Assembleia Popular na Área Manoel Ribeiro: 'O sangue derramado na Santa Elina corre em nossas veias!'

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No dia 16 de agosto de 2020 familias camponesas tomaram a fazenda Nossa Senhora, remanescente da antiga Santa Elina. Foto: Jornal Resistência Camponesa

Abaixo, reproduzimos nota emitida pelo Comitê de Defesa da Revolução Agrária (CDRA) composto por camponeses da Área Manoel Ribeiro onde repudiam a onda de mentiras, criminalização e repressão contra os camponeses pobres em luta pela terra em Rondônia.


Nós, famílias da Área Revolucionária Manoel Ribeiro, que desde agosto de 2020 ocupamos as terras da fazenda Nossa Senhora Aparecida, no município de Chupinguaia/RO, última parte da antiga fazenda Santa Elina a ser retomada, viemos a público repudiar a onda de mentiras, criminalização e repressão contra os camponeses pobres em luta pela terra em Rondônia.

No início do mês de outubro ocorreram assassinatos de policiais militares no distrito de Nova Mutum-Paraná, norte de Rondônia, em uma ação claramente executada por bandos armados do latifundiário Galo Velho na intenção de incriminar os camponeses do acampamento Tiago dos Santos e lançar contra eles a sanha sanguinária de policiais matadores e seus chefes, guardiães do latifúndio. Tal armação, fartamente cacarejada pela imprensa mentirosa, porta-voz da polícia e do latifúndio, deu os resultados esperados, e logo nos dias seguintes a polícia militar executou uma operação de guerra contras as famílias que estavam ali acampadas e trabalhando, e de forma criminosa jogando do helicóptero bombas de gás e de efeito moral, tiros de balas de borracha, apontando fuzis e submetralhadoras despejou a todos. As tropas repressivas golpearam e humilharam homens e mulheres e aterrorizaram crianças, destruíram barracos e utensílios de necessidade básica, roubaram das famílias suas pequenas economias, celulares e outros objetos de valor ganhos com muito suor de trabalho honesto. Além do que, do helicóptero lançaram casquilhos deflagrados de vários calibres, controlado o Acampamento executaram sua fraudulenta perícia para incriminar os camponeses, suas lideranças e a LCP.

Para mais informações leia:

Abaixo a grosseira montagem do governo de RO e sua PM de demonização dos camponeses em luta pela terra para fazer despejos, prisões e massacres

Nota n.º2 da Comissão Nacional da LCP aos trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade e ao público em geral

Não satisfeitos, a polícia civil, a polícia militar, assim como bandos armados dos latifundiários tem intensificado a repressão com perseguição, prisão e assassinatos de vários camponeses.

Para mais informações leia: Polícia de Rondônia acusa qualquer camponês que já foi acampado por morte de policiais

Aqui no acampamento Manoel Ribeiro a polícia militar nunca deixou de perseguir e intimidar as famílias, com incursões frequentes em torno da área, sobrevoo de drones e helicópteros. E agora recentemente tem realizado tentativas de infiltração de policiais dentro do acampamento e tem feito blitz na estrada logo na entrada da área, abordando arbitrariamente a todos.

Depois que realizaram o despejo das famílias do acampamento Tiago dos Santos, querem aproveitar toda a histeria fabricada contra a luta pela terra para se voltarem agora com toda força contra as famílias do acampamento Manoel Ribeiro.

Mas se enganam senhores, se pensam que poderão repetir aqui, o mesmo que aplicaram a nossos irmãos camponeses do norte.

Não temos nenhuma ilusão com esse velho Estado apodrecido que defende apenas os interesses dos ricos e poderosos encobrindo seus crimes contra os pobres e seus roubos de milhares de alqueires de terras da União. Sabemos muito bem, que a única coisa que tem a nos oferecer é a vida de miséria e exploração nas cidades, ou sob as garras de algum latifundiário qualquer. Sabemos que só tem a nos oferecer enganação e opressão. Só nos oferece porretadas, bombas de gás, balas de borracha e de estanho, prisão, assassinatos e massacres. Sabemos de tudo isso muito bem, já vimos isso ocorrer contra nossos irmãos e contra nós mesmos, muitas e muitas vezes. Foi aqui nestas terras que hoje estão sob nossa posse que covardemente derramaram o sangue de muitos, inclusive da pequena Vanessa de apenas 7 anos.

Desse velho Estado, não esperamos nada a favor do povo. É simbólico que os oficiais da PM-RO, responsáveis diretos pelos assassinatos e torturas de camponeses em 1995 na antiga fazenda Santa Elina, no que ficou conhecido como “massacre de Corumbiara” não só seguiram impunes como foram sucessivamente promovidos. Aí está o atual secretário de segurança do governo estadual, coronel José Hélio Cysneiros Pachá, e o até poucos dias comandante da polícia militar, coronel Mauro Ronaldo Flores, que hoje está disputando cargos no chiqueiro da politicagem através da farsa eleitoral. Ambos participaram ativamente, e com função de comando, nos criminosos acontecimentos de agosto de 1995 em Corumbiara, e hoje estão aí como autoridades e pretensos “representantes do povo”.

Basta! Não abaixaremos mais nossas cabeças! Queremos o que é nosso por direito! Aqui queremos apenas um pedaço de terra para viver, trabalhar e tirar o sustento de nossas famílias com dignidade, mas nossa luta vai além, queremos justiça, um poder de nova democracia e um Brasil novo para nossos filhos e netos.

Queremos viver em paz, mas se nos oferecerem guerra, terão guerra! Nós não sairemos de nossas terras! Estamos unidos e organizados! Se moverem aparato de guerra contra nós, para tentar nos tirar da terra, tenham certeza que resistiremos com unhas, dentes e da forma que pudermos. Se a ferro e fogo nos despejar das nossas terras, voltaremos amanhã de novo, tendo aprendido como enfrentá-los, pois a lei do povo, confirmada pela história em todo o mundo, é lutar e fracassar, voltar a lutar e fracassar de novo, tornar a lutar até obter a vitória completa e definitiva contra seus carrascos, exploradores e opressores! Quanto mais tempo demorar nossa vitória, mais alto será o preço que estes bandidos latifundiários ladrões de terras da União irão pagar!

Essas terras estão regadas com sangue dos camponeses que heroicamente resistiram e lutaram por elas em 1995 e dos povos indígenas chacinados por latifundiários e seu velho Estado. E se for necessário, juntaremos nosso sangue ao desses heróis. Assim como os combatentes de Santa Elina em 1995, hoje 25 anos depois gritamos com firmeza: Nem que a coisa engrossa, essa terra é nossa!

Abaixo o conluio criminoso dos governantes, da Justiça e da polícia com os latifundiários ladrões de terras da União!

Abaixo a criminalização da luta pela terra!

Fim das perseguições, despejos, prisões, assassinatos e desaparecimentos!

Conquistar a terra, destruir o latifúndio!

Viva a Revolução Agrária, morte ao latifúndio!

As terras da antiga Santa Elina são do povo!

Viva o Acampamento Tiago dos Santos!

Viva a Liga dos Camponeses Pobres do Brasil!

Assembleia Popular do Acampamento Manoel Ribeiro

CDRA – Comitê de Defesa da Revolução Agrária

28 de Outubro de 2020

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