RJ: Família acusa policiais de forjarem flagrante para prender jovem em Niterói


Rafael Santos de Maciel foi preso injustamente. Foto: Arquivo pessoal

O jovem Rafael Santos de Maciel, de 19 anos, foi preso no dia 16 de outubro, na favela do Badu, em Niterói, região metropolitana do rio, durante uma operação da Polícia Militar (PM). Ele foi acusado pelos militares de tentar fugir com uma mochila cheia de drogas e armas durante abordagem. Após a prisão, Rafael foi levado para a Cadeia de Benfica e, depois, transferido para o Presídio Ary Franco, em Água Santa, na zona norte do Rio.

Já os familiares do rapaz, no entanto, confirmam que a prisão em flagrante foi forjada pela PM. O irmão de Rafael, Nilton Santos Maciel, de 21 anos, falou ao site Jornal Matogrosso: "Nós somos três irmãos, viemos da Bahia há quatro anos, a trabalho, pra trabalhar mesmo, porque lá a vida é difícil... Sempre trabalhamos. Sempre. Nunca tivemos envolvimento com drogas, com tráfico de drogas muito menos".

Os irmãos, sem notícia de Rafael, decidiram ir até a delegacia atrás de informações, e foi quando souberam da prisão. Eles denunciaram ainda que foram destratados por agentes na delegacia: "Chegamos lá e trataram a gente super mal. Trataram a gente igual cachorro. Falaram que o meu irmão era bandido, vagabundo, 'vagabundinho'. Ainda usou esse termo... Que tinha sido preso com droga e arma. Aí, a gente surtou. Surtou porque isso não faz o menor sentido", disse Nilton.

Na carteira de trabalho do irmão, que foi apresentada por Nilton, está a comprovação de que Rafael trabalha como manipulador de alimento na Rede Hortifruti, com salário de R$ 1.387,49, desmentindo a versão da policia que o rapaz é traficante. "Meu irmão, antes de entrar na empresa Hortifruti, foi uma luta, porque ele ficou um ano e pouco desempregado, fazendo biscate. Tinha semana que tinha biscate, tinha semana que não tinha, e o meu irmão não foi vender droga. Imagina! Ele ia vender droga andando de carteira assinada?", desabafou Nilton.

Passados 11 dias desde que Rafael foi preso, o que restou para Nilton e a família, inclusive os pais em Camacã (Bahia), é o sentimento de revolta. "É revoltante! É muito triste. Eu vou ser honesto, diante de Deus, com você: antes de eu vir pra cá, pro Rio de Janeiro, eu tinha uma outra visão da polícia, eu achava que quem era injustiçada era a polícia, mas na prática não é. Minha família tá desesperada, eu tô desesperado!", finalizou.

outro Jovem foi preso por crime que não cometeu

Esse caso não é isolado. No dia 2 de setembro, Luiz Carlos da costa Justino, de 23 anos, foi abordado por volta das 19h30 por policiais da PM, após terminar uma apresentação musical nas barcas, no centro do município. Ele é violoncelista e foi levado preso por, supostamente, ter contra ele um pedido de prisão de 2017, por assalto, reconhecido pela vítima.

No entanto, a professora Alexandra Oliveira, da Orquestra de Cordas da Grota, afirmou que havia imagens que provavam que o violoncelista estava trabalhando na padaria Le Dépanneur, no bairro de Piratininga, no momento do crime.

“Temos informações de que ele tinha um contrato com uma padaria e tocava todo domingo no mesmo horário. A data do ocorrido foi 5 de novembro de 2017 e nesta mesma data achamos um vídeo dessa padaria dizendo que ele estava lá às 8h da manhã para se apresentar”, detalhou ao site Brasil de Fato.

De nada adiantou: o jovem foi preso e transferido para a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio. Apenas dias depois, 6 de setembro, Luiz foi liberto após protestos de amigos e apresentação de provas que atestaram sua inocência. Ele teve a prisão revogada. Carregando o trauma de uma detenção injusta, o rapaz segue vivendo da música.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Matheus Magioli Cossa
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ana Lúcia Nunes
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira

Ilustração
Taís Souza