Diante de execução covarde, povo se enfurece e destrói lojas do Carrefour

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No dia 20 de novembro (o Dia do Povo Preto), milhares de pessoas, em diversas cidades do Brasil, tomaram as ruas em revolta contra o assassinato brutal de um homem preto por dois seguranças, um deles policial militar temporário, dentro das instalações do hipermercado francês Carrefour, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. O homem, João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, aposentado por invalidez, foi espancado até a morte na noite de 19 porque teria destratado uma funcionária.

Em Porto Alegre, nos mesmos dia e supermercado onde aconteceu o assassinato de João, centenas de manifestantes marcharam até o local. Lá, por volta das 19h, os manifestantes conseguiram abrir o portão de entrada, fechado com correntes e cadeado, e adentraram o estacionamento do local e destruíram a instalação interna, atirando fogos de artifício contra os policiais de dentro do local. Unidades dos supermercados Asun e Zaffari, situadas na mesma avenida, também foram atacadas. 

A Brigada Militar (BM) tentou reprimir com gás lacrimogêneo e balas de borracha, sem conseguir, no entanto, amedrontar o povo enfurecido. Vários manifestantes foram feridos. Em resposta, as massas jogaram pedras contra os agentes de repressão, que tentavam defender a corporação responsável pela morte do trabalhador. Vários focos de incêndio foram iniciados e uma viatura da BM foi destruída.

A multidão revoltada lançava palavras de ordem, tais como: Acabou o amor, isso aqui vai virar Palmares! e Racistas, fascistas, não passarão!

Um milhar de quilômetros dali, na cidade de São Paulo, cerca de 600 pessoas, indignadas com a situação odiosa, protestaram em frente a uma loja Carrefour. 

O povo expressou seu ódio com a execução de João atirando objetos contra a fachada da loja sediada na rua Pamplona, uma das áreas mais ricas da cidade. Em seguida, os populares tomaram o local, confiscaram produtos e atearam fogo no interior do supermercado.

No Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte também ocorreram manifestações contra o assassinato covarde de João Alberto, reunindo, em cada uma, centenas de pessoas rapidamente mobilizadas por tal caso. Em Fortaleza, a manifestação foi dispersada pela polícia com balas de borracha e spray de pimenta. 

De acordo com sua esposa, Milena Borges Alves, de 43 anos, cuidadora de idosos, João Alberto era “apaixonado por futebol, brincalhão e família”. Ele foi aposentado por invalidez após fraturar o fêmur e dois dedos trabalhando no Aeroporto Salgado filho, há dez anos atrás. Ele não tinha filhos, mas tratava a enteada como tal, relata Milena.

Sua companheira conta que durante a agressão foi tentar ajudar seu marido, mas que o segurança a empurrou. “A última coisa que ele falou pra mim foi: ‘Milena, me ajuda”, conta.

Veja aqui imagens dos protestos em Porto Alegre e São Paulo:


Manifestantes incendiaram uma viatura em Porto Alegre. Foto: Diego Varas/ Reuters.


Manifestantes ateiam fogo às instalações do Carrefour em Porto Alegre. Foto: Mauro Schaefer.


Multidões protestaram no local onde foi assassinado João Alberto em Porto Alegre. Foto: Gabriel Guedes.


Gôndulas foram derrubadas em São Paulo. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo.


Manifestantes atearam fogo no interior da loja no Jardins, bairro rico de São Paulo Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo.


Manifestante chuta porta onde está escrito "bem-vindo" em São Paulo. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo.

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