MA: Despejo truculento da PM gera revolta em São Luís

No dia 02 de dezembro, o governo do Maranhão realizou um despejo truculento e destruição de palafitas na capital São Luís. Há tempos que pessoas constroem palafitas em vários pontos da cidade que evidenciam um problema crônico em São Luís: a questão da moradia. Dessa vez foram os moradores de palafitas construídas embaixo da ponte José Sarney (também chamada Ponte do São Francisco) os alvos da violenta Polícia Militar do governador Flávio Dino, do revisionista PCdoB. 

Os moradores informaram que a justificativa dada pela Polícia Militar (PM) para despejar os moradores foi de que as palafitas estavam poluindo o mar e prejudicando o meio ambiente. Curiosamente a PM se retirou do local deixando os destroços e entulhos da destruição que fizeram e que estão sendo, aos poucos, levados pela maré, o que revela ser a "questão ambiental" uma pífia desculpa para legitimar o despejo e expulsão de pessoas pobres de determinados locais das cidades.

Os policiais, coerentes com a sua função de reprimir o povo, bateram, arrastaram e atiraram contra as pessoas, jogaram bomba de efeito moral e usaram spray de pimenta. 

A questão gerou revolta e simpatia entre ludovicenses, agregando várias pessoas numa mobilização na ponte, após o despejo.

PM a mando do governador Flávio Dino realiza despejo truculento. Foto: O Estadão

São cerca de 100 famílias que moram nas palafitas com crianças e idosos. A quantidade de pessoas que foram morar em palafitas embaixo da ponte São Francisco aumentou recentemente devido ao contexto da pandemia, com a crise sanitária atrelada à crise econômica. Muitas pessoas ficaram desempregadas e não tiveram condições de continuar pagando aluguel para as suas moradias.

De acordo com o coletivo Combate, o discurso oficial de que os moradores rejeitaram o aluguel social oferecido pelo governo serve apenas para tentar deslegitimar uma causa justa que é a luta por moradia digna e plena. 

Durante o ato três moradoras da região do São Francisco foram entrevistadas pelo coletivo.

Segue a entrevista na íntegra: 

1º pergunta: Por que vocês estão fazendo esse ato?

Moradora 1: Primeiro de tudo é que nós não estamos invadindo propriedade, não estamos invadindo casa de ninguém. Nós estamos aqui atrás de um abrigo, viemos morar embaixo da ponte para não incomodar ninguém. A gente não está aqui porque quer. Ninguém vem pra cá porque quer. Eu tenho um filho de um ano e não é isso que eu quero para o meu filho. Definitivamente não é isso. Porém, nós não temos o privilégio de muitos, nós não temos a educação tão boa que muitos têm, uma oportunidade. 

Moradora 2: Somos mães de família, aqui não tem vagabundo. Eu tenho um casal de gêmeos, tenho um filho de nove anos. Estou aqui porque preciso e não porque quero só entrar para fazer bagunça. 

Intervenção da entrevistadora: Você me disse que morava antes de aluguel e que as pessoas estão inventando mentiras dizendo que vocês já tinham ganhado uma casa. Você poderia explicar melhor?

M1: Estão dizendo que a gente já esteve em palafita antes, que tiraram a gente e que agora a gente está retornando porque a gente gosta. A gente não gosta de estar aqui.

M2: Eu nunca que eu queria trazer meu filho para cá para dentro. Eu não tenho onde morar mesmo, nunca tive. A única coisa que eu tenho do governo é o bolsa-família que não dá para eu sustentar os meus filhos. 

2ª pergunta: Foi prometido alguma coisa a vocês?

M2: Estão dizendo que vão vir conversar, entendeu?

M1: Primeiro a polícia chegou, bateu, prendeu, xingou, humilhou, nos tratou como animais, entendeu?

M2: Depois de ter feito tudo isso, eles disseram que de criança a adulto eles iam passar por cima.

M1: Eu vi muita gente dizendo nas redes sociais que, se a polícia veio, é porque já tinha sido avisado antes. Não! Ninguém nunca veio conversar com a gente. Nunca foi feito nenhum acordo. 

M2: Ninguém propôs aluguel social, a polícia nem falou com a gente, só veio derrubando tudo e disse que estava fazendo o trabalho deles. Aluguel social isso é uma mentira! Aqui tem mulher grávida, criança pequena, tem idoso, tem muita gente aqui, entendeu?

3° pergunta: Eu soube que a polícia levou algumas pessoas presas, isso é verdade?

M2: Levaram uma menina de menor sem ela ter feito nada, chegaram a bater, a arrastar as pessoas, jogar bomba, spray de pimenta, tudo jogaram em cima da gente. 

Intervenção: Tem muita gente presa ainda?

M1: Tem uma pessoa que já desceu, uma eles liberaram porque era de menor e um foi para a triagem. Os meninos que foram presos eles não deram nenhuma justificativa, não deixaram eles trazer cópia do boletim de ocorrência, entendeu? Se aproveitam do fato de a gente ser de baixa renda, ser pobre e taxam a pessoa como burro, como criminoso e não dão esclarecimento nenhum e acabam julgando a gente por coisa que a gente não tem culpa. 

M3: A gente vai ficar unido, o que um comer o outro come. Eles disseram na TV que deram aluguel social pra gente e a gente não quis, isso é mentira. Quem é que vai receber aluguel social e continuar morando com rato? O que mais tem é apartamento vazio na Ribeira, um monte de casa no São Francisco, um monte de lugar que a gente pode morar e eles não dão para quem precisa. 

M1: Eu queria saber o posicionamento do Osmar Filho [do PDT] que foi um dos vereadores mais bem votados aqui no São Francisco, de Neto Evangelista que quase se elegeu, que se posicionava muito como homem do povo, cadê essas pessoas aqui? Cadê esses representantes? Cadê o Braide [prefeito eleito pelo Podemos]? Qual é o posicionamento deles em relação a isso? Depois que acaba as eleições a gente cai no esquecimento, mas a gente não vai esquecer. A gente vai continuar lembrando do que fizeram com a gente aqui

M3: Eles vivem numa boa porque vivem roubando a gente, o dinheiro do povo. E a gente aqui é só Deus para ajudar.

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