Subestação do Amapá operava no limite há dois anos e risco de apagão foi ignorado

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Órgãos do velho Estado já sabiam de risco de acidentes na estação de energia que pegou fogo no Amapá. Foto: Reprodução

Segundo documentos divulgados pelo Ministério de Minas e Energia (MME), do Operador Nacional do Sistema (ONS) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os responsáveis por planejar, dar os comandos de operação e fiscalizar o sistema de abastecimento do país já sabiam dos riscos e das péssimas condições de funcionamento da subestação que entrou em colapso e gerou o blecaute que atinge o Amapá desde o dia 3 de novembro.

O risco já havia sido sinalizado ao ONS há cerca de 11 meses. O documento apontou que além de operar no limite a subestação não tinha condições de religar rapidamente se dependesse de um transformador sobressalente, como um "Backup".

Segundo divulgação do monopólio de imprensa Valor, há um relatório apontando que um dos problemas com a segurança da linha pode ter acontecido ainda no começo do projeto, antes da contratação da empresa privada Espanhola Isolux em 2004. A empresa, por sua vez, tem histórico de maus serviços prestados em outros países. O comitê técnico de expansão da transmissão do MME já sinalizava a necessidade de a SE Macapá ter "três transformadores trifásicos de 230/69/13,8 Kv-150 MVA e uma unidade reserva".

Preliminares apontaram a necessidade de se instalar quatro grandes transformadores na subestação e três deles deveriam operar em conjunto para que não houvesse sobrecarga, e o quarto, de backup. O documento do Ministério tratava de estudos da Interligação Tucuruí-Macapá-Manaus.

Segundo o diretor do Sindicato dos Urbanitários do Maranhão (STIU/MA), Wellington Diniz, em 2014, a Isolux deu um prejuízo de 476 milhões de dólares ao estado estadunidense de Indiana, onde também prestava serviços, e agora dá prejuízo ao Brasil e ao povo do Amapá.

O projeto teve contratação em leilão da Aneel, em 2008. O edital exigiu apenas que a subestação reservasse “espaço” para abrigar quatro transformadores, mas só três deveriam ser adquiridos para “instalação imediata”. Em junho de 2018, o ONS, em apresentação relacionada ao Plano de Ação 2018-2020, apontou como "ação não concluída" a alteração do projeto licitado. O objetivo era abrir caminho para a instalação do quarto transformador. No documento, o órgão reconhece, portanto, que essa era de fato uma necessidade da rede local.

No blecaute do dia 3, houve uma explosão de um transformador que atingiu o segundo em funcionamento naquele momento. A recomposição do sistema de abastecimento não foi possível já que o único transformador de backup, o terceiro, estava em manutenção desde o fim de 2019. No mesmo ano, a Aneel autorizou que a usina termelétrica da Eletronorte, UTE Santana, que atendia ao Amapá, fosse desligada, causando vulnerabilidade da rede de transmissão, o Amapá passaria a contar com outra limitação de Backup.

Relatórios mais recentes do ONS referentes ao acompanhamento mensal da “triagem de ocorrências e perturbações” mostram que, no fim de 2019, o operador tinha conhecimento da indisponibilidade do terceiro transformador na SE Macapá.

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