Índia: 200 milhões de camponeses marcham e ocupam Nova Déli

Uma grande marcha mobilizando mais de 200 milhões camponeses e trabalhadores, iniciada no dia 25 de novembro, está varrendo toda a Índia em direção à capital, Nova Déli. Eles protestam contra a nova lei imposta pelo governo de turno fascista, encabeçado por Narendra Modi, que impõe que a venda das produções dos camponeses seja tratada diretamente com multinacionais e grandes corporações, sem passar por subsídios e intermédio do governo. 

Tal medida impactará em uma queda ainda maior no preço das mercadorias produzidas pelos camponeses, gerando miséria ainda maior a eles e o reforço do controle desumado imposto pelo capital monopolista e latifundiário sobre os pequenos proprietários rurais. 

Jatos de água e gás lacrimogêneo, além de agressões com cassetetes, foram usados mais de uma vez contra a marcha durante seu percurso até a capital. Em um dos casos, no dia 25/11, os camponeses avançaram contra barricadas da polícia nos arredores da cidade de Kurukshetra. Mesmo com os jatos d'água, o grande número dos camponeses superou o poderio da reação, e continuou em seu caminho bravamente. 

Durante a marcha para Nova Déli, o filho de um dos camponeses que liderava a marcha, Navdeep, de 26 anos, foi acusado pelo velho Estado de tentativa de homicídio (que acarreta em pena máxima de prisão), além de motim e violação das leis sobre aglomeração. Seu “crime” foi subir em um dos caminhões de água da polícia e desativar o jato.

“Enquanto protestávamos, exigíamos passagem para Nova Déli, mas a polícia bloqueava a nossa passagem. Temos todo o direito de questionar o governo e protestar contra qualquer lei antipovo”, afirmou Navdeep ao monopólio de imprensa The Times of India.

Chegando à capital do país, no dia 27/11 os camponeses ocuparam avenidas e fecharam o tráfego. Desde então, protestos ocorreram em Nova Déli, como no dia 28, quando camponeses queimaram efígies do primeiro-ministro fascista, Narendra Modi, sob a palavra de ordem Abaixo Modi! Após esse dia, Nova Déli passou a ter uma maior militarização e presença das forças de repressão próximos da ocupação. Mesmo com forte presença das forças policiais, prisões arbitrárias e mais de 31 acusações legais infundadas contra os manifestantes, mais camponeses se juntaram aos protestos dia a dia.

 

Velho Estado ataca direito dos camponeses

Os protestos se dão devido à nova lei chamada de Lei do Comércio e Venda de Produtos Agrícolas de 2020. Essa lei, em essência, desmantela o Comitê de Mercado de Produtos Agrícolas, órgão do velho Estado cuja função seria exercer uma força no mercado para que os preços dos produtos camponeses não fossem muito abaixo. Tal política não era para proteger os camponeses, mas frear a ânsia incontrolável do grande capital que, se não imposto-lhe limite, elevaria a exploração dos camponeses a um nível perigoso, que pudesse alimentar a Revolução Agrária que acontece no país através da Guerra Popular, sob a direção do Partido Comunista da Índia (Maoista). Agora, todavia, tal “proteção” estatal foi desconstituída.

Outras mudanças na lei incluem também a possibilidade de os monopólios estocarem grandes quantidades de produtos para vender quando bem entenderem, o que pode levar à inflação, já que podem fazer com que uma grande quantidade de pessoas não encontrem disponíveis os produtos, aumentando o preço dos mesmos. Para os camponeses, os monopólios da grande burguesia e do latifúndio poderão impor os preços que comprarão os produtos, por serem monopólios.

Além disso, o monopólio da comunicação, aliado ao governo nessa medida, usou da xenofobia e islamofobia (mesmo a grande parte dos camponeses sendo da etnia Sikh) para deslegitimar o movimento camponês. O próprio fascista Narendra Modi saiu em desespero em defesa da lei no dia 30/11, e seu governo se ofereceu a “conversar” com os camponeses no dia 3 de dezembro, ao que eles se recusaram, afirmando que impor condições como o “fim das mobilizações” para que o governo dialogue é um insulto aos camponeses em luta.

"Nossas demandas não são negociáveis", disse uma das lideranças do movimento, afirmando que o partido no governo de turno "pagará um preço alto" se não atender às demandas dos camponeses, como informou o monopólio de imprensa indiano.

Camponeses em marcha para Nova Déli confrontam a polícia. Foto: Altaf Qadri/ Associated Press.

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