Iraque: Centenas protestam pela saída das forças ianques e contra o governo fantoche

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Manifestantes se reúnem próximo à ponte Joumhouriya, que leva ao complexo militar da Zona Verde, onde está a maioria das forças do USA no Iraque. Foto: Khalid Mohammed

No dia 7 de novembro, em meio ao furor causado pela farsa eleitoral no Estados Unidos (USA), as massas iraquianas foram às ruas da capital nacional, Bagdá, para exigir a retirada de todas as forças do imperialismo ianque do país. Em janeiro, o Parlamento fantoche iraquiano havia votado a favor da saída dos ianques do país em sequência a combativos protestos de massas, que agora demandam que a decisão seja levada a cabo.  

Os manifestantes se reuniram perto do complexo da Zona Verde de Bagdá, onde está localizada a principal base militar do USA no país, e do próprio exército iraquiano, além da embaixada ianque e outras missões estrangeiras. 

Em um dos cartazes divulgados pelo monopólio de imprensa saudita Arab News, lia-se: Vamos escolher a Resistência se o voto do parlamento não for ratificado!, e Saiam ou nós os faremos sair!, em outro.

Outros manifestantes carregavam cartazes com símbolos das Hashed Al-Shaabi (Forças de Mobilização Popular), uma rede de milícias xiitas apoiadas sobretudo pelo vizinho Irã, que vem realizando uma série de ataques de foguete contra as bases ianques no Iraque desde o ano passado. 

A indignação popular é também fruto da ingerência completa do governo fantoche, submisso à intervenção estrangeira no país, que causou protestos massivos antigovernamentais em outubro de 2019. Recentemente, no dia 25/10, os iraquianos novamente tomaram as ruas de diversas cidades para celebrarem o aniversário de um ano desse movimento. 

Nesta ocasião, os manifestantes em Bagdá também marcharam até a Zona Verde, evidenciando a origem da sua revolta, e encararam com combatividade as forças da repressão, que utilizou gás lacrimogêneo e canhões de água para tentar impedi-los de atravessar a ponte Jumhuriya, que leva à Zona Verde fortificada. Pelo menos 39 pessoas ficaram feridas, das quais 32 eram militares atingidos por granadas de mão lançadas por um grupo de manifestantes. 

O 'Plano biden' parA a INTERVENÇÃO NO IRAQUE 

A mais recente intervenção do imperialismo ianque no Iraque teve início em 2014, quando milhares de soldados foram enviados para liderar uma coalizão internacional sob a suposta finalidade de combater o autoproclamado Estado Islâmico (EI). Hoje, esse contingente foi reduzido para cerca de 3 mil soldados, que permanecem no país.  

Desde outubro de 2019, tiveram início ataques contra as bases onde estão alocadas as forças estrangeiras no Iraque, que apenas se intensificaram após o USA ordenar um bombardeio contra Bagdá, em janeiro, que matou o general iraniano Qasem Soleimani e o vice-chefe das Hashed Al-Shaabi. Em meados desse ano, se acentuaram os ataques principalmente contra comboios de logística da coalizão liderada pelo USA que, em setembro, decidiu pelo fechamento da sua embaixada em Bagdá e acentuar sua repressão às ações das milícias xiitas. Em outubro, foi acordado um cessar-fogo, em que os ataques a foguete cessaram, sob a exigência de que as tropas ianques deixassem o país.

No entanto, o que as massas iraquianas pressentem é que, com a eleição de Joe Biden para a gerência do imperialismo ianque, a intervenção imperialista no Iraque se recrudesça, em comparação com a política de Trump de ordenar a saída progressiva de tropas do país, e aplicar desenfreadamente sanções políticas e econômicas.

Quando senador, em 2002 Biden votou a favor da invasão do Iraque pelo USA, e em 2006 o "democrata" apresentou um plano de preparação para a retirada das tropas ianques do país que foi chamado, inclusive, de "Plano Biden-Gelp". Segundo a reportagem do The Intercept intitulada “O plano de Joe Biden de dividir o Iraque teria desencadeado o caos”, de 2019, o projeto de Biden visava a divisão do país asiático em três regiões segregadas para os principais grupos étnico-religiosos do país (árabes xiitas, árabes sunitas e curdos).

À época, a proposta foi ridicularizada e comparada com o que ocorreu após a imposição de divisões similares na Bósnia e no Líbano (pelo colonialismo francês), mas apesar disso Biden continua a defendê-la até hoje. Nas palavras de Marc Lynch, professor na Universidade George Washington, ao propor essa partição do Iraque, “Biden conseguiu simultaneamente: enfurecer quase todos os iraquianos, que quase unanimemente condenaram o resolução, assim como os aliados árabes do USA".

Lynche diz ainda que essa divisão "significaria na verdade um envolvimento pesado e ativo das tropas do USA na facilitação da 'transferência' de pessoas e um compromisso militar de longo prazo para proteger as novas entidades (especialmente os curdos). Simultaneamente exacerbaria o conflito xiita-sunita e aumentaria a influência iraniana nas áreas xiitas. Isso enfureceria os sunitas que se apegam ferozmente ao princípio de um estado unificado e alimenta as tendências mais radicais nessas áreas, ao mesmo tempo que enfraquece um líder mais moderado". 

Em suma, o plano de Biden para o Iraque era o de gerar desestabilização interna e dependência do governo fantoche do país ao imperialismo ianque, tornando "necessário" o contínuo envolvimento do USA na administração nacional.

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