Colômbia: Nova jornada de protestos sacode o país!

Manifestantes confrontam a polícia em Cali, em 19/11/2020. Fonte: elcomuneroprensa.wordpress

Entre os dias 19 e 23 de novembro, uma nova jornada de protestos ocorreu na Colômbia, protagonizada pela juventude combativa, em comemoração a um ano de grandes manifestações contra toda a velha ordem de exploração e opressão, que se iniciaram no dia 21 de novembro de 2019.

No dia 19/11, manifestantes tomaram as ruas de pelo menos 25 das maiores cidades do país. Na cidade de Cali, em específico, estudantes tentaram tomar a Universidade do Valle em defesa da educação superior pública e de qualidade no país – um dos motivos pelos quais haviam se iniciado os protestos em 2019. 

Tendo seu direito de lutar por uma educação melhor negado, o Esquadrão Móvel Antidistúrbios (conhecida pela sigla em espanhol, Esmad) reprimiu os estudantes com bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, além de jatos d’água. Contra a repressão desmedida, os estudantes responderam combativamente com coquetéis molotov, pedras e as chamadas “papas bombas” (em espanhol) ou “bombas de batata” (amontoados de pólvora misturada com outros componentes químicos, enroladas em papel alumínio, que parecem batatas assadas). 

Ao final do protesto na universidade, 10 estudantes foram detidos e dois membros do esquadrão de choque da polícia foram feridos.

Manifestantes confrontam a polícia em Cali, em 19/11/2020.  Atrás, uma pichação que diz: Nem um morto a mais! Sabemos nos defender! Assassine um policial. Fonte: elcomuneroprensa.wordpress

No dia 21/11, data oficial do aniversário de um ano, uma marcha multitudinária tomou lugar em Bogotá (Capital). Os manifestantes, além da comemoração, exigiam uma renda mínima durante a grave crise econômica e sanitária agravada pelo novo coronavírus. 

Durante a marcha, os manifestantes, sofrendo provocações e violências da polícia, reagiram atacando com chutes uma viatura quando o protesto passava próximo à Universidade Nacional. Também, outra viatura foi apedrejada e policiais que reprimiam a manifestação foram atacados pelas massas rebeladas.

Outro evento que completou um ano, no dia 23/11, foi o assassinato de um jovem manifestante de 18 anos, Dylan Cruz, em Bogotá, por um membro do Esmad com um disparo de uma espingarda de calibre 12, cuja munição era um saco com “várias pastilhas de chumbo”. Em memória de Dylan e em rechaço à polícia reacionária e assassina, foram realizadas diversas marchas e protestos.

Em Medellín, manifestantes se reuniram no Parque do Bicentenário e realizaram atos simbólicos que reivindicaram e honraram a memória de Dylan e outras diversas pessoas que foram assassinadas covardemente pelo velho Estado ao longo da história colombiana.

A ocasião também foi utilizada para denunciar a repressão e perseguição sofrida por alguns ativistas da cidade. Vários jovens ativistas e estudantes tiveram suas casas invadidas pela polícia nas primeiras horas da manhã daquele mesmo dia, com a intenção de procurar "coisas alusivas a protestos, grupos ou partidos políticos". Entre os objetos que foram usados como "evidência" contra um dos estudantes que teve sua casa invadida estavam três livros sobre a segunda grande guerra imperialista: Auschwitz, SS General e Treblinka. Seis deles foram detidos ilegalmente naquela manhã e só foram liberados no dia seguinte.

Em Bogotá, várias mobilizações também foram realizadas ao longo do dia; a maioria delas ocorreu no local onde Dylan foi morto. Em um dos atos, a prefeita Claudia López apareceu e a reação das massas foi de completo rechaço: os manifestantes gritaram coisas como Assassina!Quem deu a ordem?!Politiqueira!. López teve que deixar o local protegida por seus funcionários.

Manifestantes se protegem de um jato d'água em Cali, em 19/11/2020. Fonte: elcomuneroprensa.wordpress.

Veja aqui o vídeo do dia 19/11 em Cali:

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