apoio de cinco carros blindados "caveirão" e um helicóptero estavam nas principais ruas das comunidades Parque União e Nova Holanda.

"Entraram na casa da minha mãe, empurraram ela, uma senhora aposentada federal, foram na casa da vizinha. Quebraram tudo, comeram banana, beberam água, roubaram roupa e dinheiro" relatou uma moradora, segundo a página de Facebook Maré Vive.

A página também denuncia que carros de moradores foram quebrados e casas foram invadidas pelos policiais.

A operação chamada "Gota D' Água" foi classificada como excelente pela Polícia Civil, ela deixou o saldo de 21 pessoas presas, uma mulher grávida de cinco meses baleada na barriga (a moça de 20 anos perdeu a criança e está internada em estado grave). No que tange a armamento, a megaoperação que causou transtorno, pânico e sangue aos moradores, conseguiu apreender somente três fuzis e uma pistola. Vale lembrar que a própria inteligência da Polícia Civil estima que no Complexo existam cerca de 300 a 400 fuzis.

MORADORES DO COMPLEXO DO LINS SE REVOLTAM CONTRA POLICIAIS

No dia anterior a estas operações, na segunda feira, enquanto PMs tentavam retirar o corpo de um homem morto em mais uma operação, os moradores se revoltaram contra o genocídio do povo preto e pobre. Em um vídeo, também divulgado nas redes sociais, é possível ver pelo menos 7 policiais debandando frente a dezenas de homens e mulheres indignados com a rotina de terror. Já em outro vídeo, é possível ver pelo menos 3 camburões (nome dado aos carros tipo pickup com a traseira modificada dando lugar a uma jaula pela qual os detidos são levados) saindo às pressas frente a massa revoltosa que repelia os genocidas.

Em nota, divulgada pelo monopólio de imprensa local, a PM informou que “populares atiraram objetos contra as equipes em manifestação”, e que "a coordenadoria da polícia pacificadora instaurou um procedimento apuratório para averiguar as circunstâncias da situação citada”.

O que se comprova é que o povo já está farto de aturar o terrorismo de estado sistematicamente praticado e se levanta em luta em defesa de seus direitos.

Desde as últimas semanas, as operações nas favelas do Rio de Janeiro têm aumentado, apesar de seguir vigente o decreto que impede operações policiais nas favelas. Na realidade, as forças policiais jamais deixaram de atuar no sentido de levar o terror para o povo pobre, mesmo no cenário da pandemia.

Em um levantamento feito pelo Fórum de Segurança Pública, foi registrado um aumento recorde de mortos por operações policiais no país. No primeiro semestre de 2020 houve um aumento de 6% em relação ao mesmo período do ano passado, passando de 3.002 para 3.181 o número de vítimas em todo o país. O estudo também chama atenção para a tendência de aumento entre o perfil dos mortos relacionado à pretos e pardos, que chega a 80% do total de mortos, e também para os autores dessas mortes, sendo majoritariamente feitas por agentes do estado.

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