USA: Os dólares e coturnos por trás do Poder político

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Publicado em AND 236, edição corrente a venda nas bancas e com os comitês de apoio pelo Brasil.

Em novembro de 2020 se repete a farsa eleitoral ianque, momento em que a relação promíscua entre o capital financeiro e o Estado do país hegemônico imperialista se escancara por meio das doações multimilionárias dos maiores biliardários do mundo aos fundos eleitorais dos candidatos. São um conjunto de corporações de enorme poder, oriundas do ramo petrolífero, dos grandes banqueiros e “senhores da guerra”, que convergem para definir, entre pugnas e conchavos, o novo cabeça do imperialismo que conduzirá o país no rumo dos interesses dessas corporações.

Joe Biden ou Donald Trump, “democrata” ou “republicano”, terá que cumprir as novas tarefas reacionárias que se apresentam diante dessa crise sem precedentes. Dentre elas, a de que apenas por meio de um domínio ímpar das fontes e rotas mundiais energéticas e de outras matérias-primas poderão os imperialistas ianques enfrentar a colossal crise econômica, social, política e moral que ameaça explodir todo o sistema capitalista.

Cercado de militares, Donal Trump assina a lei que aumenta os gastos destinados ao complexo industrial-militarCercado de militares, Donal Trump assina a lei que aumenta os gastos destinados ao complexo industrial-militar - Casa Branca/Stephanie Chasez

Quem paga as onerosas campanhas e por quê

Para garantir a maior fatia do mundo em frangalhos, os monopólios vinculam-se a um ou outro candidato (ou mais de um) através dos “Super PACs” (“Comitê de Ação Política”)1, uma organização 5072 que funciona como fundos ocultos, independentes das campanhas oficiais dos candidatos, que arrecadam valores ilimitados de corporações, sindicatos, associações e indivíduos, muitas vezes superiores aos das campanhas oficiais, e não são obrigados a informar a origem desse dinheiro.

De acordo com matérias dos monopólios de imprensa Forbes e New York Times (NYT), a campanha de Biden já arrecadara, até agosto de 2020, o equivalente a 990 milhões de dólares e, só em setembro, quebrou o recorde de arrecadação com 383 milhões de dólares! Se analisarmos os ilustríssimos senhores que fizeram grandes doações, achamos nomes como Connie Ballmer (esposa do antigo Diretor Executivo da Microsoft, Steve Ballmer), Laurene Powell Jobs (viúva de Steve Jobs, falecido magnata da Apple), Dustin Moskovitz (cofundador do Facebook) e Eric Schmidt (antigo presidente do Google), todos ligados aos principais monopólios e trustes da atualidade.

Eric Schmidt, inclusive, em 2016 se tornou líder do Conselho de Inovação em Defesa do Pentágono (conselho do qual o fundador da Amazon, Jeff Bezos, participara no passado). Microsoft, Apple, Facebook, Amazon e Google, as “Grandes Cinco”, são consideradas pelo Estado ianque indispensáveis para a “segurança nacional”, devido à obtenção de dados privados e privilegiados das massas de todo o mundo que elas realizam. Essas grandes corporações, por sua vez, lucram com as tecnologias e pesquisas militares cedidas a elas pelo serviço prestado, cujo exemplo mais nítido é o reconhecimento facial, de origem e para fins militares, incorporado aos smartphones). Naturalmente, toda essa mútua relação entre os aparatos do Estado imperialista e tais megacorporações monopolistas são mediadas pelas eleições, pelos governos de turno e, consequentemente, pelas escusas relações entre estes e as corporações.

Além dos nomes relacionados à tecnologia informacional, na campanha de Biden há, à título de exemplo, Judy Dimon (esposa de Jamie Dimon, presidente do maior banco do USA, o JPMorgan Chase, que conforma, nada mais, nada menos que o Conselho da Associação do Exército ianque!), e Eli Broad (Diretor da The Broad Foundations, cujo um dos projetos é “desvincular” 50% das escolas públicas de Los Angeles e torná-las instituições com fins lucrativos). Há também Daniel Och, especulador financeiro envolvido em um dos maiores escândalos de propina do mundo: a empresa Och-Ziff Capital Management, da qual é dono, ajudou o empresário Dan Gertler, sionista que financia o Exército de Israel, a subornar servidores públicos da República Democrática do Congo para ter acesso privilegiado a negócios de mineração, gás natural e petróleo.

Entre as personalidades que apoiam Biden na organização de sua campanha eleitoral está Steve Ricchetti, que passou anos como lobista registrado, e é pago tanto pela campanha do Partido Democrata como pela AT&T, monopólio das telecomunicações ianque. Além disso, a chefe de estratégia da campanha de Biden, Anita Dunn, trabalhava para a AT&T até setembro de 2020, de acordo com informações do NYT.

A AT&T já se envolveu em escândalos com documentos vazados que revelaram que o monopólio havia criado uma sala secreta em um escritório para dar à Agência de Segurança Nacional (NSA) acesso aos seus cabos de fibra óptica de internet. Avril Haines, antiga funcionária da CIA e da NSA durante a administração Obama, e ex-consultora da empresa de análise de dados Palantir, também começou a trabalhar em setembro na equipe de transição de Biden. Digamos que o “democrata” está bem assessorado pelo que há de mais reacionário e poderoso no seio do imperialismo ianque.

