DF: Vigoroso ato no Dia do Povo Preto denuncia racismo e a velha ordem


Concentração do Ato na Praça Zumbi dos Palmares, Região Central de Brasília. Fonte: Comitê de Apoio ao AND - DF

No fim da tarde do dia 20 de novembro, em um ato inicialmente chamado pela Frente Distrital Pelo Desencarceramento, se reuniram aproximadamente 150 pessoas na Praça Zumbi dos Palmares, na região Central de Brasília, a fim de utilizar a data do Dia do Povo Preto para chamar a atenção da população do Distrito Federal acerca da atual situação de encarceramento em massa da população negra no DF e em todo o Brasil; segundo a Frente, 80% das pessoas detidas no Complexo Prisional da Papuda são Negras ou Pardas, e, entre essas, cerca de 40% ainda aguardam julgamento. O ato contou a participação de diversos movimentos sociais e coletivos voltados para a questão do Racismo e do massacre do povo preto e pobre no Brasil.

Mas, a proposta do ato foi expandida e ganhou novos ânimos devido ao covarde assassinato de Beto Freitas, homem de 40 anos morto um dia antes por dois vigilantes brancos em uma unidade da Rede Multinacional de Supermercados (Francesa) Carrefour, situada na cidade de Porto Alegre – RS.

Durante a Concentração do Ato, representantes das diversas organizações presentes fizeram falas com alusão ao dia Dia do Povo Preto e principalmente em denuncia aos constantes crimes cometidos pelo velho Estado brasileiro contra a população negra trabalhadora, objetivando atingir os transeuntes que passavam pelo local no horário de fim de expediente enquanto voltavam para suas casas na periferia do Distrito Federal.

Após o fim das falas, os presentes no Ato decidiram seguir em caminhada pelas vias da região central de Brasília em direção à unidade do Carrefour situada na Quadra 402 Sul. O ato seguiu vibrante durante todo o trajeto, bradando palavras de ordem contra o genocídio do povo preto trabalhador, contra a Polícia Militar e, principalmente, em memoria de Beto Freitas e vários outros Negros e Negras assassinados pelo Estado brasileiro nos últimos anos.

Ato seguindo pelas Vias do Centro de Brasília em direção ao Carrefour da 402 Sul. Fonte: Comitê de Apoio ao AND - DF

Quando o Ato chegou em frente a referida unidade da Rede Multinacional de Supermercados, o mesmo já se encontrava fechado (mesmo sendo de funcionamento 24 horas), certamente visando reduzir a visibilidade do Ato em denuncia que afeta diretamente a instituição. A Polícia Militar do Distrito Federal, que observava o Ato desde sua concentração, cumprindo seu nefasto papel de sempre agir em defesa das classes dominantes, realizou uma espécie de cordão de isolamento em frente o supermercado, objetivando claramente proteger suas instalações, uma clara ação em defesa dos interesses de uma multinacional há tempos marcada por ações de desrespeito a diversos trabalhadores pobres e negros do país.

Quando um grupo de manifestantes tentou colar cartazes contendo denuncias contra a rede de supermercados na fachada da loja, os policiais impediram a ação, o que causou pequeno princípio de tumulto e aumentou significativamente os ânimos dos manifestantes presentes, que passaram a proferir uma série de palavras de ordem contra a PM, como: Não acabou, tem acabar, eu quero o fim da Polícia Militar!, e, Que vergonha deve ser, matar trabalhador para ter o que comer! Em determinado momento, foi entoado por duas vezes o refrão da conhecida canção revolucionária que diz: O risco que corre o pau corre o machado, não há o que temer. Aqueles que mandam matar também tem que morrer!


Policiais realizando a guarda da frente da unidade do Carrefour da 402 Sul. Fonte: Comitê de Apoio ao AND - DF

Diante da situação, houve um descomunal acúmulo de policiais no local, com diversas viaturas chegando a todo instante, até que em determinado momento houve um cerco aos manifestantes. Muitos policiais portavam sprays de pimenta, bombas de efeito moral e espingardas municiadas com bala de borracha prontas a reprimir o ato.

Por sua vez, os manifestantes resolveram por retornar em caminhada até o local da concentração do Ato, e, de lá, realizarem uma dispersão mais segura, uma vez que o local onde é situada a unidade do Carrefour fica em região pouco movimentada da área central da cidade. O ato se dispersou sem maiores problemas, mas, evidenciou a profunda subserviência das forças policiais do estado para com os “bens” da classes dominantes.

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