AP: Povo se revolta contra falta de energia e repele repressão da PM

Protestos ocorreram em várias partes do estado do Amapá, contra apagão geral. Foto: Dayane Oliveira  / @dayoliveiraj

Moradores de 14 das 16 cidades do estado do Amapá, na região Norte do país, sofrem desde o dia 3 de novembro com uma apagão geral causado por um incêndio na principal subestação do estado. Após quase uma semana sem luz e sem respostas dos governos, as massas foram às ruas protestar, erguendo e incendiando barricadas durante as madrugadas do fim de semana dos dias 7 e 8 de novembro. Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e a Ronda Ostensiva Tática Motorizada (Rotam) da Polícia Militar (PM) do Amapá foram enviados para reprimir os manifestantes que exigiam um direito básico: energia elétrica.

Forças de repressão foram enviadas para combater multidão revoltada. Foto: Dayane Oliveira  / @dayoliveiraj 


Policiais reprimem manifestantes que lutam por comida e outros direitos básicos. Foto: Dayane Oliveira  / @dayoliveiraj 

Os militares dispararam balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral contra pessoas, que protestavam nas cidades que estão na total escuridão.

Na periferia de Macapá, capital do estado, foi onde ocorreu os principais protestos e a maior repressão da PM, que recebeu aval do governo do estado para agir com truculência contra os atos; houveram manifestações nos bairro do Congós, Habitacional Jardim Açucena, Pedrinhas, Muca e outros, todos localizados na região Sul de Macapá, que é onde se localizam as populações de baixa renda. Também aconteceram protestos nas cidades de Santana e Mazagão. Pelo 22 manifestações ocorreram nas duas cidades, a maior parte delas com interrupção de vias e rodovias e queima de pneus.

"À noite recebemos um vizinho, ele falou que estava acontecendo uma manifestação e que os moradores estavam revoltados com essa situação, estavam queimando objetos. Fomos olhar e acabamos ajudando os participantes. Com isso, a Rotam chegou e começou a atirar balas de borracha. Tinha família com criança de colo. Todos correram, e eles continuaram atirando", contou a professora Benedita Alves.

"Estamos reivindicando porque não aguentamos mais. Não sabemos mais o que fazer. Estamos sem luz, sem internet, sem comunicação. Isso não é justo. Para uns tem, para outros não tem”, disse a dona de casa Marta Lúcia Moraes.

A gente não pode se calar. Não podemos aceitar isso que estão querendo impor para nós. Temos de ir pra rua manifestar, ir atrás dos nossos direitos. Nossos alimentos estão acabando, estragando ”, esbravejou Juliana de Jesus, de 28 anos, durante um protesto no bairro Remédios II, em Santana.


Moradores resistem a repressão da PM em protesto contra falta de energia e água, no Amapá. Foto: Dayane Oliveira  / @dayoliveiraj

A revolta dos trabalhadores acontece por conta da não solução dada nem pelo governo do estado e nem pelo federal, já são sete dias de apagão. Com a falta de energia, os trabalhadores também têm enfrentado a falta de água, falta de alimentos, alta nos preços, além de enfrentarem o intenso calor da região sem poder utilizar ventiladores e ar-condicionados. As altas temperaturas atraem diversos pernilongos para dentro da casas dos moradores, como os mosquitos borrachudos da Amazônia, conhecidos como carapanãs, que fazem da noite dos amapaenses um inferno.

Outra situação que causa revolta é o "rodízio" de fornecimento de energia que tem sido feito pelo governo reacionário do Amapá que, segundo denunciam moradores, tem beneficiados somente os ricos e deixado as populações pobres à mercê.

"Existe uma contradição muito grande e revoltante, que ocasionou diversas manifestações na cidade: o fato de locais terem energia 24 horas, onde não há comprovação de que exista estabelecimentos que careçam de energia 24 horas. É o caso de condomínios da Zona Sul, como o Condomínio Mônaco e San Marino, que são condomínios fechados, onde mora a elite local. Nesses locais têm energia 24 horas. São lugares onde moram desembargadores, juízes", denunciou Marta Silva, moradora de Macapá, ao jornal Brasil de Fato.

Outras denuncias dão conta de que, para os bairros pobres e periféricos, nem o sistema de rodízio de 6h com energia e 6h sem energia, está sendo cumprido. Os relatos são de somente 2h ou 3h de luz para as comunidades pobres. Essa condição, covardemente imposta aos trabalhadores do Amapá, tem gerado uma justa revolta da população contra todo o descaso do velho Estado.


Trabalhadores enfrentam policiais, no Amapá. Foto: Dayane Oliveira  / @dayoliveiraj 

A concessionária responsável pela subestação que sofreu o incêndio é a Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LMTE), que pertencia à multinacional espanhola Isolux, que entrou em recuperação judicial, e hoje se chama Gemini Energy. A Gemini Energy detém 85,04% de participação na linha, e 14,96% são da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), autarquia do governo federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). A Gemini Energy, por sua vez, tem como sócios os fundos de investimento estrangeiro Starboard, com 80%, e a Perfin, com 20%. A participação da Starboard se dá pelo fundo Power Fip, e a da Perfin, pelo fundo Apollo 14 Fip. Já a participação da Sudam se dá pela conversão de seis parcelas de debêntures em ações. Buscando diminuir os custos e maximizar os lucros, tais monopólios estrangeiros do ramo energético degradam a qualidade do serviço e da infra-estrutura, deixando as massas do Amapá sem o básico. Tal é o retrato da dominação imperialista.

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