Enfrentando o imobilismo, estudantes realizam o triunfante 40º ENEPe em Curitiba!

Em demonstração de combatividade, a 40ª edição do ENEPe teve um ato já no primeiro dia do evento. Fotos: Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe).

Defrontando as adversidades causadas pela pandemia e o imobilismo escancarado do oportunismo, a Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) conquistou a vitoriosa realização do 40º Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ENEPe), em Curitiba, Paraná, do dia 29 de outubro a 2 de novembro. Nele, a ExNEPe reafirmou seus princípios de classismo, independência e combatividade.

Diferentemente das outras edições, por questões sanitárias, este ano o número de pessoas em cada delegação teve de ser reduzido. Conseguiram estar presentes representantes dos estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rondônia, Minas Gerais, Pará, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Bahia, evidenciando a escala nacional e a importância do encontro, que só pôde acontecer pela mobilização conjunta dos estudantes, que se organizaram para arrecadar fundos de forma independente. 

No decorrer dos dias de evento, foram promovidas mesas com palestras e discussões políticas, em que a maioria dos temas foi voltada para a questão candente da Educação a Distância (EaD), que vem sendo imposta nas instituições de ensino pública e privada, do nível básico até o superior, e ameaçando a luta por uma Educação democrática, pública e de qualidade. 

As palestras e mesas podem ser vistas integralmente nos vídeos publicados no site oficial da ExNEPe.

Assim, à frente de mais um ENEPe, que possui um longo e combativo histórico de lutas a serviço do povo, tendo sido o primeiro curso a romper com a “União Nacional dos Estudantes” (UNE), em 2004, a ExNEPe comprovou mais uma vez seu papel de exemplo e vanguarda para o Movimento Estudantil brasileiro. Como ocorre ao final de cada edição do Encontro, os estudantes aprovaram um Plano de Lutas consequente e combativo para ser seguido pelos estudantes no decorrer do próximo ano.

Estudantes da Pedagogia votam o Plano de Lutas do 40º ENEPe

40º ENEPE sE INICIA COM VIGOROSO ATO 

Já no primeiro dia do evento, os estudantes empreenderam um ato em frente à Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em que, organizados em colunas e respeitando o distanciamento social, ocuparam o pátio do campus universitário, ergueram várias faixas e colaram-nas pelas paredes com consignas combativas, como Derrubar os muros da Universidade!

Tecendo críticas à precarização da Educação, agravada pelas aulas remotas compulsórias que têm sido sistematicamente aplicadas em todas as universidades públicas, os estudantes também produziram faixas com os dizeres  Em defesa do Ensino Público e Gratuito! Barrar a imposição da EaD impulsionando o boicote! e também Em defesa do direito de estudar ensinar e aprender!

O teor do protesto foi de crítica à política isolacionista das universidades em meio à pandemia do coronavírus e de rechaço aos múltiplos ataques do governo dos generais e Bolsonaro contra os direitos do povo. Em nota, a ExNEPe pontuou que tal conduta, “amplamente adotada por gestores de Instituições Públicas de Ensino Superior, justifica a política intervencionista do governo dos generais e do fascista Bolsonaro, e faz coro ao corte de verbas de 1,6 bilhão no orçamento das IFES para 2021”.

Eles exigiram que a universidade ponha o seu espaço em disponibilidade para atender às necessidades do povo durante esse momento de crise que se agrava, em vez de manter suas portas cerradas. 

De máscaras e mantendo o distanciamento social, estudantes realizam ato no primeiro dia do ENEPe

MESAS E DISCUSSÕES PENSAM A EDUCAÇÃO VINCULADA À QUESTÃO POLÍTICA  

Ainda no primeiro dia, ocorreu a mesa de abertura do evento, em que as entidades e delegações presentes se apresentaram e fizeram saudações ao encontro. Em suas falas, denunciaram a posição capituladora da universidade frente aos problemas do povo e ressaltaram que a autonomia e democracia universitárias, já débeis, têm sofrido ataques agudos, citando como exemplo as intervenções federais na seleção de reitores em múltiplas universidades. 

Em sequência ao ato, foi realizada a primeira Mesa do encontro, na qual o ativista, escritor e ex-preso político Igor Mendes foi convidado para tratar da situação política nacional. Segundo a ExNEPe, ele “expôs de forma mais profunda sobre a luta estudantil e que caminho esta deve tomar, ligando-se firmemente ao povo pobre de nosso país que sofre diariamente os efeitos prolongados da grave crise econômica e social secular, agora aprofundados pelo coronavírus”.

Na parte da manhã do dia 30/10, ocorreu a Mesa sobre “Gratuidade, Democracia e Autonomia Universitária”, com a participação do professor Luís Carlos de Freitas da Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS); e, na parte da tarde, a Mesa sobre “Construtivismo e pós modernismo: negação da ciência na escola”, na qual falaram a professora Marilsa Miranda, da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e o professor Newton Duarte, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). 

No dia 31/10, houve a Mesa “Em defesa do ensino público e gratuito: Barrar a imposição da EaD impulsionando o boicote! Em defesa do direito de ensinar, estudar e aprender!”, em que interveio Marcos Calazans, da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), e a Mesa “A precarização do trabalho dos professores com a implementação da EaD”, com o professor Rafael Abrunhosa, da Unesp.

Por fim, no dia 01/11, realizou-se a Mesa sobre “Currículo de Competências e BNCC”, com os professores Rafael Abrunhosa, da Unesp, e Alcimar Silva de Queiroz, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), e em seguida a Mesa "Romper com os muros das universidades e escolas a serviço do povo: Lutar pelo cancelamento do ano letivo e adiamento do Enem!", da qual participaram o Movimento Classista dos Trabalhadores da Educação (Moclate), o Centro Acadêmico da Escola de Química da Universidade de Campinas (Caeq) e representantes da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

Igor Mendes foi o convidado para a Mesa sobre a situação política nacional, realizada no primeiro dia da 40ª edição do ENEPe

Uma das mesas de discussão em que os estudantes debatem os temas do Encontro

ATIVIDADES CULTURAIS

Além das palestras, mesas de discussão e apresentação de trabalhos acadêmicos, o ENEPe também é repleto de atividades culturais durante todo o dia, e é comum, por exemplo, que nos intervalos os estudantes toquem e cantem canções de engajamento e de exaltação às lutas do povo. 

Ao final de cada dia, há uma atividade cultural organizada também para que todos os presentes possam descontrair e se conhecerem, como shows e saraus de música. Nesta edição, bandas de estudantes como a Terravante, Guego e Dora se apresentaram, e no primeiro dia houve o lançamento do livro Essa Indescritível Liberdade, escrito por Igor Mendes, em que discutiu-se em torno do papel da arte e da história do povo na literatura e na cultura popular de forma geral.

Apresentação da banda Terravante, na atividade cultural do 3º dia do Encontro

Faixas com consignas combativas foram penduradas nas paredes

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