Outro envolvido na campanha presidencial de Biden e participante ativo da política do Partido Democrata é Stuart Eizenstat, conselheiro principal de política interna da Casa Branca durante a administração de Jimmy Carter (1977-1981), além de Conselheiro Especial sobre Questões do Holocausto durante a administração de Barack Obama (2009-2017). Como advogado, Eizenstat representou monopólios de combustíveis fósseis como a Shell, bem como empresas relacionadas à pasta de Defesa como a Caterpillar, Raytheon, BAE Systems, Boeing, entre outras.

Em 2012, Eizenstat fez lobby junto ao Congresso e ao governo Obama para a Caterpillar sobre “as relações do governo do USA relativas a um relatório do Relator Especial das Nações Unidas para os Territórios Palestinos”. A Caterpillar é responsável pela venda de escavadeiras a Israel que, por sua vez, as utilizam para matar palestinos e demolir as suas casas.

Os ‘amigos’ de Donald Trump

No caso do “republicano” Donald Trump, mais de 1,3 bilhão de dólares já foi arrecadado por sua campanha e, dentre os investidores estão Peter Thiel, cuja empresa Palantir Technologies tem 12 instituições do governo como clientes, dentre elas o Departamento Federal de Investigação (FBI), a CIA, a NSA e as Forças Armadas. Tal monopólio apoia ainda o desenvolvimento de tecnologias de Inteligência Artificial em conjunto com o Exército genocida.

Há outros grandes magnatas relacionados ao complexo industrial-militar, como Charles B. Johnson (ex-Diretor Executivo da Franklin Templeton Investments, um fundo de investimentos avaliado em mais de 700 bilhões de dólares que administra 200 milhões de dólares de empresas fabricantes de armamento), Linden Blue (co-fundador da General Atomics, fabricante de drones de guerra para o imperialismo ianque), entre outros.

Além disso, como barganha para a sua reeleição em 2020, Trump aumentou os gastos em Defesa concedidos ao Pentágono (sede do Departamento de Defesa ianque) por três anos consecutivos. No ano passado, o Pentágono divulgou sua maior solicitação de orçamento de todos os tempos, encaminhada diretamente por Trump ao Congresso ianque. Segundo tal orçamento, 718 bilhões de dólares seriam destinados à instituição belicista, como confirmado por um agente militar do USA para a revista Foreign Policy.

O aumento dos gastos com “defesa nacional” (na verdade gastos com a guerra imperialista mundo afora) acompanha cortes significativos para as áreas de educação, saúde e serviços sociais em geral. Ou seja, em detrimento dos interesses das massas populares.

Neste mesmo ano, em uma reunião com seus principais apoiadores em seu resort na Flórida, Trump gabou-se de que os gastos do Pentágono havia aumentado “em 2,5 trilhões de dólares durante seu governo”.

Entre os gastos destinados ao Pentágono está a pretensão do presidente ultrarreacionário de utilizar um financiamento adicional de 7,2 bilhões de dólares para terminar de construir o muro na fronteira com o México, cinco vezes a mais do que o Congresso havia autorizado. O Pentágono e Trump também concederam contratos que totalizavam o montante de 1,6 bilhões de dólares para a construção de parte do muro à Fisher Sand and Gravel, uma empresa monopolista do ramo de construção cujo dono é um dos apoiadores de Trump.

A militarização extrema do Poder político

O orçamento cada vez mais elevado do Pentágono, os gastos exorbitantes na construção do muro na fronteira contra os desejos do Congresso, que nada pode fazer diante de um governo fantoche do Pentágono e enganchado nas baionetas (e sua impotência se demonstra em mil fatos) torna evidente o processo de concentração de Poder no Executivo. Mais precisamente: concentração cada vez maior, em última instância, nas mãos dos altos postos militares, sua sujeição a eles. Trata-se da militarização extrema do Poder político e restrição de todos os direitos democráticos ao nível aceitável para as classes dominantes.

Todo o apresentado anteriormente pode ser resumido na frase de Marx e Engels, no Manifesto do Partido Comunista, de que o Estado é “um comitê comum para gerir os negócios da burguesia” e, mais exata ainda é a frase de Lenin, grafada em Imperialismo, fase superior do capitalismo, de que os monopolistas roubaram a liberdade dos cidadãos e converteram seus países em cárcere de operários: “O imperialismo é violência e reação em toda linha”.

Notas:

  1. Os Super PACs são um tipo de comitê que surgiu após a decisão do tribunal federal em 2010, durante o governo de turno Obama. De acordo com o OpenSecrets.Org, até 16 de outubro de 2020, 2.186 grupos organizados como Super PACs relataram receitas totais de 1,9 bilhão dólares no período de 2020.
  2. De acordo com o livro “A Compra do Presidente”, 2004, do jornalista Charles Lewis, as Organizações 507 tratam-se de instituições “sem fins lucrativos” ou com fins supostamente sociais que não estão sujeitas aos limites da legislação eleitoral.

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