Chile: Polícia queima manifestantes com jatos de água adulterada

Jatos d'água com gás lacrimogêneo líquido são lançados contra os manifestantes. Fonte: Piensa Prensa.

Nos recentes protestos contra o presidente de turno reacionário Sebastián Piñera que continuam a sacudir o país, no dia 27 de novembro, relatos de queimaduras graves causadas pelos jatos de água usados pela polícia na repressão às manifestações começaram a circular nos noticiários e na internet, por meio de denúncias dos manifestantes e transeuntes.

Apesar dessas denúncias terem ocorrido especificamente após o protesto do dia 27/11, sabe-se que a prática de alteração química da água para a repressão policial acontece desde o início dos protestos, há mais de um ano.

Durante o protesto do dia 27/10, um casal que estacionava o carro, próximos ao protesto multitudinário em Santiago, foram atingidos por jatos de água da repressão. Logo após serem atingidos, começaram a exclamar:  “Estou queimando, meu rosto está queimando, isso queima!”, disse o casal aos jornalistas do jornal independente Piensa Prensa.

O casal informou ao jornal que o jato de água estava próximo do veículo, tendo-os atingido enquanto o casal estava dentro do carro, com as janelas abertas.

Também, no mesmo dia, o fotógrafo José Tomás Donoso havia sido atingido pelo jato de água durante o ato em Santiago do Chile. Tomás, apesar de estar com equipamentos de proteção, afirmou que o líquido havia penetrado sua roupa, queimando sua pele.

Queimaduras nas costas do Repórter José Tomás Donoso, que estava presente no ato do dia 27. Fonte: Piensa Prensa.

Polícia adultera água com gás lacrimogêneo

Estas são duas entre as diversas denúncias feitas por manifestantes sobre queimaduras ao serem atingidos pelos jatos de água da polícia naquela semana de protestos apenas. 

Os jatos de água são adulterados com CS (C10H5ClN2), mais comumente usado como gás lacrimogêneo, em sua forma líquida. Um carabinero (Polícia Militar chilena), inclusive, foi pego em imagens, no dia 18 de outubro, introduzindo o líquido nos jatos de água.

Ao ser introduzido, o líquido se torna amarelo, causando queimaduras em quem atinge. Desde 2019 os médicos denunciam tais jatos de água, afirmando que “Os pacientes estão sendo queimados com essa água”, como afirma o Dr. Macchiavello, na Comissão de Direitos Humanos 2019.

“Queimaduras químicas são graves”, prosseguiu, afirmando ainda que “Não sabemos como tratá-los, não é algo frequente e hoje estamos vendo uma explosão de casos e, revendo a literatura, é algo que não havia ocorrido no mundo ainda”.

Carabinero colocando agentes químicos nos jatos de água. Fonte: Piensa Prensa.

Como foram os protestos do dia 27/11?

Em Santiago, capital do Chile, milhares de pessoas tomaram as ruas da cidade em protesto contra o presidente de turno, Sebastian Piñera, e toda a velha ordem de exploração e opressão. No dia 27 de novembro, cerca de 10 mil manifestantes se concentram ao redor da Casa do Governo, marchando pela Avenida Alameda, com forte presença de forças de repressão. Em um dado momento da marcha, a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e caminhões com jatos de água para reprimir o povo em luta, que respondeu as forças da repressão construindo barricadas improvisadas e jogando coquetéis molotov na polícia, além de queimarem alguns pontos de ônibus.

Além de exigirem a saída de Piñera, os manifestantes exigiam poder retirar sem restrições uma segunda parte do fundo de pensões, assim como liberdade aos presos políticos das manifestações, entre outras reivindicações.

No mesmo dia, outras cidades contaram com manifestações, como Concepción (ao sul do país), Antofagasta (norte) e Valparaíso (centro). Ao total, foram 74 presos no país inteiro, sendo 55 apenas em Santiago.

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