RJ: Servidores impedem fechamento de Hospital de Bonsucesso com ato combativo


Trabalhadores impedem fechamento do Hospital Federal de Bonsucesso no Rio. Foto: Banco de dados AND

Servidores e terceirizados do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), na zona norte do Rio de Janeiro (RJ), fizeram um ato no dia 30 de outubro, em frente e dentro da unidade, contra o fechamento da instituição sob pretexto de recuperar as estruturas do incêndio, o que ocasionaria precarização e demissão dos profissionais. No dia 27/10, o HFB sofreu um incêndio que ocasionou a morte de oito pessoas.

Após o combativo ato, a direção do hospital reiterou que ele voltará a funcionar. Ao todo, quatro dos seis prédios irão reabrir a partir do dia 4 de novembro.

Os trabalhadores chegaram por volta de 8h de 30/10, no portão do hospital. Com bastante vigor e combatividade, os profissionais levaram cartazes com frases como: Eu grito não! A privatização, o hospital de Bonsucesso é do povão!, Somos resistência, Não vai fechar, nós não vamos deixar, e também entoaram gritos de protesto: A nossa luta é todo dia! Porque saúde não é mercadoria!, Não vai ter arrego, se fechar o HFB eu tiro seu sossego e Ocupar e resistir, lutar para garantir.

Aproximadamente 70 funcionários do hospital contaram com o apoio de uma caixa de som para fazer as falas. Professores, moradores e pacientes também se juntaram ao ato, uma vez que o hospital atende toda a região metropolitana do Rio, principalmente nos casos de cirurgia. O hospital também movimenta a economia do bairro, como explicou um pequeno comerciante local.

Por volta de 9h, um representante do Ministério da Saúde chegou à unidade dentro de um carro descaracterizado, os trabalhadores cercaram o carro exigindo explicações e transparência sobre a situação do hospital pós-incêndio. Sem obter resposta, os trabalhadores passaram pelos seguranças e entraram na unidade atrás do carro do Ministério da Saúde. A equipe do Jornal A Nova Democracia acompanhou os trabalhadores que seguiram até o pátio da unidade enquanto o monopólio de imprensa ficou do lado de fora caluniando a luta dos servidores do hospital.

Dentro da unidade os servidores continuaram as falas combativas de protesto, enquanto aguardavam a saída do representante do general Pazuello, que estava em reunião com a diretoria do hospital. Os funcionários reclamaram que sequer foram ouvidos nas negociações, porém iriam dar seguimento à luta, resistindo aos ataques que são feitos à saúde pública.

Dezenas de policiais militares do batalhão local e das Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom) foram até o pátio do hospital com rostos cobertos e fuzis em mãos para intimidar os trabalhadores. Contudo, os servidores se postaram firmes frente aos órgãos de repressão, e não saíram do prédio.

Os trabalhadores alegam que o hospital não pode parar de funcionar, uma vez que nem todos os prédios foram atingidos pelo fogo, e que o sucateamento e fechamento do HFB na verdade faz parte de um plano para privatizar a unidade e entregá-la a uma Organização Social (OS). A administração fechou toda a unidade de atendimento que, ao todo, somam seis prédios, sendo que somente o primeiro foi atingido pelo fogo. Consequentemente, milhares de pessoas que necessitam de acompanhamento, cirurgias e remédios ficaram sem atendimento.

Os funcionários denunciaram à equipe do AND que, antes do incêndio do dia 27/10, que ceifou a vida de quatro pessoas, vários outros pequenos incêndios já tinham acontecido na unidade.

Profissionais contaram que no dia do incêndio foram eles que enfrentaram o fogo e arriscaram a própria vida para salvar os pacientes, tirando vários destes pela escada e os levando nos braços, já que o elevador tinha parado de funcionar. Reclamaram, inclusive, que no dia foram tratados como heróis e agora estão jogados a própria sorte.

Contudo, a luta deu resultado e os trabalhadores retornarão às suas atividades a partir do dia 4 de novembro, provando mais uma vez que somente com organização e luta o povo é capaz de conquistar seus direitos.

Um fato marcante da manifestação foi o momento em que seguranças do hospital junto a um segurança particular do representante do Ministério da Saúde (se passando por funcionário do HFB) tentaram impedir o trabalho da imprensa popular e democrática de registrar o ato dos trabalhadores dentro da unidade. Neste momento, os jornalistas do AND foram protegidos pelas massas que defenderam sua imprensa e impediram que os seguranças retirassem-nos do local. Eles também exaltaram a luta da imprensa popular e democrática, sabendo reconhecer que essa é a imprensa que os serve, diferenciando-a do monopólio de imprensa. 

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