SP: Após um ano do massacre de Paraisópolis familiares vão as ruas cobrar justiça

Manifestação feita um dia após o massacre no beco na favela de Paraisópolis. Foto: Daniel Arroyo

No dia 01 de dezembro de 2019, nove jovens foram covardemente assassinados por Policiais Militares (PMs) na saída de um baile funk conhecido como “DZ7”, na favela de Paraisópolis, zona sul da capital paulista.

Um anos após o massacre, familiares das vítimas se reuniram no beco onde os jovens perderam a vida para homenageá-los e de lá seguiram para frente do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, para cobrar do governador reacionário João Doria (PSDB) as indenizações prometidas, que até hoje não saíram do papel, e a condenação dos PMs envolvidos na ação.

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Em volta do Palácio dos Bandeirantes, cercado e intimidado por forte aparato montado pelos PMs, os parentes das vítimas foram impedidos de protestar em frente ao Portão 2, local onde estava prevista a manifestação. A Polícia Militar bloqueou a avenida Morumbi, com homens do policiamento de trânsito, da Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (Rocam), da Guarda do Palácio e de policiais militares disfarçados conhecidos como "P2",que filmavam e fotografavam os manifestantes e os jornalistas. Guarnições do policiamento de Choque ficaram de prontidão caso houvesse necessidade de uma repressão direta aos familiares dos jovens mortos.

“Para que todo esse aparato policial contra as famílias? No caminho para cá, a gente ficou com medo de tirar uma foto do caminhão do Choque." disse ao site UOL, Vagner dos Santos, tio de Luara Victória de 18 anos (uma das vítimas do massacre). O Governo do Estado foi questionado sobre qual foi o contingente policial mobilizado para o protesto, mais não respondeu.

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impunidade

Cerca de 31 PMs envolvidos o massacre, até hoje não foram punidos. A Corregedoria da Polícia Militar chegou a pedir o arquivamento do caso, alegando que os policiais agiram em legítima defesa, mas de acordo com a promotora do Ministério Público responsável pelo ocorrido, Luciana Jordão, há indícios suficientes para denunciar parte dos policiais por homicídio doloso (quando há intenção de matar). Se a tese prosperar, diz a promotora, os PMs serão levados a júri popular. Os policiais alegaram que estavam em perseguição a uma moto e que participantes do baile os atacaram, porém testemunhas desmentem a versão e dizem que os agentes usaram de força para acabar com o baile. Na tentativa de dispersão, os jovens foram acuados em um beco e foi ali que ocorreram os assassinatos, denunciam às testemunhas.

De acordo com os laudos obtidos e revelados pelo site Folha, a causa das mortes apontada é asfixia mecânica provocada por sufocação indireta.

Os familiares refutam a hipótese de que os adolescentes tenham morrido pisoteados. Eles afirmam que os jovens foram mortos espancados pelos agentes.

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“Meu filho não foi pisoteado, não foi um acidente. Parem de dizer que aconteceu porque meu filho estava no lugar errado. Mortes violentas acontecem em igrejas, acontecem nos mercados, em todo lugar acontece." Relatou Adriana Regina dos Santos, mãe de Dennys Guilherme dos Santos Franco, morto aos 16 anos.

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Familiares cobram promessa não cumprida

Familiares das vítimas também cobraram as "promessas do governador" feitas em duas reuniões ainda em dezembro do ano passado. O sabujo Doria se comprometeu a criar uma comissão externa independente para acompanhamento das investigações e pagamento de indenizações às famílias das vítimas, ele começou a negociar, mas depois decidiu pagar somente ao final das investigações.

O governador se negou a receber as famílias e ofícios enviados pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) e pela Defensoria Pública do Estado pedindo uma reunião não foram respondidos.

As famílias prometem não parar de fazer manifestações no Palácio dos Bandeirantes até que seja feita Justiça no caso.

Guerra contra o povo

Em nota divulgada pela Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária – (UV- LJR) em dezembro de 2019 intitulada “PM/DORIA Assassinos e terroristas!”, os revolucionários dizem “O que se viu em Paraisópolis foi uma demonstração aberta do que são as forças de repressão desse velho Estado podre e o seu trato com as massas populares do nosso país. É importante pontuar que já algum tempo a PM de São Paulo vem atacando não só manifestações, mas todo tipo de aglomeração de massas que acontece no estado. E que depois vão a público querer vender a ideia de que estão fazendo isso para combater o tráfico, ou seja, uma bela piada de mau gosto!

Não podemos entender o ataque terrorista da PM ocorrido em Paraisópolis como fato isolado.  São diversos massacres não somente na periferia, mas também no campo que vem aumentando cada vez mais com o golpe contrarrevolucionário em marcha no nosso país. Todo movimento que o velho Estado faz no que chamam de “segurança pública” é para facilitar as condições de repressão das chamadas “forças de segurança” e endurecer as penas contra os supostos “criminosos”.

São declarações e mais declarações de bossais como Bolsonaro, Doria, Witzel e toda sorte de bandidos e canalhas encastelados no velho Estado dizendo que estão “combatendo o crime” para justificar essas operações criminosas na cidade e no campo, mas na verdade estão é com medo do futuro levantamento das massas em nosso país”.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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