Índia: Prosseguindo com ocupação de Nova Déli, camponeses se organizam e combatem a repressão

Prosseguindo com o protesto, camponeses montam acampamentos, com suprimentos e alimentos para até seis meses de luta. Foto: Yahoo! News.

Milhares de camponeses ainda ocupam Nova Déli durante a primeira semana de dezembro, em meio a uma zona militarizada pela reação, organizando acampamentos e refeições, prosseguindo com seu protesto contra a lei antipovo que aprofunda a exploração dos camponeses pelo latifúndio e grandes empresas no país.

Os camponeses, vindos de diversas regiões e estados da Índia, principalmente Punjab, ocupam a avenida próxima a fronteira de Déli com Haryana com seus caminhões e tendas. Camadas de feno, colchões e cobertores são utilizados pelos camponeses como cama dentro dos tratores e caminhões, contando com suprimentos e comida para até seis meses de ocupação, mostrando que até conquistarem os seus direitos, os camponeses não deixarão de lutar.

Além da alimentação e das camas improvisadas, os camponeses, que desde sua chegada à capital no dia 27 de novembro enfrentam a repressão do velho Estado, também desenvolveram medidas para manter sua saúde e higiene. Acampamentos foram criados para providenciar medicamentos e máscaras para os camponeses, com baldes e torneiras ligadas a caminhões-tanques de água para o banho.

Camponeses mantém combatividade

Na ocupação centenas de cartazes denunciam o fascista Narendra Modi e o seu governo de turno, além de palavras de ordem que são entoadas por alto-falantes. Os camponeses, em cima de tratores e caminhões, brandem espadas e lanças como forma de enfrentar a operação de guerra que o velho Estado montou contra a ocupação.

“Nós já passamos por secas e fome, mas isso nunca nos preocupa. Balas e canhões de água também não vão nos parar”, disse um dos líderes dos protestos camponeses, empunhando uma bengala modificada com um machado ao monopólio de imprensa Yahoo! News. “Essas leis vão nos reduzir a escravos, o que é inaceitável. Se necessário, usarei minha arma, mas não voltarei sem que as leis sejam revogadas”, crava o camponês.

A lei que o dirigente se refere, e que os camponeses enfrentam, é a nova lei chamada de Lei do Comércio e Venda de Produtos. Essa lei, em essência, desmantela o Comitê de Mercado de Produtos Agrícolas, órgão do velho Estado cuja função seria exercer uma força no mercado para que os preços dos produtos camponeses não fossem muito abaixo do mínimo necessário para sua sobrevivência. Tal política não era para proteger os camponeses, mas para frear a ânsia incontrolável do grande capital burocrático, comprador e imperialista que, se não lhe imposto limite, elevaria a exploração dos camponeses a um nível perigoso, que pudesse alimentar a Revolução Agrária que acontece no país através da Guerra Popular, sob a direção do Partido Comunista da Índia (Maoista). Agora, todavia, tal “proteção” estatal foi destruída pelo próprio velho Estado.

Outras mudanças na lei incluem também a possibilidade de os monopólios estocarem grandes quantidades de produtos para vender quando bem entenderem, o que pode levar à inflação, já que podem fazer com que uma grande quantidade de pessoas não encontrem disponíveis os produtos, aumentando o preço dos mesmos. Para os camponeses, as multinacionais da grande burguesia e do latifúndio poderão também impor os preços que comprarão os produtos, por serem monopólios.

Camponeses ocupam avenida em Nova Déli, sob palavras de ordem em denúncia ao velho Estado e lei antipovo. Foto: AFP.

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